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H5N1 pode permanecer ativo por até 120 dias em queijo de leite cru, aponta estudo

Estudo acende alerta sobre risco da gripe aviária em produtos lácteos não pasteurizados

Pesquisa da Universidade Cornell, publicada na Nature Medicine, mostrou que o vírus H5N1 pode resistir por até 120 dias em queijos feitos com leite cru contaminado. Especialistas reforçam que a pasteurização continua sendo a principal barreira de segurança.

Um estudo publicado na revista científica Nature Medicine acendeu um novo alerta sobre segurança alimentar. Pesquisadores da Universidade Cornell, nos Estados Unidos, descobriram que o vírus da gripe aviária altamente patogênica H5N1 pode permanecer ativo e infeccioso por até 120 dias em queijos produzidos com leite cru contaminado.

A pesquisa avaliou a estabilidade do vírus durante o processo de fabricação e maturação do queijo. Segundo os autores, em determinadas condições de temperatura e pH, o H5N1 resistiu à fermentação e continuou viável por até quatro meses após a produção.

H5N1 em queijo de leite cru preocupa pesquisadores

O resultado amplia a discussão sobre os possíveis caminhos de exposição ao H5N1. Até agora, o maior foco de atenção estava no contato direto com aves infectadas, rebanhos contaminados ou ambientes de produção. No entanto, o estudo indica que produtos lácteos não pasteurizados também podem representar risco quando produzidos com leite contaminado.

De acordo com a Universidade Cornell, queijos feitos com leite cru contaminado continham vírus infeccioso após o processo de fabricação. Ao mesmo tempo, os pesquisadores observaram que amostras mais ácidas não apresentaram detecção do vírus, o que sugere influência importante do pH na sobrevivência do H5N1.

Esse ponto é relevante porque o queijo de leite cru costuma passar por maturação. Muitos consumidores acreditam que o tempo de envelhecimento elimina automaticamente microrganismos perigosos. Porém, o estudo mostra que, para o H5N1, isso pode não ser suficiente em todos os cenários.

Pasteurização segue como principal medida de segurança

A principal recomendação dos pesquisadores e das autoridades de saúde é clara: consumir leite e derivados pasteurizados. A pasteurização usa calor controlado para inativar microrganismos que podem causar doenças, incluindo vírus e bactérias.

O CDC, órgão de saúde dos Estados Unidos, orienta que consumidores escolham sempre leite e derivados pasteurizados. A agência alerta que leite cru e produtos feitos com ele, como queijos, iogurtes e sorvetes, podem carregar germes capazes de causar doenças graves, internações e até mortes.

A FDA, agência reguladora dos Estados Unidos, também afirma ter confiança na eficácia da pasteurização para inativar o H5N1 e manter segura a oferta comercial de leite pasteurizado. Segundo a agência, testes em produtos lácteos pasteurizados não detectaram vírus infeccioso.

Leite cru exige atenção redobrada

O leite cru é aquele que não passou por pasteurização. Embora alguns consumidores o associem a produtos artesanais ou naturais, autoridades sanitárias alertam que ele pode conter agentes infecciosos perigosos.

Além do H5N1, produtos não pasteurizados podem transmitir bactérias como Salmonella, E. coli e Listeria. Por isso, o alerta não se limita à gripe aviária. Trata-se de uma questão ampla de segurança alimentar.

No caso do H5N1, a preocupação aumentou depois que o vírus passou a ser detectado em rebanhos leiteiros nos Estados Unidos. Estudos anteriores já haviam mostrado que o vírus pode persistir em leite cru refrigerado por semanas.

Casos humanos ainda são raros, mas vigilância continua

A gripe aviária H5N1 ainda causa poucos casos em humanos. Mesmo assim, autoridades de saúde monitoram o vírus com atenção. O motivo é o potencial de adaptação a diferentes espécies, incluindo aves, mamíferos e rebanhos leiteiros.

Até o momento, o risco para a população em geral continua sendo considerado baixo quando há consumo de produtos pasteurizados e respeito às normas sanitárias. Porém, trabalhadores rurais, pessoas em contato com animais infectados e consumidores de leite cru podem estar mais expostos.

Por isso, o monitoramento de fazendas, rebanhos, aves silvestres, leite e derivados segue como medida estratégica. A vigilância ajuda a identificar mudanças no comportamento do vírus e reduzir o risco de novos surtos.

Estudo reforça papel da segurança alimentar

A descoberta da Universidade Cornell não significa que todo queijo ofereça risco. O alerta se concentra em produtos feitos com leite cru contaminado e em condições que favoreçam a sobrevivência do vírus.

Ainda assim, o estudo reforça uma mensagem importante para consumidores e produtores: segurança alimentar depende de controle rigoroso em toda a cadeia. Isso inclui saúde dos rebanhos, fiscalização, boas práticas de fabricação, armazenamento correto e uso da pasteurização quando indicada.

Para o consumidor comum, a orientação prática é simples. Antes de comprar leite, queijo ou outros derivados, é importante verificar se o produto é pasteurizado e se tem origem regular. Essa decisão reduz riscos e protege especialmente crianças, idosos, gestantes e pessoas com imunidade baixa.

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