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Dieta rica em vegetais pode ajudar a proteger os rins, aponta estudo

Alimentação com frutas, grãos integrais e leguminosas é associada a menor risco de doença renal crônica

Estudo publicado no Canadian Medical Association Journal analisou dados de 179.508 pessoas do UK Biobank e encontrou associação entre maior adesão à dieta EAT-Lancet e menor risco de doença renal crônica.

Uma alimentação rica em hortaliças, frutas, grãos integrais, leguminosas e oleaginosas pode contribuir para proteger os rins e reduzir o risco de doença renal crônica, segundo estudo publicado no Canadian Medical Association Journal. A pesquisa analisou dados de 179.508 participantes do UK Biobank, acompanhados por um período mediano de 12 anos, e observou associação entre maior adesão à dieta EAT-Lancet, conhecida como “dieta da saúde planetária”, e menor risco de desenvolver doença renal crônica.

Durante o acompanhamento, 4.819 participantes, o equivalente a 2,7% do grupo analisado, desenvolveram doença renal crônica. O estudo não prova, sozinho, relação direta de causa e efeito, mas reforça a importância da alimentação como um fator modificável na prevenção de problemas renais.

Dieta da saúde planetária entra no foco da prevenção renal

A dieta EAT-Lancet prioriza alimentos de origem vegetal, como verduras, legumes, frutas, cereais integrais, feijões, lentilhas, grão-de-bico, castanhas e sementes. O modelo também recomenda consumo moderado de alimentos de origem animal e menor presença de ultraprocessados, açúcares e excesso de gorduras pouco saudáveis.

Segundo os autores, esse padrão alimentar pode beneficiar os rins por diferentes caminhos, incluindo melhora do metabolismo, redução de processos inflamatórios e menor estresse oxidativo. A análise também investigou fatores genéticos, ambientais, proteômicos e metabólicos relacionados ao risco de doença renal crônica.

Inflamação e estresse oxidativo podem explicar parte do efeito

De acordo com a nefrologista Patrícia Goldenstein, do Einstein Hospital Israelita, a análise de marcadores no sangue sugere que cerca de 20% do efeito protetor associado à dieta planetária pode estar ligado a mudanças metabólicas que reduzem a inflamação.

A explicação é relevante porque os rins são órgãos altamente vascularizados e sensíveis a alterações metabólicas. Processos inflamatórios persistentes, excesso de glicose no sangue, pressão alta e obesidade podem prejudicar progressivamente a função renal.

O estudo também aponta que uma alimentação mais rica em vegetais pode ajudar no combate ao estresse oxidativo, mecanismo relacionado ao dano celular. Na prática, a combinação de ação anti-inflamatória e antioxidante pode favorecer a proteção renal ao longo do tempo.

Doença renal crônica costuma avançar em silêncio

A doença renal crônica é caracterizada por alterações persistentes na estrutura ou na função dos rins, com impacto na capacidade de filtrar o sangue. O Ministério da Saúde alerta que a condição é silenciosa, muitas vezes não apresenta sintomas nas fases iniciais e tem alta relevância para os sistemas de saúde.

Esse silêncio é um dos principais desafios. Muitas pessoas só descobrem o problema quando a função renal já está comprometida. Por isso, exames simples, como creatinina no sangue, taxa de filtração glomerular estimada e avaliação de albumina na urina, podem ser importantes em grupos de risco.

Entre os principais fatores associados à doença renal crônica estão diabetes, hipertensão, obesidade, envelhecimento, histórico familiar e alimentação de baixa qualidade. Boletim do Ministério da Saúde destaca que diabetes, hipertensão e consumo de ultraprocessados complicam o cenário da doença renal no Brasil.

Alimentação equilibrada ajuda, mas não substitui acompanhamento

A adoção de uma dieta mais natural e rica em vegetais pode ser uma estratégia importante de prevenção, mas não substitui avaliação médica. Pessoas com doença renal já diagnosticada precisam de orientação individualizada, especialmente porque alguns alimentos saudáveis para a população geral podem exigir controle em estágios avançados da doença.

Frutas, leguminosas e vegetais, por exemplo, são importantes em uma alimentação equilibrada, mas pacientes com restrições específicas de potássio, fósforo ou proteínas devem seguir plano alimentar definido por médico e nutricionista.

Para a população em geral, o recado é mais amplo: reduzir ultraprocessados, controlar o sal, evitar excesso de açúcar, manter hidratação adequada e cuidar da pressão arterial e da glicose são atitudes que ajudam a preservar a saúde dos rins.

Estilo de vida segue como pilar de prevenção

O estudo reforça que a prevenção da doença renal crônica passa por escolhas diárias. Alimentação, atividade física regular, controle do peso, tratamento correto da hipertensão e do diabetes e acompanhamento periódico são medidas que podem reduzir riscos.

Como a doença renal crônica costuma ser silenciosa, a informação é parte essencial da prevenção. Uma dieta rica em alimentos naturais, quando adaptada à realidade de cada pessoa, pode proteger não apenas os rins, mas também o coração, o metabolismo e a saúde geral.

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