Inflação dos alimentos desacelera em junho, mas ainda pesa no bolso das famílias

Alimentos perdem força no IPCA-15, mas batata, tomate e feijão seguem pressionando preços Inflação dos alimentos desacelera em junho A inflação dos alimentos perdeu força em junho, mas continuou pressionando o orçamento das famílias brasileiras. Segundo dados do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15, o IPCA-15, divulgado pelo IBGE, o grupo Alimentação e Bebidas passou de alta de 1,38% em maio para 0,74% em junho. Mesmo com a desaceleração, foi o grupo de maior variação e impacto no índice do mês, com contribuição de 0,16 ponto percentual. A prévia da inflação oficial ficou em 0,41% em junho, abaixo dos 0,62% registrados em maio. No acumulado do ano, o IPCA-15 chegou a 3,45%, enquanto em 12 meses soma 4,80%, acima dos 4,64% observados no período imediatamente anterior. Alimentação no domicílio ainda pesa no orçamento Dentro do grupo Alimentação e Bebidas, a alimentação no domicílio também perdeu força, passando de 1,73% em maio para 0,87% em junho. Ainda assim, produtos básicos continuaram subindo de forma expressiva, afetando diretamente as compras de supermercado. Os maiores aumentos foram registrados na batata-inglesa, com alta de 29,42%; no tomate, com 17,27%; no feijão-carioca, com 14,29%; e na cebola, com 9,54%. Esses itens têm forte presença na mesa do brasileiro e, por isso, mesmo variações pontuais acabam sendo sentidas rapidamente pelas famílias. No acumulado do primeiro semestre, a pressão foi ainda mais forte. Tomate, cenoura e batata-inglesa mais que dobraram de preço, com altas acumuladas de 103,84%, 103,10% e 100,20%, respectivamente. Clima ajuda a explicar alta de hortaliças e legumes Especialistas apontam que alimentos como tomate, batata, cenoura, cebola e folhas são altamente sensíveis às condições climáticas. Chuvas intensas, calor excessivo, geadas, irregularidade no plantio e problemas na colheita podem reduzir a oferta e provocar aumentos rápidos de preços. Esse tipo de alimento também é perecível, o que limita a capacidade de armazenamento por longos períodos. Quando há quebra de produção ou dificuldade logística, o repasse ao consumidor costuma acontecer com velocidade. Para famílias de menor renda, o impacto é mais pesado. Como alimentação representa uma parcela maior do orçamento doméstico, altas em produtos básicos reduzem o poder de compra e obrigam consumidores a trocar marcas, reduzir quantidades ou substituir alimentos. Café e frutas registram queda em junho Apesar da pressão em itens importantes, alguns produtos apresentaram alívio. O café moído caiu 3,69% em junho, enquanto as frutas tiveram queda média de 0,96%, segundo o IBGE. Esses recuos ajudaram a conter parte da alta do grupo Alimentação e Bebidas. No caso do café, a melhora nas expectativas de oferta contribuiu para reduzir a pressão sobre os preços. Ainda assim, o produto segue no radar dos consumidores, já que vinha acumulando fortes altas nos últimos meses e tem peso relevante no consumo diário das famílias brasileiras. A queda nas frutas também ajuda a aliviar a cesta, mas não elimina o problema central: a inflação dos alimentos permanece disseminada em itens de grande consumo. Alimentação fora de casa também desacelera A alimentação fora do domicílio teve desaceleração em junho, passando de 0,51% em maio para 0,40%. O preço das refeições subiu 0,39%, abaixo da alta de 0,57% registrada no mês anterior. Já os lanches aceleraram, passando de 0,37% para 0,45%. Esse comportamento mostra que a pressão dos alimentos não fica restrita ao supermercado. Restaurantes, lanchonetes e pequenos comércios também sofrem com custos de insumos, energia, aluguel, mão de obra e logística. Para trabalhadores que dependem de alimentação fora de casa, mesmo aumentos moderados têm impacto relevante ao longo do mês. O custo diário do almoço, do lanche ou da refeição pronta pesa especialmente em grandes centros urbanos. Inflação exige cautela na economia A desaceleração do IPCA-15 em junho é positiva, mas ainda não representa alívio completo. O grupo Alimentação e Bebidas segue como uma das principais fontes de pressão sobre a inflação e sobre o bolso da população. Em um cenário de juros elevados e renda apertada, controlar o preço dos alimentos é essencial para preservar o poder de compra das famílias. Isso depende de clima favorável, logística eficiente, estabilidade no campo, redução de desperdícios e ambiente econômico previsível para produção e distribuição. O dado de junho mostra melhora em relação a maio, mas também revela que a inflação alimentar continua sendo um desafio central para consumidores, produtores e formuladores de política econômica.
Mercado eleva previsão para juros e inflação em 2026, aponta Banco Central

Boletim Focus vê Selic a 14% e IPCA acima do teto da meta em 2026 O mercado financeiro voltou a elevar as projeções para a inflação e para a taxa básica de juros em 2026. Segundo o Boletim Focus divulgado nesta segunda-feira (22) pelo Banco Central, a estimativa para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo, o IPCA, passou de 5,30% para 5,33% neste ano. Foi a 15ª alta consecutiva da previsão de inflação feita por analistas e instituições financeiras. A projeção para a Selic ao fim de 2026 também subiu. O mercado passou a esperar juros básicos de 14% ao ano, ante 13,75% na semana anterior. O movimento ocorre poucos dias depois de o Comitê de Política Monetária, o Copom, reduzir a Selic em 0,25 ponto percentual, para 14,25% ao ano. Mercado eleva previsão para juros e inflação A nova rodada do Focus reforça a leitura de que a inflação continua resistente. A meta definida pelo Conselho Monetário Nacional é de 3%, com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou para menos. Isso significa que o teto da meta é de 4,5%. Com previsão de 5,33%, o IPCA esperado para 2026 segue acima do intervalo perseguido pelo Banco Central. Em maio, a inflação oficial foi pressionada pelos alimentos e fechou em 0,58%. No acumulado em 12 meses, o IPCA chegou a 4,72%, acima do teto da meta, segundo dados citados pela Agência Brasil com base no IBGE. Esse quadro reduz o espaço para cortes mais fortes nos juros. A inflação acima da meta, combinada com incertezas externas e pressões domésticas, obriga o Banco Central a manter uma postura cautelosa. Selic deve terminar 2026 em 14% A previsão de Selic a 14% no fim do ano indica que o mercado espera um ciclo de queda mais limitado. A taxa básica está atualmente em 14,25% ao ano, após três cortes consecutivos de 0,25 ponto percentual pelo Copom. Na ata mais recente, o Banco Central indicou que pode combinar pausas e novos cortes para conduzir a inflação de volta à meta de forma gradual. A autoridade monetária argumentou que tentar forçar uma convergência mais rápida poderia provocar mudanças bruscas nos juros e maior volatilidade na economia. A próxima reunião do Copom está marcada para os dias 4 e 5 de agosto. Segundo a Agência Brasil, o mercado vê esse encontro como possível momento da última redução da Selic no ano, caso os dados econômicos permitam. Juros altos pesam sobre crédito e consumo A manutenção de juros elevados tem efeitos diretos sobre famílias e empresas. Quando a Selic fica alta, empréstimos, financiamentos, cartões, capital de giro e compras parceladas tendem a ficar mais caros. Isso reduz o consumo, dificulta investimentos e aumenta o custo de rolagem de dívidas. Para o setor produtivo, a preocupação é dupla. De um lado, juros altos ajudam a conter a inflação. De outro, encarecem o crédito e limitam a expansão de empresas, especialmente pequenos negócios, construção civil, varejo e setores que dependem de financiamento. A alta nas projeções também aumenta a pressão sobre a política fiscal. Em um ambiente de inflação resistente, gastos públicos elevados ou estímulos mal calibrados podem dificultar o trabalho do Banco Central e prolongar o período de juros altos. PIB e dólar também aparecem no Focus O Boletim Focus também trouxe ajustes nas projeções de atividade econômica. A estimativa para o crescimento do Produto Interno Bruto em 2026 passou de 1,96% para 1,98%. Para 2027, a previsão permaneceu em 1,7%, enquanto 2028 e 2029 seguem com expectativa de avanço de 2%. No câmbio, a previsão para o dólar ao fim de 2026 ficou em R$ 5,20. Para o fim de 2027, o mercado projeta a moeda americana a R$ 5,27. Esses indicadores ajudam a medir o grau de confiança do mercado. Crescimento moderado, inflação acima da meta e juros ainda elevados formam um cenário que exige prudência de consumidores, empresários e governo. Desafio é reduzir inflação sem travar a economia O principal desafio do Banco Central será conduzir a inflação de volta à meta sem provocar uma desaceleração excessiva da atividade econômica. Para isso, a autoridade monetária dependerá dos próximos dados de preços, emprego, crédito, câmbio e contas públicas. A sinalização do Focus é clara: o mercado ainda vê inflação pressionada e juros altos por mais tempo. Para o Brasil voltar a ter crédito mais barato de forma sustentável, será necessário combinar política monetária responsável, controle fiscal, previsibilidade institucional e melhora no ambiente de negócios.