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Golpe de R$ 200 mil em Anápolis leva polícia a operação em três estados

Polícia identifica nove suspeitos de esquema bancário após vítima perder R$ 200 mil em Anápolis

Grupo investigado teria usado falsas centrais bancárias, engenharia social e mascaramento de chamadas para obter acesso às contas das vítimas. Operação cumpriu cerca de 60 medidas cautelares em seis cidades.

Uma investigação iniciada após uma vítima de Anápolis perder aproximadamente R$ 200 mil em um golpe bancário levou a Polícia Civil de Goiás a realizar, nesta quarta-feira (26), uma operação simultânea em seis cidades de três estados. Cerca de 50 policiais civis participaram da ação, que teve como alvo uma associação suspeita de praticar fraudes eletrônicas por meio de falsas centrais de segurança bancária.

Segundo o delegado Leonilson Pereira de Sousa, responsável pelas investigações, nove pessoas já foram identificadas como possíveis participantes do esquema. A operação foi conduzida pelo Grupo Especial de Investigações Criminais de Anápolis (GEIC/3ª DRP) e envolveu aproximadamente 60 medidas cautelares autorizadas pela Justiça.

Entre as medidas cumpridas estão uma prisão temporária, nove mandados de busca e apreensão domiciliar, quebra de sigilos bancário e fiscal, além de sequestro e bloqueio judicial de valores. As diligências ocorreram em São Paulo, Praia Grande, Peruíbe e Jaboticabal, no estado de São Paulo; na cidade do Rio de Janeiro; e em Belo Horizonte, Minas Gerais.

Golpe em Anápolis usava falsa central bancária

De acordo com a investigação, o esquema começava com criminosos se apresentando como funcionários da central de segurança de uma instituição financeira. Durante o contato, eles informavam à vítima que sua conta bancária estaria sendo invadida ou enfrentando alguma suposta movimentação suspeita.

Para tornar a abordagem mais convincente, era utilizado o chamado spoofing, técnica que permite mascarar ou alterar a identificação apresentada em uma ligação telefônica. Com isso, o número exibido ao correntista pode aparentar estar relacionado a uma instituição conhecida, aumentando a credibilidade do contato fraudulento.

O grupo também recorria à engenharia social, conjunto de técnicas destinadas a manipular a vítima para que ela própria forneça informações ou execute determinados procedimentos. A Febraban alerta que golpes de falsa central vêm utilizando inclusive tecnologias capazes de simular números oficiais de instituições financeiras.

No caso investigado em Anápolis, segundo a polícia, os suspeitos pediam que a vítima lesse QR Codes ou realizasse outras validações. Esses procedimentos teriam permitido acesso aos aplicativos bancários.

Suspeitos faziam Pix, pagavam boletos e contratavam empréstimos

Com o acesso às contas, os investigados teriam realizado transferências via Pix, pagamento de boletos fraudulentos e contratação de empréstimos em nome dos correntistas. A vítima goiana que deu origem à investigação sofreu prejuízo calculado em aproximadamente R$ 200 mil.

A polícia afirma já ter identificado a pessoa suspeita de realizar o contato fraudulento diretamente com a vítima e os titulares de contas bancárias usadas para receber e pulverizar os valores desviados. As apurações continuam para identificar outros possíveis participantes e reconstruir o caminho percorrido pelo dinheiro.

Dispositivos eletrônicos também foram apreendidos durante as buscas. De acordo com o delegado, a análise desse material deverá auxiliar na obtenção de novas provas e na localização de patrimônio eventualmente utilizado para ressarcir a vítima.

Polícia tenta localizar dinheiro desviado

Uma das frentes da investigação é justamente o rastreamento financeiro. O bloqueio judicial de valores e o sequestro de bens buscam impedir a movimentação de recursos apontados como produto das fraudes e, quando juridicamente possível, preservar patrimônio para eventual reparação dos prejuízos.

A existência das medidas cautelares e a identificação dos investigados não representam condenação. A responsabilidade criminal de cada pessoa dependerá da conclusão das investigações, de eventual denúncia do Ministério Público e da análise do Poder Judiciário.

A Polícia Civil ainda trabalha para determinar se o grupo fez outras vítimas e qual seria o valor total movimentado pela estrutura investigada.

Como evitar golpe da falsa central telefônica

O Banco Central recomenda desconfiar de ligações em que supostos funcionários de bancos pedem que o cliente entre no aplicativo, execute procedimentos de segurança, clique em links ou faça operações para supostamente cancelar transações. Em caso de dúvida, a orientação é interromper o contato e procurar diretamente os canais oficiais da instituição financeira.

A Febraban também orienta a não fornecer senhas ou códigos, não instalar aplicativos solicitados durante ligações e não clicar em links enviados por pessoas que dizem representar instituições financeiras.

Quem já sofreu um golpe deve comunicar imediatamente o banco e registrar boletim de ocorrência. Nos casos envolvendo Pix, o Banco Central informa que a vítima pode solicitar à instituição financeira a abertura do Mecanismo Especial de Devolução (MED), procedimento criado para casos com indícios de fraude.

As investigações do GEIC de Anápolis continuam para identificar eventuais novos integrantes, rastrear os recursos e esclarecer a extensão do esquema.

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