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Enchentes no Nepal e Tibete deixam mais de 360 mortos e 1.400 desaparecidos

Colapso de geleira devasta fronteira entre Nepal e Tibete e mobiliza buscas por desaparecidos

Equipes de resgate enfrentam lama, estradas destruídas e risco de novas cheias após uma avalanche de gelo e rochas provocar uma inundação devastadora na região do Himalaia.

Equipes de resgate intensificaram nesta quinta-feira (27) as buscas por mais de 1.400 pessoas desaparecidas após enchentes no Nepal e Tibete atingirem comunidades próximas à fronteira entre o país do sul da Ásia e a região autônoma chinesa. Balanços divulgados ao longo do dia apontavam mais de 360 mortos, enquanto militares, policiais e equipes de emergência tentavam alcançar áreas isoladas pela lama e pela destruição de estradas e pontes. Os números continuam sujeitos a atualização conforme as buscas avançam.

A dimensão da tragédia representa um dos maiores desafios recentes para os serviços de emergência na região do Himalaia. Além das perdas humanas, a inundação atingiu vilarejos, sistemas de transporte, instalações de energia e o importante corredor terrestre entre Nepal e China, ampliando a preocupação com os efeitos econômicos e logísticos do desastre.

Enchentes no Nepal e Tibete deixaram centenas de estrangeiros desaparecidos

No lado nepalês, a Associated Press informou que pelo menos 910 pessoas permaneciam desaparecidas durante a atualização desta quinta-feira. Autoridades chinesas confirmaram, por sua vez, três mortes e 558 desaparecidos em Gyirong, no Tibete. Entre os desaparecidos no território chinês estão 260 estrangeiros.

O desastre ganhou dimensão internacional devido à presença de turistas e peregrinos na região. Dados divulgados por autoridades de turismo do Nepal e compilados pela Reuters indicavam centenas de estrangeiros sem contato, provenientes de mais de 30 países. Indianos, americanos, britânicos, australianos, canadenses e chineses estavam entre os grupos afetados.

Muitos viajantes utilizam a região como rota para áreas de peregrinação e turismo de montanha no Himalaia, incluindo destinos próximos ao Monte Kailash. A interrupção das rodovias e dos serviços de comunicação tornou mais difícil determinar quantas pessoas estavam efetivamente na área atingida quando a enxurrada ocorreu.

Vídeo mostra parede de lama atingindo Gyirong

Imagens divulgadas pela televisão chinesa mostram o momento em que uma enorme corrente de água, lama e detritos avança pelo porto fronteiriço de Gyirong. Um edifício de vários andares é atingido enquanto pessoas tentam fugir, e veículos aparecem cercados pela massa de detritos.

A Associated Press informou que estradas de acesso ao posto fronteiriço foram danificadas e que a camada de lama chegou, em alguns pontos, a cerca de 1,5 metro. No Nepal, dezenas de pontes e aproximadamente 40 quilômetros de estradas sofreram danos, dificultando a chegada de socorristas por terra.

Helicópteros do Exército nepalês passaram a ser utilizados para procurar sobreviventes, transportar feridos e chegar a comunidades isoladas. Mais de 100 pessoas haviam sido resgatadas por via aérea, segundo informações militares divulgadas pela AP.

No Tibete, centenas de agentes militares, paramilitares e equipes especializadas foram mobilizados. Moradores de comunidades próximas ao porto de Gyirong também foram retirados preventivamente das áreas consideradas vulneráveis.

USGS registrou fenômeno equivalente a evento de magnitude 5,2

Um dos pontos que chamaram atenção dos especialistas foi a energia liberada pelo fenômeno. O Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS) chegou inicialmente a registrar atividade sísmica perto da fronteira.

Posteriormente, a análise foi atualizada: o evento equivalente a magnitude 5,2 teria sido provocado pelo colapso de uma geleira e pelo enorme fluxo de detritos resultante, e não por um terremoto convencional. O próprio catálogo do USGS registra um evento de magnitude 5,2 a cerca de 55 quilômetros a noroeste de Kodari, no Nepal, em 26 de agosto.

Especialistas avaliam que uma grande massa de gelo e rochas despencou sobre um vale e atingiu o sistema fluvial, criando uma onda de água, sedimentos e pedras capaz de avançar rapidamente pelas áreas mais baixas. A investigação sobre toda a sequência do desastre continua.

Novo risco de inundação mantém autoridades em alerta

A emergência ainda não terminou. Nepal e China monitoram formações de lagos temporários criados pelo bloqueio de rios por pedras, lama e outros detritos.

Quando uma barreira natural desse tipo se rompe, milhões de metros cúbicos de água podem ser liberados de forma repentina, provocando uma segunda inundação. Autoridades determinaram a retirada de moradores e equipes de áreas consideradas mais vulneráveis e intensificaram o monitoramento do nível da água.

A tragédia ocorre durante a temporada de monções, período historicamente marcado por fortes chuvas, enchentes e deslizamentos no sul da Ásia. O episódio, porém, também reforça a necessidade de sistemas de alerta, infraestrutura resistente e monitoramento permanente das geleiras e encostas do Himalaia.

O trabalho das autoridades agora se concentra em três frentes: localizar sobreviventes, garantir atendimento e abrigo às comunidades atingidas e impedir que uma eventual nova cheia provoque mais vítimas. Como as equipes continuam chegando a áreas antes inacessíveis, os balanços de mortos e desaparecidos podem sofrer novas alterações.

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