Wesley Batista deixa UTI após complicações em cirurgia no joelho

Jovem baiano aprovado em 1º lugar em Medicina na USP se recupera após internação na UTI Wesley de Jesus Batista, de 23 anos, foi internado em UTI após apresentar dificuldades respiratórias, aumento da pressão arterial e taquicardia depois de uma cirurgia no joelho. Atualização da família informou que ele deixou a unidade intensiva na noite de sexta-feira, 17. Wesley de Jesus Batista, jovem baiano de 23 anos aprovado em 1º lugar no curso de Medicina da Universidade de São Paulo, deixou a Unidade de Terapia Intensiva após complicações no pós-operatório de uma cirurgia no joelho. A informação mais recente divulgada pela família aponta que ele recebeu alta da UTI na noite de sexta-feira, 17, após dias de acompanhamento intensivo. O estudante havia sido levado à UTI após apresentar dificuldades respiratórias, aumento da pressão arterial e taquicardia depois do procedimento cirúrgico. A família informou anteriormente que o quadro era estável e que Wesley apresentava evolução clínica satisfatória, sob acompanhamento da equipe médica. Wesley Batista deixa UTI após cirurgia no joelho A internação de Wesley mobilizou seguidores, colegas e pessoas que acompanharam sua trajetória desde a aprovação em Medicina na USP. Segundo relatos da família, a cirurgia no joelho ocorreu na segunda-feira, 13 de julho, após uma lesão sofrida durante jogos universitários. De acordo com o UOL, familiares disseram que o procedimento, inicialmente previsto para durar cerca de três horas, acabou se estendendo por quase dez horas. Na madrugada posterior à cirurgia, o estudante apresentou piora no quadro e precisou ser encaminhado para a UTI. A atualização posterior trouxe alívio aos apoiadores. Conforme comunicado publicado nas redes sociais do jovem e repercutido pela Veja, Wesley deixou a UTI na noite de sexta-feira, 17, e estava bem naquele momento, segundo a família. Acidente ocorreu durante jogos universitários A cirurgia foi consequência de um acidente sofrido em abril durante jogos universitários da USP. Na ocasião, Wesley informou pelas redes sociais que havia lesionado o joelho e precisaria se afastar temporariamente de atividades diárias para passar por tratamento e recuperação. A Veja informou que o estudante rompeu ligamentos do joelho e precisou interromper temporariamente a rotina acadêmica. Ele decidiu permanecer em Salvador, perto da família, durante o período de tratamento. Casos como esse exigem cautela na divulgação. Embora os sintomas pós-operatórios tenham sido informados pela família, a causa clínica específica da complicação não foi detalhada publicamente por boletim médico oficial. Por isso, não é possível afirmar diagnóstico sem confirmação da equipe responsável. Jovem ganhou repercussão após aprovação na USP Wesley ganhou projeção nacional no início do ano ao conquistar o primeiro lugar em Medicina na USP. Natural de Salvador, ele foi criado na periferia de Cajazeiras e relatou ao Metrópoles que sempre sonhou em estudar na universidade. Segundo a reportagem do Metrópoles publicada em março, Wesley é filho de pai pedreiro e mãe doméstica, estudou em escola pública, utilizou apostilas e livros doados e acompanhou aulas gratuitas pela internet durante a preparação. O curso de Medicina foi apontado como o mais concorrido no vestibular da universidade, com 90,7 candidatos por vaga. A trajetória do estudante ganhou força nas redes sociais por reunir esforço pessoal, apoio familiar e superação de dificuldades econômicas. Após a aprovação, Wesley chegou a abrir uma campanha de arrecadação para ajudar nos custos de mudança e permanência em São Paulo. Recuperação deve seguir com acompanhamento médico Mesmo após deixar a UTI, a recuperação de Wesley ainda deve exigir acompanhamento médico e fisioterapêutico, conforme orientação da equipe responsável. Procedimentos no joelho podem demandar repouso, reabilitação gradual e monitoramento para evitar novas complicações. O caso também chama atenção para a importância de informações médicas oficiais em situações de grande repercussão. A família tem atualizado o público pelas redes sociais, mas detalhes clínicos devem ser tratados com cuidado, respeitando a privacidade do paciente. A história de Wesley segue mobilizando mensagens de apoio. Para muitos estudantes, sua aprovação em Medicina na USP virou símbolo de persistência, disciplina e oportunidade. Agora, a expectativa é que o jovem avance na recuperação e possa retomar, no tempo adequado, a rotina acadêmica e pessoal.
Mais de 54% dos estudantes com filhos já trancaram ou desistiram da graduação

Levantamento do MEC revela impacto da parentalidade na permanência no ensino superior Um levantamento realizado por um grupo de trabalho vinculado ao Ministério da Educação revelou que 54,4% das alunas e alunos de graduação com filhos já precisaram trancar a matrícula ou desistir do curso para cuidar das crianças. Os dados foram divulgados nesta terça-feira (14) e repercutidos pela CNN. A pesquisa ouviu 7.648 pessoas e mostra que a parentalidade ainda pesa de forma significativa na trajetória acadêmica. O recorte também evidencia uma desigualdade de gênero: 86,5% dos entrevistados são mães que tentam concluir o ensino superior. Estudantes com filhos enfrentam dificuldade para concluir graduação O dado mais preocupante do levantamento é o alto percentual de estudantes que interromperam ou abandonaram a graduação por causa das responsabilidades familiares. Mais da metade dos entrevistados afirmou ter trancado a matrícula ou desistido do curso para cuidar dos filhos. Na prática, isso mostra que o acesso ao ensino superior não termina na aprovação ou na matrícula. Para muitos estudantes, especialmente mães, a permanência na universidade depende de condições concretas, como rede de apoio, transporte, renda, alimentação, moradia e horários compatíveis. A evasão no ensino superior tem impacto direto na vida das famílias e no desenvolvimento do país. Quando um estudante abandona a graduação, perde-se uma oportunidade de qualificação profissional, aumento de renda e mobilidade social. Maioria dos entrevistados é formada por mães Segundo o levantamento, 86,5% das pessoas ouvidas são mães em busca do diploma universitário. O dado reforça como o cuidado com os filhos ainda recai de forma mais intensa sobre as mulheres. A pesquisa também mostra que 46% dos entrevistados são solteiros, 60,2% são pretos e pardos, 79,5% estudam em instituições públicas federais e 59,6% têm apenas um filho. Além disso, 24,6% vivem com até um salário-mínimo. Esse perfil indica que a dificuldade de permanência na graduação está ligada a uma combinação de fatores sociais, familiares e econômicos. Não se trata apenas de falta de esforço individual. Muitas vezes, o estudante precisa conciliar estudo, trabalho, maternidade ou paternidade e responsabilidades domésticas. Perfil médio tem 33 anos e aulas presenciais Na graduação, a média de idade dos estudantes ouvidos é de 33 anos. A maioria, 92,8%, frequenta aulas presenciais, e 43,3% estuda no período noturno. Esse dado ajuda a entender a realidade de quem busca o diploma em meio à vida adulta. Muitos desses alunos já têm filhos, trabalham, sustentam a casa ou dividem despesas com familiares. O ensino noturno, nesse contexto, aparece como alternativa para quem precisa trabalhar durante o dia. No entanto, estudar à noite também pode gerar novos desafios, como falta de transporte, insegurança no deslocamento, cansaço e dificuldade para encontrar quem cuide das crianças durante as aulas. Alimentação das crianças vira obstáculo Outro ponto destacado pelo levantamento é a segurança alimentar dos filhos dos estudantes. Segundo a pesquisa, 51% dos alunos de graduação com filhos afirmam que as crianças não têm direito à alimentação nos restaurantes universitários. Na pós-graduação, esse percentual é de 49,3%. Para famílias de baixa renda, esse detalhe pode ser decisivo. Quando a universidade oferece refeição ao estudante, mas não contempla a criança que está sob sua responsabilidade, o custo da permanência aumenta. A alimentação, nesse caso, deixa de ser apenas uma questão assistencial e passa a integrar a política de permanência estudantil. Sem apoio adequado, mães e pais podem ser forçados a escolher entre frequentar as aulas, trabalhar ou cuidar das necessidades básicas dos filhos. Permanência estudantil exige política eficiente Os dados reforçam a necessidade de políticas públicas mais eficientes para garantir que estudantes com filhos consigam concluir seus cursos. Creches universitárias, auxílio permanência, flexibilização de horários, acolhimento institucional e acesso ampliado a restaurantes universitários estão entre medidas que podem reduzir a evasão. Ao mesmo tempo, qualquer política precisa ser bem planejada, com orçamento claro, critérios transparentes e foco nos estudantes em maior vulnerabilidade. O desafio é transformar diagnóstico em ação concreta, sem desperdício e com impacto real. A conclusão de um curso superior pode mudar a trajetória de uma família inteira. Por isso, apoiar mães e pais universitários não deve ser visto como privilégio, mas como investimento em educação, produtividade e desenvolvimento social. O levantamento divulgado pelo grupo ligado ao MEC expõe um problema que já era percebido na rotina das universidades. Agora, com dados mais organizados, a cobrança passa a ser por respostas institucionais capazes de impedir que a maternidade ou a paternidade se tornem barreiras definitivas ao diploma.
Pé-de-Meia tem mais de 991 mil contas sem movimentação, aponta Folha

Quase 1 milhão de estudantes ainda não acessaram contas do Pé-de-Meia Mais de 991 mil contas bancárias abertas para estudantes beneficiados pelo programa Pé-de-Meia não foram movimentadas até o fim de junho, segundo informações publicadas pela Folha de S.Paulo. O número representa 14% das contas iniciadas pela Caixa Econômica Federal para o pagamento do incentivo voltado a alunos de baixa renda do ensino médio. O dado acende um alerta sobre a execução do programa, criado para reduzir a evasão escolar e estimular a permanência dos jovens na escola. Embora os recursos tenham sido destinados aos estudantes, parte significativa dos beneficiários ainda não conseguiu acessar ou movimentar os valores. Pé-de-Meia tem contas sem movimentação De acordo com a publicação, as contas foram abertas pela Caixa Econômica Federal para viabilizar os pagamentos do Pé-de-Meia. O programa atende estudantes em situação de vulnerabilidade social e busca oferecer apoio financeiro condicionado à matrícula, frequência escolar e conclusão das etapas do ensino médio. A existência de quase 1 milhão de contas sem movimentação indica um gargalo operacional. Na prática, o benefício pode ter sido registrado, mas ainda não chegou de forma efetiva ao estudante. Esse tipo de problema exige atenção porque políticas públicas dependem não apenas da criação do programa, mas também da capacidade de fazer o recurso alcançar quem realmente precisa. Sem acesso ao dinheiro, o objetivo de reduzir a evasão perde força. Adolescentes dependem de autorização dos responsáveis Parte das contas paradas está vinculada a adolescentes. Nesses casos, a movimentação pode depender do consentimento dos pais ou responsáveis legais. Esse detalhe ajuda a explicar parte do volume de contas sem uso. Muitos jovens podem estar cadastrados corretamente, mas ainda precisam concluir etapas burocráticas para liberar o acesso ao benefício. O problema, porém, também revela a necessidade de comunicação mais clara com famílias e escolas. Quando o beneficiário é menor de idade, responsáveis precisam saber quais documentos apresentar, onde autorizar a movimentação e como acompanhar os pagamentos. Ministério diz fazer força-tarefa Segundo a Folha, o ministério responsável pelo programa afirma estar realizando uma força-tarefa para ativar esses registros e permitir que os estudantes tenham acesso aos recursos. A medida é importante, mas precisa ser acompanhada de transparência. O governo deve informar quantas contas foram regularizadas, quais obstáculos ainda existem e em quanto tempo os alunos conseguirão movimentar os valores. A Caixa também tem papel central no processo, já que é responsável pela abertura das contas e operacionalização dos pagamentos. A integração entre banco, ministério, escolas e famílias será decisiva para reduzir o número de contas paradas. Programa busca combater evasão escolar O Pé-de-Meia foi criado com o objetivo de incentivar estudantes de baixa renda a permanecerem no ensino médio. A lógica é simples: oferecer apoio financeiro para reduzir a pressão econômica que leva muitos jovens a abandonar a escola. Em famílias vulneráveis, adolescentes muitas vezes enfrentam a necessidade de trabalhar cedo ou ajudar na renda doméstica. O incentivo pode funcionar como uma proteção para que o estudante continue estudando. Por isso, a falta de movimentação das contas não é apenas um detalhe bancário. Ela pode comprometer o alcance social da política pública, especialmente nos casos em que o aluno conta com o benefício para transporte, alimentação, material escolar ou apoio à rotina de estudos. Eficiência na gestão é ponto central O caso reforça um ponto essencial para programas sociais: execução eficiente. Não basta anunciar recursos ou abrir contas. É preciso garantir que o dinheiro chegue ao beneficiário certo, no prazo adequado e com orientação simples. A falta de movimentação de 14% das contas mostra que ainda há uma etapa prática a ser resolvida. Em uma política voltada para jovens em situação de vulnerabilidade, cada barreira burocrática pode afastar o estudante do benefício. Também é importante assegurar controle e segurança no pagamento. Autorizações de responsáveis, validação de dados e checagem de elegibilidade são necessárias, mas devem ser organizadas de forma a não inviabilizar o acesso. Desafio agora é liberar acesso aos estudantes A expectativa é que a força-tarefa reduza o número de contas sem movimentação nos próximos meses. Para isso, escolas podem ajudar na comunicação com estudantes e famílias, enquanto os órgãos responsáveis devem simplificar orientações e ampliar canais de atendimento. O episódio mostra que o sucesso do Pé-de-Meia dependerá da capacidade de unir política educacional, assistência social, tecnologia bancária e gestão pública eficiente. Se o objetivo é manter jovens no ensino médio, o benefício precisa ser compreendido, acessado e usado pelos estudantes. A partir de agora, o principal desafio será transformar contas abertas em apoio real para quem está na sala de aula.
Justiça autoriza estudante sem ensino médio completo a se matricular em Medicina na UniRV

Aprovada em Medicina na UniRV garante matrícula na Justiça antes de concluir ensino médio A Justiça de Goiás concedeu, na última quarta-feira (8), uma liminar que garante a uma estudante o direito de se matricular no curso de Medicina da Universidade de Rio Verde (UniRV), campus Formosa, mesmo sem ter concluído o ensino médio. A candidata foi aprovada no vestibular 2026/2 e convocada na quarta chamada do processo seletivo. A decisão foi proferida pelo juiz Paulo Henrique Silva Lopes Feitosa, da Vara das Fazendas Públicas, Registros Públicos e Ambiental da Comarca de Formosa. O magistrado determinou que a universidade efetive a matrícula da estudante, permitindo que o certificado de conclusão do ensino médio seja apresentado somente ao fim do ano letivo. Justiça autoriza matrícula em Medicina na UniRV O caso chegou à Justiça porque a candidata corria o risco de perder a vaga no curso de Medicina. Embora tenha sido aprovada e convocada pela universidade, o edital exigia a apresentação imediata do certificado de conclusão do ensino médio. A estudante, no entanto, ainda está regularmente matriculada no 3º ano do ensino médio. Por esse motivo, só poderá obter o certificado após o encerramento do ano letivo. Ao analisar o pedido, o juiz entendeu que estavam presentes os requisitos necessários para a concessão da liminar. A decisão permite a matrícula imediata, desde que a candidata apresente posteriormente a documentação exigida. Candidata foi aprovada no vestibular 2026/2 De acordo com as informações do processo, a estudante participou do vestibular 2026/2 da UniRV e foi chamada para ocupar uma vaga no curso de Medicina no campus Formosa. A aprovação em Medicina costuma envolver alta concorrência, grande investimento familiar e planejamento acadêmico. Por isso, a perda da vaga por uma exigência documental temporária foi considerada ponto central no pedido judicial. A decisão não elimina a necessidade de conclusão do ensino médio. Ela apenas permite que a candidata inicie a matrícula agora e apresente o certificado ao fim do ano letivo, conforme condição determinada pela Justiça. Decisão cita entendimento do TJGO Na liminar, o magistrado destacou que a situação da estudante se enquadra no Tema 29 do Incidente de Resolução de Demandas Repetitivas (IRDR) do Tribunal de Justiça de Goiás. Esse entendimento autoriza o ingresso em curso superior antes da conclusão formal do ensino médio, desde que o estudante esteja em fase final da educação básica e apresente o certificado ao término do ano letivo. O IRDR é um mecanismo usado pelo Judiciário para uniformizar decisões sobre temas repetitivos. Na prática, busca evitar decisões contraditórias em casos semelhantes e dar mais segurança jurídica a estudantes, instituições de ensino e famílias. Matrícula poderá ser cancelada se exigência não for cumprida A liminar estabelece uma condição clara. A estudante deve apresentar o certificado de conclusão do ensino médio ao fim do ano letivo. Caso isso não ocorra, a matrícula poderá ser cancelada. Esse ponto é importante porque preserva a exigência legal de conclusão da educação básica para ingresso definitivo no ensino superior. Ao mesmo tempo, evita que uma aluna aprovada em vestibular perca a vaga antes de concluir formalmente o ano escolar. A decisão, portanto, busca equilibrar o direito da estudante à vaga conquistada com as regras educacionais aplicáveis às universidades. Caso reforça debate sobre acesso ao ensino superior Situações como essa têm se tornado frequentes no Judiciário, especialmente em cursos de alta concorrência, como Medicina. Estudantes aprovados antes do fim do ensino médio recorrem à Justiça para não perder a oportunidade de matrícula. O tema envolve diferentes interesses. De um lado, universidades precisam cumprir editais e regras administrativas. De outro, estudantes que já demonstraram desempenho suficiente no processo seletivo buscam garantir o aproveitamento da vaga conquistada. A solução judicial adotada neste caso preserva a obrigação de apresentação do certificado, mas flexibiliza o prazo. Assim, a matrícula fica condicionada à conclusão regular do ensino médio. Universidade deve cumprir decisão liminar Com a liminar, a UniRV deve efetivar a matrícula da candidata no curso de Medicina do campus Formosa, conforme determinado pela Justiça. Ainda não há informação sobre eventual recurso da universidade. Por se tratar de decisão liminar, o caso ainda pode ter novos desdobramentos. A universidade poderá se manifestar no processo, e o mérito deverá ser analisado posteriormente. Até lá, a estudante fica autorizada a garantir a vaga, mas permanece obrigada a comprovar a conclusão do ensino médio dentro do prazo definido. A decisão reforça a importância da segurança jurídica em processos seletivos e da análise individual em situações que envolvem educação, mérito acadêmico e cumprimento de regras formais.
Excesso de telas pode afetar foco e desenvolvimento das crianças, alertam especialistas

Uso precoce de celulares e tablets preocupa pais e especialistas em desenvolvimento infantil O uso cada vez mais precoce de celulares, tablets, televisores e outros dispositivos eletrônicos tem acendido um alerta entre especialistas em desenvolvimento infantil. Embora a tecnologia faça parte da rotina das famílias e possa ter benefícios quando usada com equilíbrio, a exposição excessiva às telas pode interferir em áreas importantes da infância, como atenção, linguagem, sono, socialização, criatividade e desenvolvimento emocional. A preocupação não significa que as telas “apodrecem o cérebro”, expressão comum nas redes sociais, mas considerada alarmista do ponto de vista científico. O que estudos e entidades médicas apontam é que o excesso de tempo diante de dispositivos pode substituir experiências fundamentais para a formação da criança, como brincar, conversar, ler, explorar o ambiente e interagir presencialmente com familiares e outras crianças. Excesso de telas preocupa especialistas A infância é uma fase decisiva para a construção da linguagem, da autonomia, dos vínculos afetivos e da capacidade de concentração. Quando grande parte do dia é ocupada por conteúdos digitais, a criança pode perder oportunidades de desenvolver habilidades por meio de atividades simples, como ouvir histórias, montar brinquedos, desenhar, correr, conversar e resolver pequenos desafios do cotidiano. Um estudo publicado no JAMA Pediatrics em 2023 apontou que maior tempo de tela aos 1 ano de idade esteve associado a atrasos posteriores em comunicação e resolução de problemas aos 2 e 4 anos. Os autores destacam que a relação observada é de associação, não uma prova isolada de causa direta, mas reforça a necessidade de atenção ao uso precoce de telas. Outro estudo, também no JAMA Pediatrics, encontrou associação negativa entre tempo de tela e interações verbais entre pais e filhos nos primeiros anos de vida. Segundo a pesquisa, quanto maior o tempo diante das telas, menor a exposição da criança a palavras de adultos, vocalizações e conversas de ida e volta, elementos importantes para o desenvolvimento da linguagem. Recomendações para crianças variam por idade A Sociedade Brasileira de Pediatria atualizou orientações sobre crianças e adolescentes na era digital. A entidade recomenda evitar telas para menores de 2 anos, mesmo de forma passiva; limitar a até uma hora por dia, com supervisão, para crianças de 2 a 5 anos; e limitar a uma ou duas horas diárias para crianças de 6 a 10 anos. A Organização Mundial da Saúde também orienta que crianças pequenas tenham rotina equilibrada, com sono adequado, atividade física e redução de comportamento sedentário diante de telas. Nas diretrizes para menores de 5 anos, a OMS trata o tempo de tela como parte de um conjunto de hábitos que influenciam saúde e bem-estar. Essas recomendações não devem ser vistas apenas como contagem rígida de minutos. Especialistas defendem que os pais observem também o tipo de conteúdo, o horário de uso, a presença de supervisão adulta e o que a tela está substituindo na rotina da criança. Tecnologia pode ajudar, mas precisa de limite A tecnologia não é inimiga da infância. Vídeos educativos, chamadas com familiares, jogos adequados à idade e conteúdos interativos podem contribuir para aprendizado e entretenimento. O problema aparece quando o dispositivo vira substituto permanente da convivência, do brincar livre, do sono e da presença dos responsáveis. Crianças pequenas aprendem principalmente pela interação com pessoas e pelo contato com o mundo real. Expressões faciais, conversas, afeto, limites, frustração, movimento corporal e brincadeiras presenciais são experiências que uma tela não consegue substituir completamente. A Academia Americana de Pediatria recomenda que famílias criem um plano de uso de mídia, com regras claras para reduzir distrações, evitar telas em momentos importantes e impedir que dispositivos ocupem espaço de sono, estudo, refeições e convivência. Pais devem acompanhar e dar exemplo O controle saudável das telas começa dentro de casa. Pais e responsáveis precisam acompanhar o que a criança assiste, definir horários, evitar uso prolongado antes de dormir e oferecer alternativas concretas, como leitura, esportes, brincadeiras ao ar livre e atividades em família. Também é importante lembrar que o exemplo dos adultos pesa. Quando pais passam muito tempo no celular durante refeições, conversas ou momentos de descanso, a criança tende a repetir esse comportamento. O desafio, portanto, não é eliminar a tecnologia, mas recolocá-la em seu devido lugar. Telas podem fazer parte da rotina, desde que não ocupem o espaço da infância real: aquela feita de movimento, diálogo, imaginação, limites, convivência e descoberta.
Estudantes da USP decretam greve por tempo indeterminado

Estudantes do campus Butantã da Universidade de São Paulo aderiram a um movimento de greve e paralisação que impacta o funcionamento da instituição desde terça-feira (14) de abril. A mobilização ocorre em apoio aos funcionários técnico-administrativos, que também cruzaram os braços por tempo indeterminado, além de reivindicações próprias dos alunos. No campus da capital, considerado o principal da universidade, aulas e serviços foram afetados, incluindo restaurantes universitários e atendimentos administrativos. Protestos e atos foram registrados ao longo do dia, com concentração em frente à reitoria e caminhadas pelo campus. Entre as principais pautas dos estudantes estão o aumento no valor das bolsas de permanência, melhorias na infraestrutura e condições dos restaurantes universitários, além de maior apoio estudantil. Já os funcionários reivindicam reajuste salarial e igualdade de benefícios em relação aos docentes, após a aprovação de uma bonificação exclusiva para professores, o que gerou insatisfação entre as categorias. O movimento reúne dezenas de cursos e entidades estudantis, ampliando a pressão sobre a administração da universidade. Novas assembleias e atos devem definir os próximos passos da greve, que segue sem previsão de término.
MEC lança app com quase 8 mil livros gratuitos para leitura online; veja como acessar

O Ministério da Educação (MEC) lançou o aplicativo MEC Livros, uma plataforma digital que reúne quase oito mil títulos gratuitos para os leitores. A proposta é funcionar como uma biblioteca pública online, permitindo o acesso a obras literárias de forma prática e gratuita. No acervo, os usuários encontram livros autorais, lançamentos, títulos mais vendidos e também obras em domínio público, que poderão ser baixadas em formato ePub. Entre os autores disponíveis estão nomes brasileiros, como Clarice Lispector e Ariano Suassuna, além de escritores estrangeiros, como José Saramago e Gabriel García Márquez. O aplicativo também oferece recursos de personalização para facilitar a leitura, como ajuste de fonte, contraste, elementos de gamificação e notificações automáticas. O MEC Livros está disponível para Android, computadores e conta ainda com integração ao portal gov.br. Como funciona o empréstimo A plataforma opera no modelo de empréstimo digital temporário. Cada livro pode ficar com o usuário por 14 dias, com possibilidade de renovação por mais duas semanas. O sistema permite apenas um empréstimo por vez. Dessa forma, para reservar um novo título, o leitor precisa primeiro devolver o livro que já estiver em uso.