Grupo Globo recebeu R$ 267 milhões em publicidade do governo Lula, diz levantamento

Globo concentrou 25,6% da publicidade da Secom no governo Lula, aponta Poder360 O Grupo Globo recebeu R$ 267 milhões em publicidade estatal federal da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República durante o terceiro governo de Luiz Inácio Lula da Silva, segundo levantamento publicado pelo Poder360. O valor considera o período de 1º de janeiro de 2023 a 15 de junho de 2026 e representa 25,6% do total gasto pela Secom com campanhas publicitárias do Palácio do Planalto no intervalo analisado. Grupo Globo lidera repasses da Secom De acordo com o Poder360, os recursos foram usados para veiculação de campanhas do governo federal em diferentes meios, incluindo televisão, internet, streaming, revistas e jornais impressos. A Revista Oeste também repercutiu os dados, destacando que o montante se aproxima de R$ 270 milhões e corresponde a pouco mais de um quarto da verba publicitária direta da Secom no período. O levantamento aponta que o gasto total da Secom do Planalto chegou a R$ 954,5 milhões nos três anos e meio analisados. Desse total, a Globo ficou com a maior fatia entre os grupos de mídia, em um cenário que volta a colocar em debate a concentração de recursos públicos de publicidade em grandes conglomerados de comunicação. Record, Meta e Google aparecem na sequência Segundo os dados reunidos pelo Poder360, o Grupo Record aparece em segundo lugar, com R$ 122 milhões, valor 118% menor que o destinado ao Grupo Globo. Na sequência, surgem a Meta, dona de Facebook, Instagram e WhatsApp, com R$ 86 milhões, e o Google Brasil, com R$ 80,9 milhões. Outros veículos e plataformas também aparecem no levantamento, incluindo SBT/SBT News, Grupo Bandeirantes, Kwai, TikTok, RedeTV!, Grupo Folha/UOL, X, Amazon/Prime Video, CNN Brasil/Itatiaia e Jovem Pan. A lista mostra que a publicidade governamental hoje está distribuída entre mídias tradicionais e plataformas digitais, embora a televisão ainda tenha peso relevante. Dados não incluem estatais e ministérios Um ponto importante do levantamento é que os números consideram apenas os gastos diretos da Secom da Presidência da República. Eles não incluem despesas de publicidade feitas por ministérios, empresas estatais e sociedades de economia mista, como a Petrobras. Essa limitação é relevante porque impede uma visão completa do gasto publicitário federal em todos os órgãos e entidades. Segundo o Poder360, de 2000 a 2016, quando havia divulgação mais ampla dos dados, o Grupo Globo recebeu R$ 10,2 bilhões em publicidade estatal federal, em valores nominais e sem correção pela inflação. Governo fala em critérios técnicos A Secom afirma que a publicidade institucional segue critérios técnicos, legais e de planejamento. Em nota reproduzida por veículos que repercutiram o levantamento, a secretaria declarou atuar conforme a legislação eleitoral e as normas da publicidade institucional da administração pública federal. A pasta também sustenta que comparações entre anos diferentes precisam considerar o planejamento de comunicação, campanhas de utilidade pública e características específicas de cada período. Esse argumento é usado pelo governo para defender que a distribuição dos recursos não deve ser analisada apenas pelo valor final destinado a cada grupo. Ainda assim, a concentração de verbas em grandes empresas de mídia tende a gerar questionamentos políticos e institucionais. Em uma democracia, publicidade oficial deve informar a população sobre serviços, direitos e campanhas públicas, sem servir como instrumento de favorecimento, pressão econômica ou promoção pessoal. Transparência é ponto central do debate O debate sobre publicidade oficial envolve três pontos principais: transparência, eficiência e impessoalidade. O cidadão tem direito de saber quanto o governo gasta, quais veículos recebem recursos, quais campanhas foram veiculadas e quais critérios orientaram a escolha dos meios. Do ponto de vista da gestão pública, a verba precisa alcançar o público-alvo com eficiência, especialmente em campanhas de saúde, educação, segurança, assistência social e serviços públicos. Ao mesmo tempo, a distribuição deve ser auditável para evitar suspeitas de uso político da comunicação governamental. Em ano eleitoral, a atenção sobre esses gastos aumenta. A legislação impõe limites e restrições à publicidade institucional em períodos próximos às eleições, justamente para impedir que a máquina pública seja usada em benefício de governos, partidos ou candidatos. Caso deve seguir sob escrutínio público O levantamento não indica, por si só, ilegalidade nos repasses. No entanto, os valores reforçam a necessidade de controle público rigoroso sobre a publicidade federal, especialmente quando um único grupo concentra mais de 25% da verba direta da Secom. A discussão deve continuar no campo político, administrativo e jurídico, com cobrança por dados abertos, critérios objetivos e prestação de contas. Para a sociedade, o ponto essencial é garantir que recursos públicos destinados à comunicação sirvam ao interesse coletivo, com transparência e respeito à legislação.
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Pesquisa PoderData/Aya mostra Lula e Flávio Bolsonaro empatados no 2º turno

Lula marca 46% e Flávio Bolsonaro 43% em cenário de segundo turno, diz pesquisa Pesquisa PoderData/Aya divulgada nesta quinta-feira (25) mostra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) com 46% das intenções de voto em uma simulação de segundo turno contra o senador Flávio Bolsonaro (PL), que aparece com 43%. Como a margem de erro do levantamento é de 2 pontos percentuais, para mais ou para menos, os dois estão tecnicamente empatados. Lula e Flávio Bolsonaro aparecem empatados no 2º turno O resultado indica estabilidade no cenário eleitoral em relação ao levantamento anterior, divulgado no fim de maio. Na pesquisa passada, Lula também aparecia com 46%, enquanto Flávio Bolsonaro tinha 42%. A oscilação de 1 ponto percentual do senador do PL ocorreu dentro da margem de erro. O cenário reforça uma disputa nacional ainda aberta e competitiva, especialmente porque os números seguem próximos. Em levantamentos eleitorais, empate técnico não significa igualdade exata, mas que, considerando a margem de erro, não é possível afirmar com segurança estatística que um candidato está à frente do outro. Pesquisa também testou outros nomes Além de Flávio Bolsonaro, o PoderData/Aya avaliou cenários de segundo turno envolvendo Ronaldo Caiado (PSD), Joaquim Barbosa (DC), Romeu Zema (Novo) e Renan Santos (Missão). Segundo o levantamento, Lula aparece tecnicamente empatado com todos esses nomes, exceto Renan Santos, contra quem registra vantagem fora da margem de erro. A leitura geral do instituto é de estabilidade. Todas as variações nos confrontos diretos em relação à rodada anterior ficaram dentro da margem de erro, o que indica um eleitorado ainda bastante dividido. Recortes mostram diferenças por sexo e região Nos recortes demográficos, Lula tem melhor desempenho entre mulheres, com 50% das intenções de voto contra 38% de Flávio Bolsonaro. Entre os homens, o cenário se inverte: Flávio aparece com 48%, enquanto Lula registra 41%. Por região, o presidente tem vantagem no Nordeste, onde aparece com 53% das intenções de voto. Flávio Bolsonaro registra melhor desempenho no Centro-Oeste, com 52%. O levantamento também aponta diferenças por escolaridade, com Lula melhor entre eleitores com ensino fundamental e Flávio com desempenho superior entre os que têm ensino médio. Metodologia da pesquisa A pesquisa PoderData/Aya foi realizada entre os dias 21 e 24 de junho de 2026. Foram ouvidas 2.400 pessoas em 617 municípios das 27 unidades da Federação, por meio de ligações para celulares e telefones fixos. A margem de erro é de 2 pontos percentuais, com nível de confiança de 95%. O levantamento está registrado no Tribunal Superior Eleitoral sob o número BR-05722/2026. Segundo o PoderData, as entrevistas foram feitas por sistema URA, em que o eleitor ouve perguntas gravadas e responde pelo teclado do telefone. O levantamento foi realizado com recursos próprios do PoderData, empresa do grupo Poder360, em parceria de divulgação com a Aya Bancah. Cenário eleitoral segue indefinido O resultado mostra que a corrida presidencial ainda está marcada por forte divisão do eleitorado. A diferença numérica entre Lula e Flávio Bolsonaro existe, mas não ultrapassa a margem de erro, o que impede uma conclusão definitiva sobre liderança no cenário testado. Pesquisas eleitorais são fotografias do momento em que os dados são coletados. Elas ajudam a medir tendências, estabilidade ou oscilação, mas não antecipam o resultado final da eleição. Até a votação, fatores como campanha, debates, economia, alianças, rejeição, mobilização regional e acontecimentos políticos podem alterar o comportamento do eleitorado.
Em áudio captado no G7, Lula diz que “não suporta” comportamento do governo Trump

Fala de Lula sobre governo americano no G7 amplia tensão diplomática com os EUA O presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou a criticar o governo dos Estados Unidos durante a cúpula do G7, na França, em uma conversa informal com o presidente da Coreia do Sul, Lee Jae-myung. O trecho foi captado por uma equipe da agência Associated Press enquanto os líderes estavam próximos aos microfones antes do início de uma reunião. Segundo a revista Veja, Lula afirmou que o Brasil “não gosta de briga” e que “não tem divergência com nenhum país”, mas completou: “Eu não suporto o comportamento do governo americano”. Fala de Lula no G7 foi captada por microfones A conversa ocorreu em um ambiente de bastidores, mas com os líderes já posicionados para a reunião. Por isso, parte do diálogo acabou registrada por equipes de imprensa presentes no local. A fala ganhou repercussão por ocorrer em um momento de tensão entre Brasília e Washington. O governo brasileiro tem criticado medidas adotadas pela gestão de Donald Trump, especialmente em temas comerciais e de segurança internacional. Em outro trecho captado durante a cúpula, Lula também conversou com a diretora do Fundo Monetário Internacional, Kristalina Georgieva, e com o chanceler alemão, Friedrich Merz. Segundo a Veja, o presidente afirmou que “o mundo não é de esquerda” e defendeu o “caminho do meio” como posição política. Relação com os Estados Unidos passa por desgaste A declaração de Lula ocorre em meio a uma série de atritos recentes com os Estados Unidos. Um dos principais pontos de tensão é a proposta do governo americano de aplicar tarifa de 25% sobre produtos brasileiros no âmbito de uma investigação comercial conduzida pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos, o USTR. A apuração envolve temas como comércio digital, serviços de pagamento eletrônico, tarifas preferenciais, propriedade intelectual, etanol e desmatamento ilegal. Outro ponto sensível é a decisão dos Estados Unidos de classificar o Comando Vermelho e o Primeiro Comando da Capital, PCC, como organizações terroristas estrangeiras. O governo Lula rejeitou a medida e a classificou como interferência em assunto de soberania brasileira, enquanto Washington argumenta que a decisão faz parte de sua estratégia de combate ao crime transnacional. Lula já havia criticado protecionismo e unilateralismo Durante discurso no G7, Lula também criticou o que chamou de protecionismo e unilateralismo, em fala feita praticamente diante de Trump, que estava sentado do lado oposto da mesa, segundo relato da Veja. O presidente brasileiro defendeu respeito à soberania dos países no combate ao crime transnacional. Do ponto de vista diplomático, o episódio exige cautela. Críticas públicas ou captadas em bastidores podem fortalecer a posição política interna de um governo, mas também aumentam o risco de ruídos em negociações comerciais, investimentos e cooperação em segurança. Para o Brasil, a relação com os Estados Unidos é estratégica. O país precisa defender sua soberania e seus interesses, mas também preservar canais de diálogo com uma das maiores economias do mundo. Em momentos de tensão, a comunicação institucional pesa tanto quanto a posição política. Encontro bilateral não ocorreu Segundo a Veja, auxiliares afirmaram que Lula antecipou sua ida ao G7 com o objetivo de tentar viabilizar um encontro bilateral com Trump para tratar das tarifas e da classificação das facções brasileiras como terroristas. A reunião, porém, não aconteceu e não havia agenda prevista até a publicação da reportagem. Os dois presidentes chegaram a se cumprimentar rapidamente durante o evento. Ainda assim, a ausência de uma reunião formal mostra que a relação bilateral atravessa um momento delicado. O caso deve seguir repercutindo porque envolve comércio exterior, soberania nacional, segurança pública e política internacional. Para setores produtivos brasileiros, especialmente exportadores, qualquer aumento de tarifa pelos Estados Unidos pode afetar competitividade, contratos e previsibilidade econômica. Repercussão amplia debate sobre política externa A fala captada no G7 reforça o estilo direto de Lula em temas internacionais, mas também reacende o debate sobre os limites entre posicionamento político e estratégia diplomática. Em um cenário de disputa econômica global, o Brasil precisa manter firmeza na defesa de seus interesses sem fechar portas para negociação. A relação com os Estados Unidos envolve exportações, tecnologia, investimentos, energia, segurança, defesa e cooperação científica. A declaração de Lula, portanto, vai além de uma frase de bastidor. Ela sintetiza o momento de tensão entre dois governos que divergem em temas relevantes, mas que continuam obrigados a negociar em áreas essenciais para seus países.