Afastamentos por saúde mental crescem 159% no Brasil, apontam dados do INSS

Transtornos mentais já respondem por cerca de 10% dos afastamentos do trabalho Os afastamentos do trabalho por problemas de saúde mental cresceram de forma expressiva nos últimos anos no Brasil. Dados atribuídos ao INSS mostram que os benefícios por incapacidade temporária relacionados a essas condições passaram de 150,8 mil, em 2019, para 390,4 mil, em 2025, uma alta de 159%. O avanço acende um alerta para empresas, trabalhadores e poder público. Transtornos mentais já representam cerca de 10% dos afastamentos concedidos, segundo o levantamento citado. O Ministério da Previdência Social informou que, em 2025, foram concedidos 4,1 milhões de benefícios por incapacidade temporária no país, o que ajuda a dimensionar o peso desse tipo de afastamento na Previdência. Afastamentos por saúde mental disparam no Brasil O crescimento dos afastamentos por saúde mental mostra que o ambiente de trabalho passou a ocupar lugar central no debate sobre saúde pública. Ansiedade, depressão, burnout e outros transtornos podem comprometer a capacidade de concentração, produtividade, convivência e execução das atividades profissionais. Entre os fatores apontados por especialistas estão impactos prolongados da pandemia, excesso de trabalho, pressão constante por resultados, dificuldade de desconectar do ambiente profissional e uso contínuo de tecnologias. Também há outro componente importante: mais pessoas passaram a buscar diagnóstico e tratamento. Isso pode ter aumentado a identificação formal dos casos, inclusive em situações que antes eram tratadas apenas como cansaço, estresse ou desmotivação. Perfil mais frequente é de mulheres entre 30 e 49 anos O levantamento aponta que o perfil mais frequente entre os afastamentos por saúde mental é de mulheres entre 30 e 49 anos. Esse dado reforça uma discussão já conhecida no mercado de trabalho: muitas mulheres acumulam jornada profissional, responsabilidades domésticas, cuidado com filhos, familiares e pressão por desempenho. Essa sobrecarga pode agravar quadros de sofrimento mental, especialmente quando não há rede de apoio, flexibilidade ou políticas internas de prevenção. O dado também deve servir de alerta para empregadores. Empresas que ignoram sinais de adoecimento mental podem enfrentar queda de produtividade, aumento de afastamentos, rotatividade, conflitos internos e perda de talentos. Benefício exige comprovação de incapacidade Ter um diagnóstico de transtorno mental não garante automaticamente o benefício por incapacidade temporária. Para receber o auxílio, o trabalhador precisa comprovar que a condição realmente impede o exercício da atividade profissional por mais de 15 dias consecutivos. O INSS informa que o benefício é devido ao segurado que comprove incapacidade temporária para o trabalho ou atividade habitual em razão de doença ou acidente. A comprovação pode envolver laudos, atestados, relatórios médicos, exames, histórico de tratamento e avaliação da Perícia Médica Federal. Em alguns casos, o pedido pode ser analisado por meio documental, conforme regras do INSS. Esse ponto é importante para evitar confusão. O benefício não funciona como compensação pelo diagnóstico, mas como proteção previdenciária quando há incapacidade temporária comprovada para o trabalho. Empresas precisam agir antes do afastamento O aumento dos afastamentos indica que a prevenção precisa começar dentro das organizações. Ambientes com metas abusivas, comunicação agressiva, jornadas excessivas, insegurança constante e falta de autonomia tendem a aumentar riscos de adoecimento. Medidas simples podem fazer diferença. Entre elas estão gestão mais equilibrada, pausas reais, respeito a horários de descanso, combate ao assédio, canais de escuta, treinamento de lideranças e acompanhamento de indicadores internos. Também é necessário diferenciar cobrança profissional legítima de pressão desorganizada. Produtividade não deve ser confundida com exaustão permanente. Empresas eficientes são aquelas que conseguem entregar resultados sem destruir a saúde de suas equipes. Tecnologia ampliou a dificuldade de desconectar O uso contínuo de celulares, aplicativos corporativos e mensagens fora do expediente tornou mais difícil separar vida pessoal e trabalho. Para muitos profissionais, o expediente parece nunca terminar. Essa hiperconexão contribui para sensação de urgência permanente. Quando o trabalhador não consegue descansar, a recuperação mental fica comprometida, e o risco de adoecimento aumenta. A discussão sobre saúde mental, portanto, também é uma discussão sobre gestão moderna. O desafio não é reduzir a produtividade, mas organizar o trabalho com regras claras, previsibilidade e respeito aos limites humanos. Tema exige responsabilidade de todos O crescimento dos afastamentos por saúde mental deve ser tratado com seriedade, sem estigma e sem banalização. Trabalhadores precisam buscar atendimento quando perceberem sinais persistentes de sofrimento. Empresas devem criar ambientes mais saudáveis. O poder público precisa garantir atendimento, perícia eficiente e dados transparentes. Para o país, o tema tem impacto social e econômico. Afastamentos prolongados pressionam a Previdência, reduzem renda familiar, afetam empresas e revelam fragilidades no cuidado com a saúde mental. O avanço de 159% nos benefícios relacionados a transtornos mentais não pode ser visto apenas como estatística. Ele mostra que o trabalho, a tecnologia e a rotina moderna precisam ser reorganizados com mais responsabilidade, equilíbrio e prevenção.
Midea afasta gestor após denúncia de agressão contra trabalhador em Pouso Alegre

Paralisação na Midea expõe denúncia de agressão e assédio em fábrica de Minas Denúncia de agressão paralisa fábrica da Midea em MG Trabalhadores da fábrica da Midea em Pouso Alegre, no Sul de Minas Gerais, realizaram uma paralisação nesta terça-feira (23) após a denúncia de que um funcionário brasileiro teria sido agredido por um gestor estrangeiro dentro da unidade industrial. Segundo o Sindicato dos Metalúrgicos de Pouso Alegre e Região, o trabalhador teria sido atingido na linha de produção e golpeado com uma peça de borracha usada em vedação, conhecida como gaxeta ou gracheta. A mobilização ocorreu em frente à fábrica e reuniu funcionários que cobravam providências imediatas da empresa. De acordo com O Tempo, cerca de 1.200 colaboradores participaram do protesto, motivado pela denúncia de agressão física e por relatos de assédio moral e condições inadequadas no ambiente de trabalho. Sindicato cobra apuração rigorosa Conforme o sindicato, o episódio teria ocorrido em 15 de junho, durante uma situação relacionada à linha de produção. A entidade afirma que o trabalhador foi abordado por um gerente de qualidade vindo da China e teria sofrido agressões durante o expediente. O presidente do sindicato, Francisco Pereira, conhecido como Piauí, informou que um boletim de ocorrência foi registrado e que o Ministério Público do Trabalho foi acionado. A categoria também alertou para a possibilidade de entrar em estado de greve caso as reivindicações não sejam atendidas. Entre os pontos cobrados estão apuração formal, responsabilização do envolvido, garantia de segurança aos trabalhadores e revisão das práticas internas de gestão. Empresa diz que afastou envolvido A Midea informou, em nota, que está ciente das alegações apresentadas pelo sindicato e que adotou medidas internas para apurar os fatos. Segundo a empresa, o envolvido foi afastado preventivamente enquanto a investigação ocorre. A companhia também afirmou que não compactua com violência, assédio, discriminação ou condutas incompatíveis com seu código de conduta. A manifestação da empresa é um passo inicial, mas a conclusão do caso dependerá da apuração interna, dos procedimentos trabalhistas e das eventuais medidas adotadas por órgãos públicos. Até o encerramento das investigações, a denúncia deve ser tratada como acusação em apuração, preservando o direito de defesa e o devido processo. Relatos ampliam debate sobre ambiente de trabalho Além da agressão denunciada, o sindicato relatou outros problemas dentro da unidade, incluindo queixas de assédio moral e restrições relacionadas à rotina de produção. O Tempo informou que trabalhadores relataram dificuldades para deixar os postos de trabalho e utilizar sanitários, sob a justificativa de que a produção não poderia parar. Esse tipo de denúncia exige resposta firme e técnica. Em uma economia que precisa de indústria forte, investimento estrangeiro e geração de empregos, nenhuma empresa pode operar acima da legislação brasileira. Livre iniciativa e respeito ao trabalhador não são valores opostos; ao contrário, um ambiente produtivo saudável depende de segurança jurídica, regras claras e dignidade no chão de fábrica. Investimento estrangeiro deve respeitar leis brasileiras O caso também reacende uma discussão maior sobre a presença de multinacionais no Brasil. Empresas estrangeiras são importantes para ampliar investimento, gerar empregos e fortalecer cadeias industriais. No entanto, toda companhia instalada no país deve cumprir a legislação trabalhista, respeitar a cultura local e garantir tratamento digno aos funcionários. A origem do capital não pode servir nem para ataques generalizados contra nacionalidades nem para tolerância com abusos. Se a denúncia for confirmada, a responsabilização deve ser individual e institucional, conforme a lei. O ponto central é simples: trabalhador brasileiro deve ser respeitado em qualquer fábrica, seja nacional ou estrangeira. Caso segue em acompanhamento A situação segue sendo acompanhada pelo sindicato, pelos trabalhadores e pelas autoridades competentes. A paralisação, segundo veículos locais, atrasou o início das atividades da fábrica e funcionou como uma demonstração de insatisfação coletiva diante da denúncia. Os próximos desdobramentos devem indicar se haverá acordo entre empresa e trabalhadores, novas medidas internas, atuação do Ministério Público do Trabalho ou eventual responsabilização na esfera policial e trabalhista.