
Nova tecnologia usa biometria da palma para liberar Pix, crédito e débito sem celular
O pagamento com a palma da mão começa a ganhar espaço no Brasil como uma nova alternativa para compras sem cartão, senha ou celular. A tecnologia utiliza sensores de luz infravermelha para ler padrões vasculares da mão, como veias e fluxo sanguíneo, e vincular essa identificação a um meio de pagamento, incluindo cartão de crédito, débito ou Pix. A proposta é permitir que o consumidor autorize uma transação apenas aproximando a mão de um terminal, sem contato físico com o equipamento.
A novidade ganhou destaque após a Positivo Tecnologia anunciar, em parceria com a Tencent Cloud, uma solução de pagamento e controle de acesso baseada em biometria da palma. Segundo a empresa, o terminal foi apresentado oficialmente na Autocom 2026, em São Paulo, e foi desenvolvido para operar com pagamentos por débito, crédito e Pix.
Pagamento com a palma da mão usa biometria vascular
O funcionamento é baseado na chamada biometria vascular. Diferentemente da impressão digital, que analisa marcas externas dos dedos, o sistema identifica padrões internos da palma da mão.
Esses padrões são captados por sensores infravermelhos e transformados em um código criptografado. Esse código passa a ser associado ao cadastro do usuário e ao meio de pagamento escolhido.
Na prática, o consumidor não precisa encostar a mão no aparelho. Basta aproximá-la do leitor para que o sistema reconheça a identidade e libere a transação em poucos segundos.
A tecnologia também pode ter aplicações fora do varejo, como controle de acesso em empresas, eventos, hospitais, condomínios e ambientes que exigem autenticação rápida.
Positivo e Tencent apostam em terminal para Pix, crédito e débito
A parceria entre Positivo Tecnologia e Tencent Cloud é um dos movimentos mais recentes para levar a biometria da palma ao mercado brasileiro. A solução combina hardware, autenticação biométrica e integração com sistemas de pagamento.
De acordo com a Positivo, o equipamento permite que o usuário realize pagamentos ao aproximar a mão do sensor, com suporte a débito, crédito e Pix. A empresa também apresenta a tecnologia como alternativa para controle de acesso, ampliando o uso além das compras em lojas.
A Tencent informa que a solução PalmAI foi integrada a um terminal inteligente da Positivo, com reconhecimento sem contato e processamento para Pix, débito e crédito.
A expectativa é que os equipamentos avancem no Brasil ao longo do segundo semestre, mas a adoção em larga escala dependerá de acordos com bancos, varejistas, adquirentes, bandeiras, fintechs e consumidores.
Segurança é um dos principais argumentos da tecnologia
Especialistas e empresas do setor afirmam que a biometria da palma pode ser mais segura do que outros métodos por trabalhar com características internas do corpo, mais difíceis de copiar do que imagens faciais ou impressões superficiais.
Esse ponto é relevante em um país que convive com golpes digitais, fraudes bancárias, roubo de celulares e uso indevido de cartões. Ao dispensar senha, cartão físico e aparelho eletrônico, a tecnologia pode reduzir alguns riscos comuns no dia a dia.
Ainda assim, segurança tecnológica não elimina a necessidade de regras claras. Dados biométricos são informações sensíveis e exigem proteção rigorosa. A Autoridade Nacional de Proteção de Dados define dado biométrico, quando vinculado a uma pessoa natural, como dado pessoal sensível.
Isso significa que empresas responsáveis por esse tipo de solução precisam garantir consentimento adequado, transparência, finalidade específica, segurança no armazenamento e canais para exclusão ou revisão dos dados.
Privacidade será decisiva para aceitação do público
A conveniência do pagamento com a palma da mão é evidente. Esquecer a carteira, ficar sem bateria no celular ou enfrentar instabilidade de internet deixaria de impedir uma compra presencial.
Mas a aceitação do público dependerá da confiança. Consumidores deverão saber exatamente quais dados são coletados, onde ficam armazenados, quem pode acessá-los e como cancelar o cadastro.
A LGPD exige cuidado maior com informações biométricas porque elas não podem ser simplesmente “trocadas” como uma senha. Se uma senha vaza, o usuário altera. Se um dado biométrico é comprometido, o problema é mais complexo.
Por isso, a implantação precisa ser acompanhada de comunicação clara e auditoria técnica. A inovação pode melhorar a experiência de pagamento, mas deve caminhar junto com responsabilidade, segurança jurídica e proteção ao consumidor.
Mercado brasileiro pode acelerar adoção
O Brasil já é um dos países mais avançados no uso de pagamentos digitais, especialmente após a popularização do Pix. Essa maturidade pode favorecer a chegada de soluções biométricas, desde que a tecnologia seja simples, segura e integrada à rotina do comércio.
Para lojistas, a promessa é reduzir filas e simplificar a finalização da compra. Para bancos e fintechs, a ferramenta pode ampliar opções de autenticação. Para consumidores, o atrativo está na praticidade.
O avanço, porém, não será automático. O SBT News destacou que a expansão dependerá da adesão de bancos, varejistas e consumidores, além de garantias regulatórias e de segurança no tratamento dos dados biométricos.
A chegada do pagamento com a palma da mão abre uma nova fase na disputa por meios de pagamento mais rápidos e seguros. O desafio será equilibrar inovação, privacidade e liberdade de escolha, para que a tecnologia sirva ao consumidor sem criar novas vulnerabilidades.