El Niño pode levar calor perto de 40°C e agravar seca em Goiás

Goiás entra em alerta para calor extremo, baixa umidade e chuvas irregulares com El Niño O fenômeno climático El Niño deve ganhar força em 2026 e já preocupa especialistas em Goiás. A previsão é de calor intenso, baixa umidade do ar e chuvas irregulares ao longo do segundo semestre, com efeitos começando a ser sentidos ainda em agosto e maior intensidade entre setembro e outubro, segundo informações divulgadas pelo Mais Goiás com base no Instituto Nacional de Meteorologia. Em algumas cidades, como Goiânia, as temperaturas podem ficar até 2°C acima da média histórica. Na capital, onde a média de setembro costuma girar entre 32°C e 33°C, a previsão é de uma nova média em torno de 35°C, com possibilidade de dias consecutivos de calor extremo e termômetros próximos dos 40°C. El Niño em Goiás deve intensificar calor e seca O El Niño ocorre quando há aquecimento anormal das águas superficiais do Oceano Pacífico Equatorial. Esse aquecimento altera a circulação atmosférica e interfere no regime de chuvas e temperaturas em várias regiões do mundo. No Brasil, os efeitos variam conforme a região. O Inmet informa que, durante episódios de El Niño, costuma haver maior risco de seca na faixa norte das regiões Norte e Nordeste, enquanto o Sul tende a registrar volumes maiores de chuva. Já áreas do Centro-Oeste podem enfrentar redução de precipitações, veranicos e maior frequência de períodos secos. Para Goiás, o alerta principal envolve a combinação entre calor acima da média, baixa umidade e irregularidade das chuvas. Esse cenário pode afetar a saúde da população, aumentar o risco de queimadas e pressionar setores como agricultura, pecuária, abastecimento e energia. Goiânia pode ter dias próximos dos 40°C A previsão para Goiânia chama atenção pela possibilidade de calor persistente. Segundo a reportagem, a capital pode registrar temperaturas próximas dos 40°C em dias seguidos, especialmente entre setembro e outubro, período historicamente seco no estado. O problema não é apenas a temperatura máxima. Quando o calor se prolonga por vários dias e vem acompanhado de baixa umidade, os riscos aumentam. Crianças, idosos, trabalhadores ao ar livre e pessoas com doenças respiratórias ou cardiovasculares ficam mais vulneráveis. A baixa umidade também piora a qualidade do ar e favorece irritações nos olhos, garganta seca, sangramentos nasais, cansaço e crises respiratórias. Por isso, a orientação é reforçar hidratação, evitar exposição prolongada ao sol nos horários mais quentes e acompanhar alertas meteorológicos oficiais. Chuvas irregulares preocupam agro e cidades Mesmo com a volta gradual das chuvas, a tendência é de irregularidade nas precipitações. Isso significa que pode chover em alguns pontos e faltar água em outros, dificultando o planejamento de produtores rurais, prefeituras e órgãos de defesa civil. O boletim nacional do Inmet, elaborado em conjunto com Inpe, ANA, Cemaden, SGB e Sedec, aponta previsão de chuvas abaixo da média no centro-norte do país no trimestre julho, agosto e setembro de 2026, além de alta probabilidade de temperaturas acima da média no segundo semestre. Para o agronegócio goiano, esse quadro exige atenção. Plantio, manejo de pastagens, irrigação, armazenamento de água e prevenção a incêndios rurais devem entrar no radar dos produtores. Em um estado com forte peso do setor produtivo, antecipar riscos climáticos é medida de responsabilidade econômica. Pico do fenômeno é esperado para novembro A previsão divulgada aponta que o pico do El Niño deve ocorrer em novembro, quando os impactos do fenômeno podem ficar mais intensos em Goiás. O Inmet também informa que os modelos indicam probabilidade acima de 90% de permanência do El Niño até pelo menos o início de 2027, com alta chance de ocorrência de um evento muito forte entre a primavera e o verão de 2026. O Cemaden também aponta mais de 80% de probabilidade de ocorrência do evento a partir do trimestre agosto, setembro e outubro, com intensidade estimada entre moderada e forte. O órgão alerta que a área central do país deverá registrar ondas de calor mais frequentes e baixa umidade. Planejamento será decisivo para reduzir impactos O cenário exige preparação. Para a população, os cuidados envolvem hidratação, atenção aos horários de maior calor, uso de roupas leves, proteção contra o sol e acompanhamento de crianças e idosos. Para o poder público, o desafio é atuar antes da crise. Isso inclui reforçar campanhas contra queimadas, ampliar comunicação de risco, preparar unidades de saúde, monitorar reservatórios e orientar produtores rurais. Para o setor produtivo, o momento é de planejamento técnico. O El Niño não significa prejuízo automático, mas aumenta a necessidade de manejo eficiente, seguro rural, gestão hídrica, conservação do solo e decisões baseadas em dados meteorológicos confiáveis. Goiás entra no segundo semestre em estado de atenção. O calor deve ser forte, a umidade pode cair a níveis críticos e as chuvas tendem a ser irregulares. A diferença entre transtorno e prejuízo maior dependerá da capacidade de antecipação de famílias, empresas, produtores e governos.
Rio Verde ultrapassa Anápolis e se torna a segunda maior economia de Goiás

PIB de Rio Verde chega a R$ 22,3 bilhões e consolida força do agro no estado Rio Verde passou a ocupar a segunda posição entre as maiores economias de Goiás, segundo os dados mais recentes do Produto Interno Bruto dos Municípios, divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O levantamento referente a 2023 mostra que o município alcançou PIB de R$ 22,3 bilhões e ultrapassou Anápolis no ranking estadual. O resultado reforça a importância de Rio Verde como polo do agronegócio, da agroindústria e da logística no Sudoeste goiano. A cidade se consolidou como uma das principais forças econômicas do interior do estado, impulsionada por cadeias produtivas ligadas à produção rural, ao processamento industrial, ao comércio e aos serviços. Rio Verde assume segunda posição no PIB de Goiás De acordo com os dados divulgados, Rio Verde encerrou 2023 com PIB de R$ 22,3 bilhões. O desempenho colocou o município atrás apenas de Goiânia, que segue como maior economia de Goiás. A capital registrou PIB de R$ 75,7 bilhões em 2023 e manteve ampla liderança estadual. Goiânia também permanece como a segunda maior economia do Centro-Oeste, atrás apenas de Brasília. A ascensão de Rio Verde no ranking é significativa porque mostra a força de cidades do interior na geração de riqueza. Em um estado com forte vocação produtiva, municípios ligados ao agro e à indústria de alimentos vêm ganhando espaço na economia regional. Anápolis cai para a quarta colocação Anápolis, que ocupava a segunda posição, caiu para o quarto lugar no ranking estadual. O município registrou PIB de R$ 20,4 bilhões em 2023, acima dos R$ 19,3 bilhões contabilizados em 2022. Apesar do crescimento nominal, o avanço foi menor do que o observado em outros polos goianos. Aparecida de Goiânia aparece na terceira colocação, com PIB de R$ 20,8 bilhões. Com isso, o ranking das maiores economias de Goiás passou a ter Goiânia em primeiro lugar, Rio Verde em segundo, Aparecida de Goiânia em terceiro e Anápolis em quarto. A mudança evidencia uma disputa econômica importante entre os grandes municípios goianos. Enquanto Anápolis mantém relevância industrial e logística, Rio Verde se destaca pelo peso do setor produtivo ligado ao campo e às cadeias agroindustriais. Agronegócio impulsiona economia de Rio Verde O crescimento de Rio Verde está diretamente associado ao dinamismo do agronegócio. O município é reconhecido nacionalmente pela produção de grãos, pela presença de agroindústrias, pela força da pecuária e pela estrutura de serviços que atende o setor rural. Essa combinação gera impacto em várias áreas da economia local. O agro movimenta transporte, armazenagem, máquinas, insumos, comércio, construção civil, tecnologia, crédito e empregos. Por isso, o avanço no PIB não reflete apenas o desempenho das lavouras, mas toda uma cadeia produtiva integrada. O resultado também reforça a necessidade de investimentos em infraestrutura, energia, habitação, qualificação profissional e mobilidade urbana. Cidades que crescem economicamente precisam acompanhar esse avanço com planejamento, gestão eficiente e segurança jurídica para atrair novos negócios. Dados do IBGE permitem comparar municípios A pesquisa PIB dos Municípios é elaborada pelo IBGE em parceria com órgãos estaduais de estatística e segue metodologia uniforme em todo o país, integrada ao Sistema de Contas Nacionais e Regionais. Isso permite comparar municípios, estados e regiões com base em critérios padronizados. O levantamento apresenta os valores a preços correntes e ajuda a medir a participação de cada cidade na economia. Embora o PIB não revele sozinho a qualidade de vida da população, ele é um indicador relevante para compreender geração de riqueza, capacidade produtiva e importância econômica regional. Nesta divulgação mencionada, não foi apresentado o detalhamento específico do PIB por setores para os municípios citados, como Agropecuária, Indústria, Serviços e Administração Pública. Esse recorte seria importante para mostrar com mais precisão quanto cada atividade contribuiu para o desempenho de Rio Verde. Desafio agora é transformar crescimento em desenvolvimento A vice-liderança no PIB goiano coloca Rio Verde em novo patamar econômico. O dado fortalece a imagem da cidade como polo estratégico para Goiás e para o Centro-Oeste. No entanto, crescimento econômico também traz responsabilidades. Para que o avanço se transforme em desenvolvimento duradouro, o município precisa manter ambiente favorável ao investimento, ampliar infraestrutura, melhorar serviços públicos e apoiar o setor produtivo sem perder de vista a qualidade de vida da população. O desempenho de Rio Verde confirma a força do interior goiano na economia estadual. Em um cenário de competitividade entre municípios, a cidade mostra que produção, indústria, logística e empreendedorismo seguem sendo pilares fundamentais para a geração de riqueza.
El Niño preocupa agronegócio e pode afetar soja, milho e pecuária no Brasil

Agro entra em alerta com risco de El Niño forte no segundo semestre A chegada e o fortalecimento do El Niño no segundo semestre de 2026 acendem um alerta para o agronegócio brasileiro. O fenômeno, marcado pelo aquecimento anormal das águas do Oceano Pacífico equatorial, pode alterar o regime de chuvas e temperaturas, afetando culturas como soja e milho, além da pecuária em diferentes regiões do país. Segundo boletim do Centro de Previsão Climática da NOAA, divulgado em 9 de julho de 2026, o El Niño segue em fortalecimento e há 81% de chance de que o evento alcance intensidade “muito forte” entre outubro e dezembro. A agência também aponta 97% de probabilidade de persistência do fenômeno até o início da primavera de 2027 no Hemisfério Norte, período que corresponde ao outono no Hemisfério Sul. El Niño pode afetar plantio de soja e milho No Brasil, o principal ponto de atenção está no calendário agrícola. Chuvas irregulares no Centro-Oeste e no Sudeste podem atrasar o início do plantio da soja, cultura que depende de umidade adequada no solo para boa implantação. Quando a soja é semeada fora da janela ideal, o problema pode se estender ao milho safrinha. Isso ocorre porque a segunda safra de milho geralmente é plantada após a colheita da soja. Um atraso no primeiro ciclo reduz o tempo disponível para o segundo, aumentando o risco climático durante fases importantes da lavoura. O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) alerta que a agricultura é um dos setores mais sensíveis aos efeitos do El Niño, já que alterações de chuva e temperatura impactam diretamente o desenvolvimento das culturas e a produtividade. Regiões terão impactos diferentes Os efeitos do El Niño não são iguais em todo o país. No Norte e no Nordeste, a tendência é de maior risco de estiagem e redução da disponibilidade hídrica. Isso pode prejudicar lavouras de sequeiro, pastagens e atividades dependentes de chuvas regulares. No Sul, o cenário costuma ser oposto. A região pode registrar chuvas acima da média, com risco de encharcamento do solo, dificuldade para o tráfego de máquinas, aumento de doenças fúngicas e problemas na colheita ou no manejo. Já em partes do Centro-Oeste e do Sudeste, a preocupação envolve irregularidade das chuvas, calor e maior frequência de períodos secos. O Inmet destaca que os impactos dependem da intensidade do fenômeno e também da interação com outros oceanos, como o Atlântico Tropical e o Atlântico Sul. Pecuária também entra no radar Além das lavouras, a pecuária pode sentir os efeitos do El Niño. A irregularidade das chuvas pode comprometer a recuperação das pastagens na transição entre seca e período chuvoso, especialmente no Centro-Oeste e no Sudeste. Com menos pasto disponível, produtores podem precisar antecipar o uso de silagem, feno, ração e outros suplementos. Isso tende a elevar custos de produção, principalmente em sistemas de cria, recria, engorda e leite. Análise do Cepea/Esalq-USP aponta que o El Niño de 2026 não deve ser tratado como uma ameaça uniforme ao país. O centro de estudos destaca que o Sul pode enfrentar excesso de chuva, enquanto Centro-Oeste e Sudeste podem sofrer com irregularidade na retomada das pastagens, e Norte e Nordeste ficam mais expostos ao déficit hídrico. Custo de produção pode subir Outro risco está nos custos das cadeias de proteína animal. Milho e farelo de soja são insumos fundamentais para aves, suínos e bovinos em sistemas mais intensivos. Qualquer perda de produtividade ou aumento de volatilidade nos grãos pode pressionar a ração. Para o consumidor, o impacto não é imediato nem garantido, mas pode aparecer nos preços ao longo da cadeia. Se o clima prejudicar grãos, pastagens, logística e energia, produtores podem enfrentar margens mais apertadas. Esse ponto reforça a importância de políticas de gestão de risco, seguro rural eficiente, infraestrutura de armazenagem e crédito acessível. Em um setor que sustenta exportações, empregos e renda no interior, previsibilidade climática e segurança jurídica são essenciais para manter investimentos. Monitoramento será decisivo para a safra Apesar das preocupações, especialistas ressaltam que ainda é cedo para medir o tamanho dos impactos. O comportamento do El Niño depende da intensidade, da duração e da distribuição regional das chuvas nos próximos meses. Produtores devem acompanhar boletins meteorológicos, ajustar calendários de plantio, reforçar manejo do solo, planejar compra de insumos e avaliar reservas de água e forragem. No campo, a diferença entre prejuízo e estabilidade muitas vezes está na antecipação. O El Niño coloca o agro em estado de atenção, mas não elimina a capacidade de adaptação do produtor brasileiro. Com informação técnica, planejamento e políticas públicas bem direcionadas, o setor pode reduzir perdas e proteger a próxima safra.
Abate de gado atinge melhor 1º trimestre da série histórica no Brasil

Pecuária brasileira começa 2026 com recordes em bovinos, suínos e leite O agronegócio brasileiro começou 2026 com números expressivos na produção animal. Dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística mostram que o país registrou crescimento no abate de bovinos, suínos e frangos no primeiro trimestre, além de avanço na aquisição de leite cru e na produção de ovos. O destaque ficou para o abate de bovinos, que chegou a 10,29 milhões de cabeças, o maior volume para um primeiro trimestre desde o início da série histórica da pesquisa, em 1997. Abate de gado no Brasil bate recorde no primeiro trimestre Entre janeiro e março de 2026, foram abatidas 10,29 milhões de cabeças de bovinos sob algum tipo de inspeção sanitária. O número representa alta de 3,3% em relação ao mesmo período de 2025. Na comparação com o quarto trimestre do ano passado, houve queda de 6,8%, movimento considerado comum em razão da sazonalidade da produção pecuária. A produção de carcaças bovinas também avançou. Segundo o IBGE, o volume chegou a 2,63 milhões de toneladas no primeiro trimestre, alta de 5,1% frente ao mesmo período de 2025. O desempenho reforça a força da pecuária de corte brasileira, que segue entre os setores mais competitivos do agro nacional. O resultado é importante não apenas pelo volume, mas também pelo impacto econômico. A cadeia da carne bovina envolve pecuaristas, frigoríficos, transportadores, indústrias, exportadores, comércio e serviços. Quando o abate cresce com inspeção sanitária, há também maior formalização, rastreabilidade e capacidade de atender mercados internos e externos. Suínos e frangos também crescem O setor de suínos também teve desempenho recorde para o período. O Brasil abateu 15,27 milhões de cabeças no primeiro trimestre de 2026, crescimento de 5,5% em relação ao primeiro trimestre de 2025. Na comparação com o trimestre imediatamente anterior, houve leve retração de 0,1%. A produção de carcaças suínas somou 1,37 milhão de toneladas, alta de 2,6% na comparação anual. O avanço mostra a consolidação da suinocultura brasileira, especialmente em regiões com forte presença de integração produtiva, tecnologia no campo e estrutura industrial organizada. No frango, o país registrou o abate de 1,71 bilhão de cabeças no primeiro trimestre. O resultado ficou 3,7% acima do observado no mesmo período de 2025. O peso acumulado das carcaças chegou a 3,73 milhões de toneladas, alta de 7% na comparação anual e avanço de 2,3% frente ao quarto trimestre de 2025. Leite cru e ovos reforçam bom momento da produção animal A aquisição de leite cru pelas indústrias sob inspeção sanitária também cresceu. O volume chegou a 6,78 bilhões de litros no primeiro trimestre de 2026, alta de 3,3% em relação ao mesmo período do ano anterior. Em relação ao quarto trimestre de 2025, houve queda de 7,9%. A produção de ovos de galinha somou 1,21 bilhão de dúzias, com crescimento de 0,4% na comparação anual. Mesmo sendo uma alta moderada, o número mostra estabilidade em um segmento essencial para a segurança alimentar e para o consumo diário das famílias brasileiras. Já a aquisição de couro cru bovino pelos curtumes atingiu 10,76 milhões de peças no primeiro trimestre. O volume ficou estável em relação ao primeiro trimestre de 2025 e caiu 3,3% frente ao trimestre anterior. Agro mantém peso estratégico na economia Os dados reforçam o papel estratégico da pecuária e da produção animal para a economia brasileira. O setor gera empregos, movimenta cadeias produtivas regionais, sustenta exportações e contribui para o abastecimento interno de alimentos. O bom desempenho também mostra a importância de políticas voltadas à sanidade animal, logística, segurança jurídica e abertura de mercados. Em um país com forte vocação produtiva, o crescimento sustentável do agro depende de infraestrutura, previsibilidade e ambiente favorável ao investimento privado. Apesar dos recordes, o setor ainda enfrenta desafios. Custos de produção, logística, câmbio, exigências sanitárias, pressão ambiental e necessidade de agregação de valor seguem no radar de produtores e indústrias. A expansão da produção precisa caminhar junto com eficiência, tecnologia e responsabilidade no uso dos recursos naturais. O primeiro trimestre de 2026, porém, confirma que a produção animal brasileira segue competitiva e capaz de ampliar sua presença no mercado interno e internacional. Para um país que busca crescimento econômico, geração de renda e fortalecimento do setor produtivo, os números do IBGE mostram que o agro continua sendo uma das bases mais sólidas da economia nacional.
Rio Verde acumula déficit de 1,2 milhão de toneladas em armazenagem de grãos

Produção agrícola cresce mais rápido que silos e pressiona logística em Rio Verde Produção agrícola supera capacidade de armazenagem em Rio Verde Rio Verde, uma das principais potências do agronegócio brasileiro, enfrenta um gargalo crescente na armazenagem de grãos. Mesmo com 129 unidades armazenadoras e capacidade estática aproximada de 2,7 milhões de toneladas, o município produziu mais de 4 milhões de toneladas de soja, milho e sorgo, gerando um déficit superior a 1,2 milhão de toneladas, segundo levantamento divulgado pelo Rio Verde Rural. O problema expõe uma contradição do sucesso produtivo local: a produção no campo avança em ritmo mais acelerado do que os investimentos em silos, armazéns e estruturas de pós-colheita. O resultado é uma pressão maior sobre produtores, cooperativas, cerealistas, transportadoras e indústrias que dependem de fluxo contínuo de grãos. Déficit de armazenagem reduz poder de negociação Na prática, quando não há espaço suficiente para guardar a safra, muitos produtores são obrigados a vender logo após a colheita, justamente no período em que há maior oferta e, muitas vezes, menor margem de negociação. Documentos técnicos sobre armazenagem no Brasil apontam que a estrutura adequada permite ao produtor aguardar melhores oportunidades de comercialização e reduzir custos de frete em momentos de pico de escoamento. Esse é um ponto estratégico para Rio Verde. A cidade tem forte produção de soja e milho. Em 2024, por exemplo, a expectativa divulgada pelo prefeito Paulo do Vale era de 1,8 milhão de toneladas de soja e 2,5 milhões de toneladas de milho na safra local, números que ajudam a dimensionar o peso do município no agro goiano. Quando a estrutura de armazenagem não acompanha esse volume, o produtor perde flexibilidade. Em vez de decidir o melhor momento para vender, ele passa a depender de janela logística, preço de frete, fila de descarga e disponibilidade de terceiros. Gargalo afeta logística, renda e competitividade O déficit de armazenagem também aumenta o custo logístico. Caminhões passam a circular de forma concentrada durante a colheita, sobrecarregando estradas, pátios, tradings e unidades de recebimento. Esse acúmulo pode gerar filas, demora no descarregamento, aumento de custos operacionais e perda de eficiência. Para uma cidade que depende fortemente do agro, o impacto vai além da porteira. Armazenagem insuficiente pode limitar a agregação de valor, reduzir a previsibilidade para indústrias e dificultar a atração de novos projetos de processamento local. Rio Verde já se consolidou como polo produtivo, logístico e industrial. No entanto, para transformar produção em renda duradoura, é preciso ampliar a infraestrutura que sustenta a cadeia. Silos, armazéns, secadores, unidades de classificação e estruturas de transbordo são ativos fundamentais para dar mais autonomia ao produtor e mais estabilidade ao mercado regional. Problema não é exclusivo de Rio Verde O desafio da armazenagem não atinge apenas Rio Verde. Em estudo técnico apresentado no âmbito do Ministério da Agricultura, dados da Conab indicavam que, entre 2001 e 2021, a produção agrícola cresceu 223,19%, enquanto a capacidade estática avançou 92,48%, evidenciando um descompasso estrutural no país. O IBGE também registrou que a capacidade de armazenagem agrícola do Brasil chegou a 231,1 milhões de toneladas no primeiro semestre de 2025, alta de 1,8% frente ao semestre anterior. Apesar do avanço, o crescimento nacional ainda convive com pressão de safras volumosas e distribuição desigual das estruturas entre regiões produtoras. No caso do Sudoeste de Goiás, a preocupação é ainda mais relevante porque a região figura entre as áreas de maior produção de grãos do país. Documento da Conab já apontava o Sudoeste goiano entre as microrregiões com maior déficit projetado de capacidade estática a granel até 2030. Investimento em silos é prioridade para o agro local O avanço da armazenagem precisa ser tratado como prioridade de infraestrutura econômica. Linhas de financiamento, segurança jurídica, licenciamento mais ágil, acesso à energia, incentivos à armazenagem em fazendas e parcerias com cooperativas podem acelerar a expansão da capacidade instalada. Também há espaço para estimular a industrialização local. Quanto mais grão for processado em Rio Verde, maior será a geração de empregos, renda, arrecadação e valor agregado. A produção agrícola não deve ser vista apenas como volume transportado para fora, mas como base para cadeias industriais mais fortes. Rio Verde segue como vitrine do agronegócio nacional. O desafio agora é garantir que a infraestrutura cresça na mesma velocidade da produtividade. Sem isso, parte do potencial econômico da cidade continuará represada por um gargalo que já ultrapassa 1,2 milhão de toneladas.