
Preso por suspeita de encomendar morte do filho foi fotografado consolando família
Polícia Civil investiga se dívida de aproximadamente R$ 50 mil motivou o homicídio de Thaliton Henrique Dias Machado, ocorrido em uma chácara de Trindade.
Imagens obtidas pela reportagem mostram o homem preso sob suspeita de mandar matar o próprio filho participando do velório da vítima e prestando apoio aos familiares. Nas fotografias, ele aparece abraçando outro filho durante a cerimônia de despedida de Thaliton Henrique Dias Machado, morto em 23 de janeiro de 2026, na zona rural de Trindade, na Região Metropolitana de Goiânia.
Segundo a Polícia Civil de Goiás, Thaliton estava em uma horta da propriedade onde trabalhava quando foi surpreendido e morto a tiros. As investigações passaram a considerar a participação do pai após os agentes identificarem inconsistências nos relatos apresentados por ele e descartarem a versão de que a vítima mantinha diversas desavenças.
A principal linha de investigação aponta que o homicídio teria sido motivado por uma dívida de aproximadamente R$ 50 mil. De acordo com a apuração policial, Thaliton havia emprestado o dinheiro ao pai e intensificado as cobranças nas semanas anteriores ao crime.
Dívida de R$ 50 mil teria motivado o homicídio
A Polícia Civil sustenta que, no dia da morte, o pai prometeu quitar a dívida, mas teria decidido contratar outra pessoa para assassinar o filho. A acusação ainda depende da conclusão do inquérito, da manifestação do Ministério Público e da análise da Justiça.
Além da cobrança financeira, a investigação apura se Thaliton ameaçava procurar a polícia para denunciar o pai por uma possível participação no desaparecimento ou morte de sua mãe, Aparecida Almeida Dias, ocorrido há cerca de duas décadas em Pires do Rio.
A suspeita relacionada ao caso antigo ainda não representa uma conclusão policial ou judicial. Segundo as informações divulgadas, a Polícia Civil trabalha com a hipótese de participação do investigado, mas serão necessárias novas diligências e provas independentes para esclarecer o que aconteceu com Aparecida.
Cunhado é apontado como executor
Outras duas pessoas foram presas durante a investigação: Simone Viana Silva, esposa do principal suspeito, e Wanderson da Silva Sousa, irmão dela.
Wanderson é apontado pela polícia como o autor dos disparos. De acordo com a corporação, ele confessou participação no homicídio e declarou ter recebido aproximadamente R$ 15 mil para executar Thaliton. A confissão deverá ser confrontada com perícias, registros telefônicos, movimentações financeiras e outros elementos reunidos no inquérito.
A investigação também apura a participação de Simone no planejamento e nos acontecimentos posteriores ao crime. Até o momento, não foram divulgados detalhes sobre as versões apresentadas pelas defesas dos três investigados.
Os envolvidos permanecem na condição de suspeitos e somente poderão ser considerados culpados após eventual processo criminal e condenação definitiva.
Imagens do velório ganham repercussão
As fotografias da cerimônia passaram a chamar atenção depois da prisão. O homem investigado aparece ao lado dos familiares, abraçando um dos filhos e participando das manifestações de luto.
Segundo informações atribuídas à investigação, ele também teria admitido envolvimento no crime a um cunhado ainda durante o velório. Esse relato integra a apuração e precisará ser confirmado por depoimentos e outros elementos de prova.
A presença do suspeito na despedida não constitui, isoladamente, prova de participação no homicídio. Para responsabilização criminal, a Justiça deverá avaliar o conjunto formado por depoimentos, perícias, dados eletrônicos, movimentações financeiras e possíveis comunicações entre os investigados.
Polícia apura plano contra outros envolvidos
Outro desdobramento considerado pela Polícia Civil é a suspeita de que, depois da morte de Thaliton, o pai procurava alguém para matar Simone e Wanderson. Um áudio entregue aos investigadores indicaria que ele pretendia eliminar pessoas que conheciam detalhes da execução.
A polícia informou ainda que o casal morava em Goiânia e estaria planejando fugir quando foi localizado na região de Senador Canedo. A data exata das prisões precisa ser confirmada, diante da divergência entre as informações publicadas.
O caso deverá avançar agora para a conclusão do inquérito. Caberá à Polícia Civil apontar formalmente os indiciados e os crimes atribuídos a cada um. Em seguida, o Ministério Público poderá solicitar novas diligências, oferecer denúncia ou arquivar pontos que não tenham provas suficientes.
A apuração envolve acusações graves e exige transparência das autoridades, preservação das provas e respeito ao direito de defesa. Também será necessário esclarecer o desaparecimento de Aparecida Almeida Dias sem transformar uma hipótese investigativa em condenação antecipada.