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Goiás contrata IA para identificar doadores de córneas e reduzir fila de transplantes

SES-GO usará inteligência artificial para agilizar notificações de óbitos e ampliar doações de córneas

Ferramenta será integrada à rede estadual de saúde e à Central Estadual de Transplantes para detectar notificações de óbitos em tempo real. Goiás tem mais de 1,8 mil pessoas na fila por transplante de córnea.

A Secretaria de Estado da Saúde de Goiás deu um passo importante para modernizar a identificação de potenciais doadores de córneas. A pasta anunciou a contratação de uma ferramenta baseada em inteligência artificial para apoiar a detecção e a notificação automatizada de óbitos em tempo real, com o objetivo de ampliar o número de transplantes de córnea no estado. A vencedora do processo foi o Instituto de Inteligência Artificial na Saúde, conhecido como Noharm, com contrato no valor de R$ 1,2 milhão, publicado pela SES-GO. citeturn654335view0

A solução será integrada ao sistema de gestão hospitalar da rede estadual e à Central Estadual de Transplantes. Na prática, a tecnologia deverá analisar registros eletrônicos para identificar notificações de óbitos e encaminhar as informações às equipes responsáveis pela entrevista familiar e pelos procedimentos de doação, sempre respeitando protocolos técnicos e a autorização dos familiares.

Inteligência artificial na doação de córneas em Goiás

A proposta da inteligência artificial não é substituir profissionais de saúde, mas acelerar uma etapa sensível do processo: a identificação de potenciais doadores. Em transplantes de córnea, o tempo de notificação é decisivo, porque há uma janela limitada para que a captação seja viável.

O edital que deu origem à contratação foi lançado pelo Governo de Goiás dentro do modelo de Contratação Pública para Solução Inovadora (CPSI), com foco em reduzir a subnotificação de óbitos por parada cardiorrespiratória e melhorransplante de córneas. citeturn654335view1

A gerente de Transplantes da SES, Katiuscia Freitas, já havia afirmado que Goiás tem mais de 1,8 mil pessoas aguardando quase dois anos por um transplante de córnea. Segundo ela, quando a notificação do óbito demora, muitas pode mais ser captada. citeturn654335view1

Ferramenta será integrada à Central Estadual de Transplantes

A integração com a Central Estadual de Transplantes é um dos pontos centrais do projeto. A ferramenta deverá atuar como um sistema de apoio à busca ativa, identificando registros compatíveis com potenciais doadores e repassando alertas às equipes responsáveis.

Com isso, hospitais poderão reduzir falhas manuais, atrasos de comunicação e perda de oportunidades de doação. Em uma rede pública com grande volume de atendimentos, a automação pode ajudar a organizar fluxos e priorizar casos dentro do tempo adequado.

A decisão também mostra uma aplicação prática da tecnologia no serviço público. Em vez de usar inteligência artificial apenas em áreas administrativas, o Estado pretende aplicá-la em uma frente que pode gerar impacto direto na vida de pacientes que aguardam transplante.

Fila por transplante de córnea passa de 1,8 mil pessoas

A fila de mais de 1,8 mil pessoas evidencia o tamanho do desafio em Goiás. O transplante de córnea pode devolver qualidade de vida a pacientes com perda visual causada por doenças, lesões ou alterações graves no tecido ocular.

Em muitos casos, o procedimento permite que a pessoa volte a estudar, trabalhar, se deslocar com autonomia e realizar atividades cotidianas. Por isso, melhorar a identificação de doadores não é apenas uma medida técnica, mas uma política pública com impacto social.

A SES já havia informado que a expectativa era encontrar uma solução inovadora capaz de aumentar o número de doações e, no futuro, contribuir para reduzir de forma expres por córneas em Goiás. citeturn654335view1

Contratação pública buscou solução inovadora

O processo de contratação pública selecionou a Noharm após análise comparativa de três propostas habilitadas: Instituto de Inteligência Artificial na Saúde, Cliv Tecnologia e Lookinside Serviços e Tecnologias Ltda. Segundo o aviso de resultado, a escolha considerou as condições econômicas mais vantajosas e aderentes ao a fase de negociação. citeturn654335view0

Esse modelo de contratação faz parte de uma tendência de inovação no setor público. A CPSI permite testar soluções novas para problemas específicos da administração, especialmente quando métodos tradicionais não têm apresentado resultados suficientes.

No caso dos transplantes, a inovação precisa ser acompanhada de transparência, segurança da informação e avaliação de desempenho. Será necessário medir se a ferramenta realmente aumenta notificações, reduz perdas por atraso e contribui para ampliar transplantes efetivados.

Autorização familiar continua indispensável

Mesmo com apoio da inteligência artificial, a doação de córneas continuará dependendo de protocolos de saúde e autorização familiar. A tecnologia poderá identificar e alertar equipes, mas a abordagem aos familiares exige preparo, sensibilidade e respeito ao momento de luto.

Essa etapa é decisiva. A manifestação da família é indispensável para que a doação seja concretizada, e a qualidade da entrevista pode influenciar diretamente a decisão.

Por isso, a ferramenta deve funcionar como apoio operacional. O componente humano seguirá no centro do processo, especialmente no acolhimento, na explicação sobre a doação e na condução ética dos procedimentos.

Tecnologia pode aumentar eficiência do SUS em Goiás

A contratação da IA pela SES-GO reforça a importância de usar tecnologia para melhorar a eficiência do Estado. Em áreas como saúde pública, a demora em identificar informações pode significar perda de oportunidade, aumento de fila e piora na qualidade do atendimento.

Se bem implementada, a solução pode ajudar Goiás a reduzir gargalos em transplantes de córnea e servir de modelo para outros estados. O desafio será garantir integração com os sistemas hospitalares, capacitação das equipes, proteção de dados sensíveis e acompanhamento permanente dos resultados.

A iniciativa também mostra que inovação pública precisa estar ligada a metas concretas. No caso da doação de córneas, o objetivo é claro: encontrar potenciais doadores com mais rapidez, respeitar as famílias e ampliar o acesso de pacientes ao transplante.

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