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Eclipse lunar de 96% poderá ser visto em todo o Brasil nesta madrugada

Lua ficará quase totalmente encoberta em eclipse visível no Brasil; veja horários

Fenômeno ocorre entre a noite desta quinta-feira (27) e a madrugada de sexta (28). Fase parcial começa por volta das 23h34 e atinge o máximo às 1h13, no horário de Brasília.

O céu brasileiro terá uma das principais atrações astronômicas de 2026 entre a noite desta quinta-feira (27) e a madrugada de sexta-feira (28). Um eclipse lunar parcial poderá ser observado em todo o Brasil, sem necessidade de telescópio, binóculo ou qualquer equipamento de proteção para os olhos, desde que as condições do tempo permitam a visualização da Lua.

Segundo o Observatório Nacional, o fenômeno começa às 22h24, no horário de Brasília, com a entrada da Lua na penumbra da Terra. A fase mais perceptível a olho nu, quando o satélite começa a entrar na parte mais escura da sombra terrestre, a umbra, tem início por volta das 23h34. O ponto máximo está previsto para 1h13 de sexta-feira (28).

Nesse momento, o eclipse será tão profundo que visualmente ficará próximo de um eclipse total. O Observatório Nacional calcula que 96,2% do disco lunar estará obscurecido no máximo do fenômeno. Catálogos astronômicos também registram magnitude umbral de aproximadamente 0,93 — número que explica referências a cerca de 93% encontradas em algumas divulgações sobre o evento.

Que horas começa o eclipse lunar no Brasil?

Os horários divulgados pelo Observatório Nacional consideram o Horário de Brasília. A sequência prevista é:

  • 22h24 de quinta-feira (27): início da fase penumbral;
  • 23h34: início do eclipse parcial;
  • 1h13 de sexta-feira (28): ponto máximo;
  • 2h52: fim da fase parcial;
  • 4h02: encerramento da fase penumbral.

A fase penumbral inicial é mais discreta e pode ser difícil de perceber. A mudança fica muito mais evidente a partir do momento em que a Lua começa a entrar na umbra, quando uma grande área do disco lunar passa a apresentar forte escurecimento.

O astrônomo Thiago Gonçalves, diretor do Observatório do Valongo, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), destacou que o fenômeno estará em posição favorável para observadores brasileiros. A Lua estará visível durante o período do eclipse em todas as regiões do país.

Por que a Lua pode ficar avermelhada?

Apesar de ser parcial, o eclipse deverá produzir um efeito semelhante ao observado na chamada “Lua de Sangue”, principalmente sobre a região mergulhada mais profundamente na sombra terrestre.

O fenômeno acontece quando Sol, Terra e Lua ficam alinhados, com a Terra entre os outros dois corpos. A luz solar direta deixa de atingir parte da superfície lunar, mas uma parcela da luz atravessa a atmosfera terrestre antes de chegar à Lua.

Nesse processo, comprimentos de onda azulados são mais espalhados pela atmosfera, enquanto tons avermelhados conseguem atravessá-la com maior facilidade. É um princípio semelhante ao responsável pelas cores alaranjadas e vermelhas observadas no nascer e no pôr do sol.

Como uma pequena parte da Lua permanecerá fora da umbra, o eclipse não será classificado como total. O contraste entre a área avermelhada e a estreita região ainda iluminada poderá produzir um aspecto particularmente marcante.

Eclipse pode ser observado a olho nu com segurança

Diferentemente de um eclipse solar, a observação de um eclipse lunar não representa risco para os olhos. Não é necessário utilizar filtros ou óculos especiais. O fenômeno pode ser acompanhado diretamente a olho nu.

Binóculos e telescópios são opcionais e podem ajudar quem deseja enxergar com mais detalhes crateras, mudanças de tonalidade e a progressão da sombra sobre a superfície lunar.

Para melhorar a experiência, a recomendação é procurar um local com visão livre do céu. Áreas afastadas de iluminação urbana intensa podem oferecer melhores condições, embora a poluição luminosa seja um problema bem menor para observar a Lua do que para enxergar estrelas pouco brilhantes.

O principal fator será a nebulosidade. Nuvens densas podem impedir total ou parcialmente a observação em determinadas cidades.

Observatório Nacional terá transmissão do eclipse

Para quem enfrentar céu encoberto ou quiser acompanhar o evento com explicações de especialistas, o Observatório Nacional anunciou transmissão ao vivo do eclipse, com participação de astrônomos e colaboradores em diferentes locais.

O fenômeno também poderá ser visto em outras áreas das Américas, além de partes da Europa e da África. Dados da NASA classificam o evento de 28 de agosto como eclipse lunar parcial da série Saros 138, com visibilidade ampla nas Américas.

Depois deste evento, o próximo eclipse lunar parcial visível no Brasil ocorrerá em janeiro de 2028, mas será muito menos intenso. A previsão é de que apenas uma pequena parcela da Lua entre na sombra mais escura da Terra. Já um novo eclipse lunar total com ampla visibilidade no país está previsto para junho de 2029.

Com mais de 96% do disco lunar obscurecido no ápice e condições geométricas favoráveis para o Brasil, o eclipse desta quinta para sexta-feira deverá oferecer uma oportunidade incomum de acompanhar a olho nu um fenômeno muito próximo de uma totalidade.

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