Acordar no susto pode acelerar o coração e elevar a pressão, alertam especialistas

Despertar brusco libera adrenalina e pode sobrecarregar pessoas com problemas cardíacos Acordar no susto, seja por causa de um despertador alto, barulho repentino, pesadelo ou interrupção brusca do sono, provoca uma reação imediata no organismo. O corpo interpreta o estímulo como uma possível ameaça e ativa a chamada resposta de “luta ou fuga”, marcada pela liberação de adrenalina, aceleração dos batimentos cardíacos e elevação temporária da pressão arterial. Na maioria das pessoas saudáveis, essas alterações são passageiras e tendem a se normalizar em poucos minutos. A American Heart Association explica que situações de estresse levam o corpo a liberar hormônios que fazem o coração bater mais rápido e elevam a pressão, preparando o organismo para reagir ao estímulo. Acordar no susto ativa resposta de estresse O despertar brusco interrompe a transição natural entre o sono e o estado de alerta. Quando isso acontece, o sistema nervoso simpático é ativado de forma rápida, aumentando a circulação de adrenalina no sangue. Esse mecanismo é fisiológico e faz parte da defesa natural do corpo. Em situações de perigo real, ele ajuda a pessoa a reagir rapidamente. O problema é que, mesmo sem uma ameaça concreta, o organismo pode responder como se precisasse se proteger. Segundo o cardiologista Jorge Koroishi, do Hcor, em São Paulo, o sistema cardiovascular normalmente consegue se autorregular após o susto, controlando pressão arterial e frequência cardíaca em poucos minutos. A intensidade da reação, porém, depende das condições de saúde de cada pessoa. Coração bate mais rápido e pressão sobe Durante a resposta ao susto, a adrenalina aumenta a frequência cardíaca, eleva a pressão arterial e faz o coração exigir mais oxigênio. O NCBI Bookshelf descreve a reação de estresse como um processo de curto prazo capaz de provocar aumento temporário dos batimentos cardíacos e liberação de adrenalina. Em indivíduos sem doenças cardiovasculares, esse pico geralmente não causa consequências relevantes. O desconforto pode aparecer como palpitação, respiração mais rápida, tremor, suor frio ou sensação de alerta, mas costuma desaparecer com a retomada da calma. Já em pessoas com hipertensão, arritmias, doença coronariana ou histórico de infarto, o aumento súbito da demanda cardíaca pode ter impacto maior. Nesses casos, o coração pode ter menos reserva para lidar com picos de pressão e aceleração dos batimentos. Quem tem doença cardíaca precisa de mais atenção Pessoas com pressão alta mal controlada, arritmias conhecidas, angina, insuficiência cardíaca ou obstruções nas artérias coronárias devem evitar estímulos bruscos recorrentes, quando possível. Isso não significa que todo susto seja perigoso, mas que o organismo desses pacientes pode reagir com maior vulnerabilidade. A American Heart Association também destaca que hormônios do estresse podem acelerar o coração e contrair vasos sanguíneos, elevando temporariamente a pressão. Em quem já convive com fatores de risco, episódios frequentes de estresse e sono ruim podem contribuir para pior controle cardiovascular. O alerta vale especialmente para quem acorda repetidamente assustado, sente palpitações intensas, falta de ar, tontura, desmaio, dor no peito ou mal-estar forte após o despertar. Nessas situações, a avaliação médica é recomendada. Sono ruim também afeta a saúde cardiovascular Além do susto isolado, a qualidade do sono influencia diretamente a saúde do coração. Noites fragmentadas, insônia, ansiedade, apneia do sono e rotina irregular podem aumentar o nível de estresse do organismo e dificultar o controle da pressão arterial. Despertadores muito altos ou alarmes agressivos podem ser substituídos por sons graduais, vibração leve ou iluminação progressiva, quando possível. Manter horários regulares, reduzir telas antes de dormir, evitar excesso de cafeína à noite e criar um ambiente silencioso também ajudam a reduzir despertares bruscos. Para pessoas com pesadelos frequentes, ansiedade intensa ou sintomas noturnos, o acompanhamento profissional pode ser importante. O objetivo não é transformar um susto comum em motivo de medo, mas identificar quando há um padrão que prejudica o sono e a saúde. Quando procurar atendimento Acordar assustado, por si só, geralmente não exige atendimento de emergência. No entanto, sinais como dor ou aperto no peito, falta de ar, desmaio, confusão, palpitação persistente, fraqueza intensa ou pressão muito elevada devem ser avaliados com urgência. Para quem já tem doença cardiovascular, o ideal é manter acompanhamento regular, usar corretamente os medicamentos prescritos e conversar com o médico caso os episódios sejam frequentes. A prevenção continua sendo o caminho mais seguro: sono de qualidade, controle da pressão, alimentação equilibrada, atividade física orientada e redução do estresse ajudam a proteger o coração.
Coração do jogador passa por remodelamento para suportar jogos de alta intensidade

Copa: esforço físico e pressão emocional fazem coração de atletas trabalhar no limite O coração de um jogador de futebol trabalha em ritmo elevado durante partidas de alta intensidade, especialmente em competições como a Copa do Mundo. A cada corrida, arrancada, freada, mudança de direção e disputa pela bola, o organismo precisa aumentar o envio de oxigênio e nutrientes aos músculos, exigindo maior esforço do sistema cardiovascular. Essa adaptação não ocorre apenas no dia do jogo. Atletas profissionais passam por anos de treinamento intenso, o que leva o coração a desenvolver alterações fisiológicas conhecidas como “coração do atleta”. O Manual MSD descreve esse quadro como um conjunto de mudanças estruturais e funcionais observadas em pessoas que treinam por longos períodos e em alta intensidade. Coração do atleta passa por remodelamento fisiológico O chamado remodelamento fisiológico é uma resposta natural ao treinamento contínuo. Com o tempo, o coração pode aumentar sua capacidade de bombear sangue, adaptar câmaras cardíacas e melhorar o desempenho durante o esforço físico. O cardiologista Ricardo Cals, do Hospital Santa Lúcia Norte, explica que o jogador de futebol precisa suportar corridas longas, mudanças bruscas de ritmo e explosões de força e velocidade. “Para dar conta dessa exigência, o coração passa por um remodelamento fisiológico, conhecido como ‘coração do atleta’, que aumenta sua capacidade de bombear sangue e suprir a demanda metabólica do exercício”, afirma. Segundo revisão publicada no Journal of the American College of Cardiology, o exercício regular pode promover remodelamento estrutural, funcional e elétrico do coração, especialmente em atletas submetidos a grande volume de treino. Frequência cardíaca sobe durante o jogo Durante uma partida, a frequência cardíaca do atleta sobe para acompanhar a necessidade de energia. Em momentos de maior intensidade, como contra-ataques, disputas em velocidade ou sequência de movimentos explosivos, o coração precisa bombear mais sangue em menos tempo. A American Heart Association aponta que a frequência cardíaca de atletas pode variar de menos de 40 batimentos por minuto em repouso até mais de 200 batimentos por minuto em esforço máximo, especialmente em atletas jovens. No futebol, esse esforço é intermitente. O jogador não corre em velocidade máxima o tempo todo, mas alterna caminhada, trote, corrida moderada, sprints, saltos, choques físicos e momentos de recuperação. Essa variação exige um coração capaz de responder rapidamente às mudanças de intensidade. Pressão emocional também influencia o coração Além do esforço físico, o componente emocional tem peso importante. Jogos decisivos envolvem pressão da torcida, cobrança por resultado, medo de erro, disputa por vaga e necessidade de tomada de decisão em segundos. Esses fatores aumentam a liberação de hormônios ligados ao estresse, como adrenalina, que elevam a frequência cardíaca e deixam o organismo em estado de alerta. Em atletas bem preparados, essa resposta faz parte do desempenho competitivo. O problema ocorre quando há doença cardíaca não diagnosticada, sobrecarga inadequada ou falta de acompanhamento médico. Por isso, clubes e seleções mantêm avaliações cardiológicas frequentes, exames de imagem, testes físicos e monitoramento durante treinos e jogos. Adaptação não significa doença O “coração do atleta” geralmente é uma adaptação benigna ao exercício intenso. O Manual MSD destaca que essas alterações costumam ser assintomáticas e não exigem tratamento quando são fisiológicas. Ainda assim, podem aparecer sinais como frequência cardíaca baixa em repouso e alterações em exames, o que torna importante diferenciar adaptação esportiva de doença cardíaca. A distinção deve ser feita por profissionais especializados, com avaliação clínica, eletrocardiograma, ecocardiograma e outros exames quando necessário. Esse acompanhamento é essencial porque alguns problemas cardíacos podem se manifestar durante esforço intenso. Futebol moderno exige ciência e monitoramento O futebol de alto rendimento se tornou cada vez mais dependente da ciência esportiva. Hoje, equipes monitoram batimentos cardíacos, distância percorrida, acelerações, carga de treino, recuperação muscular, sono e hidratação. Esse controle ajuda a reduzir riscos e melhorar desempenho. Em uma Copa, onde jogos decisivos podem ser definidos por detalhes, o preparo cardiovascular é tão importante quanto técnica, tática e força mental. O coração do jogador, portanto, não apenas bate mais rápido durante o jogo. Ele se adapta ao longo da carreira para sustentar uma rotina de esforço extremo, pressão emocional e exigência física constante.