
Técnica minimamente invasiva destrói tumor no fígado e permite alta no dia seguinte
Mulher de 37 anos, que já havia tratado câncer de cólon, passou por ablação por radiofrequência após descoberta de metástase no fígado. Procedimento é feito com agulha guiada por imagem e calor controlado.
Uma mulher de 37 anos, moradora de Brasília, passou por um tratamento minimamente invasivo após descobrir uma metástase no fígado poucos anos depois de tratar um câncer de cólon. A paciente, que prefere não ser identificada, foi considerada apta pela equipe médica para realizar ablação por radiofrequência, técnica que destrói lesões tumorais com calor, sem necessidade de cirurgia aberta.
A metástase ocorre quando células cancerígenas se desprendem do tumor original e se espalham para outros órgãos ou tecidos do corpo. Segundo o Instituto Nacional do Câncer dos Estados Unidos, o tumor metastático mantém o mesmo tipo de células do câncer primário, mesmo quando aparece em outra parte do organismo.
Ablação por radiofrequência trata tumor sem abrir o abdome
No caso da paciente de Brasília, a lesão no fígado foi tratada por ablação por radiofrequência. O procedimento é realizado por um radiologista intervencionista, que introduz uma agulha fina até o tumor, geralmente com orientação por exames de imagem, como tomografia computadorizada, ultrassonografia ou ressonância magnética.
Na ponta da agulha, a energia de radiofrequência gera calor suficiente para destruir as células cancerígenas, preservando ao máximo os tecidos saudáveis ao redor. A RadiologyInfo, iniciativa do Colégio Americano de Radiologia e da Sociedade Radiológica da América do Norte, explica que a energia enviada pela sonda produz calor na extremidade do instrumento, destruindo células tumorais e reduzindo o risco de sangramento em pequenos vasos.
Paciente teve alta hospitalar no dia seguinte
Segundo o relato, a paciente recebeu alta no dia seguinte ao procedimento, um dos pontos que costuma diferenciar técnicas minimamente invasivas de cirurgias abertas. A recuperação mais rápida, no entanto, depende de fatores como tamanho da lesão, localização do tumor, estado geral da paciente e planejamento definido pela equipe oncológica.
“Enquanto eu estava na sala do médico, me mantive calma e tentei me informar sobre o que poderia ser feito e se o tratamento teria intenção curativa. Ao chegar em casa, desabei”, contou a paciente.
O relato mostra também o impacto emocional de receber um novo diagnóstico após já ter passado por tratamento contra o câncer. Além da decisão técnica, casos assim envolvem medo, insegurança, expectativa de cura ou controle da doença e necessidade de apoio familiar e psicológico.
Técnica pode reduzir trauma cirúrgico
De acordo com o radiologista intervencionista Cândido José de Paula, do Hospital Anchieta Taguatinga, a principal vantagem da ablação por radiofrequência é tratar a área acometida sem abrir o abdome.
“Um dos principais benefícios é possibilitar o tratamento da área acometida sem a necessidade de abrir o abdome do paciente. Isso reduz o trauma cirúrgico, favorece uma recuperação mais rápida e permite uma intervenção menos agressiva em situações específicas”, explica.
A literatura médica descreve a ablação por radiofrequência como uma opção segura e eficaz em casos selecionados de metástases hepáticas de câncer colorretal, especialmente quando há número limitado de lesões, localização favorável e avaliação adequada por equipe multidisciplinar.
Tratamento depende de avaliação individual
Apesar dos benefícios, a ablação por radiofrequência não é indicada para todos os pacientes. A escolha depende de critérios como tipo do câncer, quantidade de lesões, tamanho do tumor, posição no fígado, proximidade de vasos sanguíneos e vias biliares, além da função hepática e das condições clínicas gerais.
Em alguns casos, a técnica pode ser usada isoladamente. Em outros, pode ser combinada com cirurgia, quimioterapia, terapias-alvo ou imunoterapia, conforme o plano definido pela equipe médica. Revisões sobre tratamento de metástases hepáticas colorretais apontam que terapias locais, como a ablação térmica, são consideradas principalmente em doença limitada, quando todas as lesões visíveis podem ser tratadas.
Por isso, especialistas reforçam que pacientes não devem interpretar a técnica como substituição automática da cirurgia ou da quimioterapia. Ela é uma ferramenta dentro de um conjunto de opções oncológicas.
Avanço reforça papel da medicina menos invasiva
O caso de Brasília ilustra o avanço da radiologia intervencionista no tratamento do câncer. Procedimentos guiados por imagem permitem intervenções mais precisas, com menor agressão ao organismo e recuperação potencialmente mais rápida em situações específicas.
Para pacientes oncológicos, esse tipo de tecnologia pode representar menos tempo de internação, menor trauma físico e retomada mais rápida da rotina, sempre quando houver indicação médica. O ponto central, porém, continua sendo o diagnóstico precoce, o acompanhamento regular e a decisão compartilhada entre paciente e equipe de saúde.