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Crédito com Garantia Ganha Força Entre Empresários e Produtores Rurais

Washington Oliveira explica por que veículos e imóveis estão sendo utilizados para reorganizar dívidas, fortalecer o caixa e financiar novos investimentos. Em tempos de crédito caro, empresários recorrem aos próprios bens para ganhar fôlego financeiro O ambiente econômico brasileiro tem exigido cada vez mais planejamento por parte de empresários, produtores rurais e profissionais autônomos. Mesmo após os cortes recentes, a taxa Selic estava em 14,25% ao ano em junho de 2026, mantendo elevado o custo do dinheiro no país. Nesse cenário, linhas de crédito tradicionais, principalmente aquelas sem garantia, podem apresentar juros altos, prazos menores e parcelas que comprometem o fluxo de caixa das empresas. É justamente nesse momento que o empréstimo com garantia de veículo ou imóvel passa a ganhar espaço. Nessa modalidade, o cliente utiliza um bem como garantia da operação. Como o risco assumido pela instituição financeira é menor, existe a possibilidade de conseguir taxas mais competitivas, prazos maiores e valores mais elevados do que em algumas linhas de crédito pessoal ou empresarial sem garantia. Busca por crédito com garantia está crescendo Os números mostram que essa procura não é apenas uma percepção do mercado. Segundo dados divulgados pela Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança, a Abecip, as concessões de crédito com garantia de imóvel somaram aproximadamente R$ 3,16 bilhões somente no primeiro trimestre de 2026. O resultado representa um crescimento de 25,83% em comparação com o mesmo período do ano anterior, sendo o maior volume já registrado para um primeiro trimestre desde o início da série histórica da entidade, em 2018. A carteira nacional de crédito com garantia imobiliária já ultrapassou a marca de R$ 32 bilhões, demonstrando que o brasileiro começa a compreender melhor a possibilidade de transformar parte do patrimônio em capital, sem necessariamente precisar vender o imóvel. Esse avanço acontece justamente porque os recursos podem ser utilizados para diferentes objetivos, como: Por que a garantia pode reduzir os juros? Toda concessão de crédito envolve uma análise de risco. Quando o empréstimo não possui nenhuma garantia, o banco corre um risco maior de não recuperar o dinheiro em caso de inadimplência. Esse risco costuma ser incorporado ao custo da operação, contribuindo para taxas mais elevadas. Quando existe um veículo ou imóvel como garantia, a instituição passa a contar com uma segurança adicional. Isso pode permitir melhores condições, embora a taxa final continue dependendo do perfil do cliente, do valor e das condições do bem, da renda comprovada, do histórico financeiro e das políticas de cada instituição. Por isso, não existe uma taxa única para todos. É necessário comparar não apenas os juros, mas também o Custo Efetivo Total, o CET, que inclui tarifas, seguros, impostos e demais despesas da contratação. De uma dívida cara para uma dívida planejada Um dos usos mais inteligentes dessa modalidade pode ser a reorganização financeira. Imagine uma empresa que acumulou dívidas no cartão de crédito, cheque especial, antecipações ou empréstimos de curto prazo. Somadas, essas obrigações podem gerar diversas parcelas, vencimentos diferentes e juros elevados. Nesse caso, utilizar um bem como garantia pode permitir a troca de várias dívidas caras por uma única operação, com prazo maior e parcela mais adequada ao fluxo de caixa. Contudo, essa troca precisa ser acompanhada de planejamento. Reduzir a parcela sem corrigir os problemas que provocaram o endividamento apenas prolonga a dificuldade. O crédito deve fazer parte de uma estratégia que envolva controle de despesas, organização do fluxo de caixa, formação de reserva e acompanhamento dos resultados da empresa. Capital para quem deseja crescer Nem toda contratação acontece por dificuldade financeira. Muitos empresários utilizam o crédito com garantia para aproveitar oportunidades de expansão. Em determinados negócios, pode ser mais estratégico preservar o dinheiro disponível no caixa e utilizar uma linha de crédito com prazo maior para financiar a compra de equipamentos, reforçar estoques, ampliar uma unidade ou começar uma nova operação. O Sebrae destaca que o crédito pode funcionar como um capital adicional para investimentos capazes de promover o crescimento dos pequenos negócios. Ao mesmo tempo, a entidade orienta que a contratação precisa considerar a finalidade do dinheiro e a capacidade real de pagamento da empresa. A conta precisa ser clara: o investimento realizado com o recurso deve ter potencial para gerar um retorno superior ao custo total do financiamento. Produtores rurais também procuram alternativas Em Rio Verde e nos municípios da região, o assunto ganha ainda mais relevância por causa da força do agronegócio. Produtores rurais convivem com períodos de plantio, colheita, comercialização e recebimento que nem sempre acompanham os vencimentos das despesas. Também enfrentam oscilações nos preços das commodities, custos de insumos, manutenção de máquinas, condições climáticas e necessidade constante de investimentos. Nesse contexto, veículos, imóveis urbanos, propriedades e outros bens elegíveis podem ajudar na estruturação de operações de crédito, conforme as regras de cada instituição. Na experiência de atendimento do Grupo Olivew, empresários e produtores da região têm procurado essas modalidades principalmente para reorganizar compromissos, reforçar o caixa e financiar novos investimentos. Essa procura mostra uma mudança importante de mentalidade: em vez de vender um patrimônio às pressas ou recorrer imediatamente a linhas muito caras, o cliente avalia como utilizar esse patrimônio de maneira estratégica. O bem continua sendo utilizado? Normalmente, sim. No empréstimo com garantia de veículo, o automóvel permanece com o proprietário e pode continuar sendo utilizado. No crédito com garantia de imóvel, o proprietário também permanece utilizando o bem. Entretanto, existe uma alienação fiduciária vinculada ao contrato. Isso significa que o bem fica formalmente comprometido como garantia até a quitação da dívida. Por essa razão, a contratação exige responsabilidade. Em caso de inadimplência prolongada, a instituição pode iniciar os procedimentos previstos em contrato para retomada do bem. Crédito não deve ser tratado como renda O maior erro é considerar o valor liberado como uma extensão da renda ou do faturamento. Empréstimo é uma antecipação de recursos que precisará ser devolvida com juros. Antes de contratar, o empresário deve saber exatamente: Quando utilizado sem planejamento, o crédito pode comprometer ainda mais a empresa. Quando

Brasil cria 72,9 mil empregos formais em maio, pior resultado para o mês desde 2020

Geração de empregos desacelera em maio e acende alerta sobre ritmo da economia O Brasil criou 72.960 empregos formais em maio de 2026, segundo dados do Novo Caged divulgados nesta terça-feira (30) pelo Ministério do Trabalho e Emprego. O resultado veio da diferença entre 2,20 milhões de admissões e 2,13 milhões de desligamentos no período, mantendo saldo positivo no mercado de trabalho com carteira assinada. Apesar do número positivo, o desempenho acendeu alerta. O saldo de maio foi o pior para o mês desde 2020, ano marcado pelos impactos da pandemia, e ficou abaixo das projeções de agentes financeiros, que esperavam cerca de 137,5 mil vagas, segundo levantamento citado pelo Poder360. Empregos formais desaceleram em maio A geração de empregos formais em maio caiu 52,3% em relação ao mesmo mês de 2025, quando o país havia criado 153.108 postos de trabalho. O dado corrige a comparação mais relevante para o período, já que a análise de meses equivalentes reduz distorções sazonais do mercado de trabalho. No acumulado de janeiro a maio, o país abriu 767.326 vagas formais. Nos últimos 12 meses, entre junho de 2025 e maio de 2026, o saldo chegou a 1.132.820 novos postos com carteira assinada, conforme a Secretaria de Comunicação Social do governo federal. O resultado mostra que o mercado de trabalho ainda cresce, mas em velocidade menor. Para famílias, empresas e governos, a desaceleração importa porque o emprego formal é um dos principais indicadores de renda, consumo, arrecadação e confiança na economia. Serviços puxam saldo positivo Todos os cinco grandes grupos de atividade econômica registraram saldo positivo em maio. O setor de Serviços liderou a criação de vagas, com 45.655 novos postos. Em seguida vieram Construção, com 12.096; Agropecuária, com 10.205; Indústria, com 4.974; e Comércio, com apenas 40 vagas. O desempenho do Comércio chama atenção pelo saldo praticamente estável. Em um cenário de juros elevados, crédito mais caro e orçamento familiar apertado, setores ligados ao consumo tendem a sentir mais rapidamente a perda de fôlego. Já Serviços segue sustentando parte importante da geração de empregos, especialmente em áreas como saúde, atividades administrativas, transporte, armazenagem e correio, que tiveram destaque dentro do grupo. Goiás teve saldo negativo no mês No recorte por estados, 22 das 27 unidades da Federação registraram saldo positivo em maio. São Paulo liderou em números absolutos, com 18.224 novas vagas, seguido por Espírito Santo, com 9.532, e Rio de Janeiro, com 9.195. Entre os estados com saldo negativo, Goiás apareceu com perda de 2.742 postos formais no mês, segundo dados reunidos pelo Poder360. O Rio Grande do Sul teve retração de 5.657 vagas, enquanto Tocantins registrou queda de 743 postos. Para Goiás, o dado exige atenção do setor produtivo e do poder público. A perda de vagas formais em um mês específico não define tendência isoladamente, mas indica necessidade de acompanhar desempenho por setor, especialmente comércio, indústria, agropecuária e construção. Marinho culpa juros e cenário internacional Ao comentar os números, o ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho, atribuiu a desaceleração aos efeitos da política de juros elevados e a tensões econômicas internacionais. Segundo ele, a política monetária contracionista tem impacto negativo sobre o mercado de trabalho. A crítica do ministro ocorre em um contexto de preocupação com o custo do crédito. Juros altos encarecem financiamentos, reduzem investimentos produtivos e podem diminuir a contratação de trabalhadores, especialmente em empresas menores ou setores dependentes de capital de giro. Por outro lado, a manutenção de juros elevados costuma ser defendida como instrumento de controle da inflação. O desafio econômico é equilibrar estabilidade de preços, responsabilidade fiscal e ambiente favorável ao investimento privado, sem comprometer a geração de empregos. Salário médio de admissão recua O salário médio real de admissão em maio foi de R$ 2.384,10, valor abaixo dos R$ 2.402,07 registrados em abril, segundo o UOL. Na comparação com maio de 2025, porém, houve alta real de R$ 35,98, o equivalente a 1,5%. Esse dado mostra uma leitura mista. O salário de entrada caiu em relação ao mês anterior, mas ainda apresenta ganho quando comparado ao mesmo período do ano passado. Para o trabalhador, o avanço real da renda é essencial para recompor poder de compra, especialmente em um cenário de alimentos, transporte e crédito ainda pressionando o orçamento. Novo Caged mede emprego com carteira assinada O Novo Caged acompanha mensalmente admissões e desligamentos informados pelas empresas e consolida o saldo do emprego formal no país. Desde 2020, as informações passaram a ser coletadas com base no eSocial, o que exige cautela em comparações com períodos anteriores à mudança metodológica. A desaceleração de maio não elimina o saldo positivo do ano, mas reforça que a economia precisa de previsibilidade, crédito sustentável, segurança jurídica e ambiente favorável ao investimento para transformar crescimento pontual em geração consistente de empregos.

Inflação dos alimentos desacelera em junho, mas ainda pesa no bolso das famílias

Alimentos perdem força no IPCA-15, mas batata, tomate e feijão seguem pressionando preços Inflação dos alimentos desacelera em junho A inflação dos alimentos perdeu força em junho, mas continuou pressionando o orçamento das famílias brasileiras. Segundo dados do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15, o IPCA-15, divulgado pelo IBGE, o grupo Alimentação e Bebidas passou de alta de 1,38% em maio para 0,74% em junho. Mesmo com a desaceleração, foi o grupo de maior variação e impacto no índice do mês, com contribuição de 0,16 ponto percentual. A prévia da inflação oficial ficou em 0,41% em junho, abaixo dos 0,62% registrados em maio. No acumulado do ano, o IPCA-15 chegou a 3,45%, enquanto em 12 meses soma 4,80%, acima dos 4,64% observados no período imediatamente anterior. Alimentação no domicílio ainda pesa no orçamento Dentro do grupo Alimentação e Bebidas, a alimentação no domicílio também perdeu força, passando de 1,73% em maio para 0,87% em junho. Ainda assim, produtos básicos continuaram subindo de forma expressiva, afetando diretamente as compras de supermercado. Os maiores aumentos foram registrados na batata-inglesa, com alta de 29,42%; no tomate, com 17,27%; no feijão-carioca, com 14,29%; e na cebola, com 9,54%. Esses itens têm forte presença na mesa do brasileiro e, por isso, mesmo variações pontuais acabam sendo sentidas rapidamente pelas famílias. No acumulado do primeiro semestre, a pressão foi ainda mais forte. Tomate, cenoura e batata-inglesa mais que dobraram de preço, com altas acumuladas de 103,84%, 103,10% e 100,20%, respectivamente. Clima ajuda a explicar alta de hortaliças e legumes Especialistas apontam que alimentos como tomate, batata, cenoura, cebola e folhas são altamente sensíveis às condições climáticas. Chuvas intensas, calor excessivo, geadas, irregularidade no plantio e problemas na colheita podem reduzir a oferta e provocar aumentos rápidos de preços. Esse tipo de alimento também é perecível, o que limita a capacidade de armazenamento por longos períodos. Quando há quebra de produção ou dificuldade logística, o repasse ao consumidor costuma acontecer com velocidade. Para famílias de menor renda, o impacto é mais pesado. Como alimentação representa uma parcela maior do orçamento doméstico, altas em produtos básicos reduzem o poder de compra e obrigam consumidores a trocar marcas, reduzir quantidades ou substituir alimentos. Café e frutas registram queda em junho Apesar da pressão em itens importantes, alguns produtos apresentaram alívio. O café moído caiu 3,69% em junho, enquanto as frutas tiveram queda média de 0,96%, segundo o IBGE. Esses recuos ajudaram a conter parte da alta do grupo Alimentação e Bebidas. No caso do café, a melhora nas expectativas de oferta contribuiu para reduzir a pressão sobre os preços. Ainda assim, o produto segue no radar dos consumidores, já que vinha acumulando fortes altas nos últimos meses e tem peso relevante no consumo diário das famílias brasileiras. A queda nas frutas também ajuda a aliviar a cesta, mas não elimina o problema central: a inflação dos alimentos permanece disseminada em itens de grande consumo. Alimentação fora de casa também desacelera A alimentação fora do domicílio teve desaceleração em junho, passando de 0,51% em maio para 0,40%. O preço das refeições subiu 0,39%, abaixo da alta de 0,57% registrada no mês anterior. Já os lanches aceleraram, passando de 0,37% para 0,45%. Esse comportamento mostra que a pressão dos alimentos não fica restrita ao supermercado. Restaurantes, lanchonetes e pequenos comércios também sofrem com custos de insumos, energia, aluguel, mão de obra e logística. Para trabalhadores que dependem de alimentação fora de casa, mesmo aumentos moderados têm impacto relevante ao longo do mês. O custo diário do almoço, do lanche ou da refeição pronta pesa especialmente em grandes centros urbanos. Inflação exige cautela na economia A desaceleração do IPCA-15 em junho é positiva, mas ainda não representa alívio completo. O grupo Alimentação e Bebidas segue como uma das principais fontes de pressão sobre a inflação e sobre o bolso da população. Em um cenário de juros elevados e renda apertada, controlar o preço dos alimentos é essencial para preservar o poder de compra das famílias. Isso depende de clima favorável, logística eficiente, estabilidade no campo, redução de desperdícios e ambiente econômico previsível para produção e distribuição. O dado de junho mostra melhora em relação a maio, mas também revela que a inflação alimentar continua sendo um desafio central para consumidores, produtores e formuladores de política econômica.

TCE-GO aponta 3.339 servidores com mais de 70% da remuneração comprometida

Auditoria do TCE-GO alerta para superendividamento de servidores estaduais Uma auditoria operacional em andamento no Tribunal de Contas do Estado de Goiás identificou que 3.339 servidores estaduais, entre ativos, aposentados e pensionistas, tiveram mais de 70% da remuneração bruta comprometida por descontos em folha no mês de fevereiro. O levantamento foi realizado na Gerência de Consignação da Secretaria de Estado da Administração e acendeu alerta para o risco de superendividamento no funcionalismo público. TCE-GO aponta descontos acima do limite legal Segundo o TCE-GO, a Lei Estadual nº 16.898/2010 veda o comprometimento de mais de 70% da remuneração com consignações. Mesmo assim, a auditoria encontrou 3.339 casos acima desse limite apenas na folha analisada. Desse total, 2.925 pessoas tiveram entre 70% e 90% da renda comprometida, enquanto 414 ficaram com mais de 90% da remuneração bruta tomada por descontos. O dado chama atenção porque indica que parte dos servidores pode ter ficado com uma parcela muito pequena da renda disponível para despesas básicas, como alimentação, moradia, saúde, transporte e contas domésticas. Polícia Militar concentra maior número de casos A concentração das ocorrências também chamou a atenção dos auditores. A Polícia Militar respondeu por 41,2% dos casos identificados. Em seguida aparecem a Secretaria de Estado da Educação, com 18%, e a Polícia Civil, com 9,4%. O levantamento considera a soma de consignações obrigatórias, como imposto de renda, previdência social e pensão alimentícia, e consignações facultativas, como empréstimos consignados, cartão de benefício e seguro de vida. O TCE-GO também destacou que os empréstimos consignados possuem limite específico e não podem ultrapassar, sozinhos, 35% da renda. Quase 60% do funcionalismo tem consignado O relatório técnico aponta ainda que 59,89% do funcionalismo estadual possui ao menos um empréstimo consignado. Ao todo, são 287.152 operações ativas, com movimentação financeira de aproximadamente R$ 157 milhões. Esses números mostram a dimensão do consignado dentro da vida financeira dos servidores públicos. Embora esse tipo de crédito costume ter juros menores que outras modalidades, o desconto direto em folha pode se tornar um problema quando falta controle da margem, transparência nos contratos e educação financeira. Auditoria avalia controles do governo A auditoria foi iniciada em novembro de 2025 e está sob relatoria do conselheiro Kennedy Trindade. O trabalho é conduzido pela Diretoria de Fiscalização de Pessoal, vinculada à Secretaria de Controle Externo do TCE-GO, com foco nos mecanismos de controle do Estado sobre consignações e no credenciamento das instituições financeiras conveniadas. Segundo o tribunal, o Estado foi alertado sobre as irregularidades e decidiu adotar providências antes mesmo do julgamento final do processo. O TCE-GO informou ainda que servidores que tiveram descontos suspensos ou reduzidos devem buscar orientação diretamente com as instituições financeiras responsáveis pelos contratos. Caso exige controle, transparência e responsabilidade O caso reforça a necessidade de maior rigor na gestão das consignações. O crédito consignado pode ser uma ferramenta legítima para reorganizar dívidas ou acessar recursos em condições mais previsíveis. No entanto, quando a margem é ultrapassada, o instrumento deixa de ser solução e passa a representar risco social, financeiro e administrativo. Para o servidor, o problema aparece no orçamento familiar. Para o Estado, surge a necessidade de melhorar sistemas, fiscalizar instituições conveniadas e garantir que a folha de pagamento não seja usada de forma incompatível com a legislação. A auditoria também levanta um ponto importante sobre eficiência pública. O controle da margem consignável não é apenas uma questão bancária, mas de governança. Cabe ao poder público proteger a legalidade, evitar falhas sistêmicas e impedir que servidores fiquem sem renda mínima para suas necessidades básicas.

Governo planeja emitir dívida em yuan pela 1ª vez para reduzir dependência do dólar

Brasil prepara Panda Bonds na China e abre nova frente para financiar dívida pública O governo brasileiro prepara a primeira emissão de títulos da dívida pública em yuan, moeda oficial da China, em uma operação conhecida no mercado financeiro como Panda Bonds. A iniciativa deve ser anunciada durante uma missão oficial a Xangai e Pequim, prevista entre os dias 24 e 26 de junho, segundo informações publicadas pela Reuters e repercutidas pela CNN Brasil. A operação faz parte de uma estratégia do Tesouro Nacional para ampliar a presença do Brasil em mercados internacionais e diversificar as moedas usadas na captação de recursos. Na prática, o governo emite títulos no mercado chinês, recebe recursos de investidores locais e se compromete a pagar o valor no futuro, com juros, seguindo regras do mercado financeiro da China. Brasil prepara emissão inédita em yuan Os Panda Bonds são títulos emitidos por governos ou empresas estrangeiras dentro do mercado financeiro chinês, denominados em yuan. Para o Brasil, a operação será inédita e marca uma tentativa de reduzir a concentração das captações externas em dólar. Segundo a Reuters, a emissão em moeda chinesa ocorre após o Brasil voltar ao mercado europeu com uma emissão de € 5 bilhões em abril de 2026. O movimento reforça a intenção do governo de ampliar fontes de financiamento e alcançar investidores além dos mercados tradicionais dos Estados Unidos e da Europa. A missão brasileira será liderada pelo secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Dario Durigan, e terá agendas em Xangai e Pequim. O Ministério da Fazenda não comentou oficialmente os detalhes da operação à Reuters. Estratégia busca reduzir dependência do dólar A emissão em yuan tem objetivo financeiro e geopolítico. Do ponto de vista financeiro, diversificar moedas pode ampliar a base de investidores, criar novas referências de preço para a dívida brasileira e reduzir a dependência de captações em dólar. Do ponto de vista estratégico, a China é o principal parceiro comercial do Brasil. A aproximação financeira acompanha o aumento do peso chinês nas exportações brasileiras e no fluxo de investimentos para infraestrutura, energia, agroindústria e tecnologia. Ainda assim, especialistas costumam alertar que diversificar moeda não elimina riscos. Uma dívida em yuan pode reduzir exposição ao dólar, mas cria exposição à moeda chinesa, às regras do mercado local e à política financeira de Pequim. Por isso, a operação precisa ser avaliada com prudência, transparência e foco no custo final para o contribuinte. Tesouro já estudava a operação desde 2024 A ideia de emitir dívida em moeda chinesa não surgiu agora. Segundo a Gazeta do Povo, o Tesouro Nacional já avaliava emissões em moedas alternativas desde o Plano Anual de Financiamento de 2024, quando passou a considerar oportunidades fora dos mercados tradicionais. Em janeiro de 2026, a Folha de S.Paulo também informou que o Tesouro pretendia ampliar emissões externas, mantendo o dólar como principal referência, mas retomando operações na Europa e preparando entrada no mercado chinês. Esse planejamento mostra que a emissão em yuan não é uma decisão isolada, mas parte de uma política mais ampla de gestão da dívida externa. Relação Brasil-China ganha peso financeiro A viagem ocorre em um momento de fortalecimento das relações econômicas entre Brasil e China. A Reuters informou que autoridades brasileiras também devem apresentar instrumentos ligados à agenda de sustentabilidade, como o EcoInvest, o Tropical Forest Forever Facility e iniciativas voltadas ao mercado de carbono. A intenção é atrair capital chinês para áreas consideradas estratégicas. Para o governo, a emissão de Panda Bonds pode funcionar como porta de entrada para investidores asiáticos conhecerem melhor o risco soberano brasileiro e ampliarem participação em projetos no país. Para o setor produtivo, especialmente agronegócio, energia e infraestrutura, uma relação financeira mais forte com a China pode abrir novas possibilidades de crédito e investimento. Mas também aumenta a necessidade de equilíbrio diplomático, para que o Brasil não substitua uma dependência por outra. Operação exige cautela fiscal e transparência A emissão de dívida em yuan pode ser positiva se ampliar investidores, reduzir custos e melhorar a gestão da dívida pública. No entanto, o resultado dependerá das condições financeiras: taxa de juros, prazo, demanda, custo cambial e garantias exigidas pelo mercado chinês. Em um país com dívida pública elevada e juros altos, qualquer captação externa precisa ser analisada com responsabilidade fiscal. A diversificação é bem-vinda, mas não substitui o controle de gastos, a previsibilidade econômica e a confiança do mercado na capacidade de pagamento do Estado brasileiro. O anúncio oficial deve indicar valor, prazo, remuneração e estrutura da operação. Até lá, a emissão é tratada como planejada, mas ainda sem detalhes finais divulgados pelo governo.

Bets endividadas deixam rastro de calotes de R$ 100 milhões e recorrem a fusões

Crise em bets menores expõe fragilidade financeira no mercado de apostas online O mercado brasileiro de apostas online começa a registrar os primeiros sinais de estresse financeiro entre operadoras menores. Segundo reportagem da Folha de S.Paulo, casos pontuais de bets endividadas já deixam um rastro de cobranças que se aproximam de R$ 100 milhões, envolvendo dívidas com clubes de futebol, fornecedores e obrigações junto à União. A situação expõe um problema que vinha sendo mascarado pela forte expansão do setor: nem todas as empresas que entraram no mercado têm estrutura financeira, governança e escala suficientes para sustentar contratos milionários, custos regulatórios, publicidade agressiva e concorrência com grandes grupos. Bets endividadas acendem alerta no mercado De acordo com a Folha, o caso mais grave identificado envolve uma empresa de pequeno porte, com participação reduzida no mercado, mas alvo de cobranças judiciais próximas a R$ 100 milhões. A reportagem também aponta casos de marcas menores que foram absorvidas por grupos mais consolidados, em movimento de fusão, venda ou incorporação. Para especialistas do setor, o rompimento de contratos de patrocínio é um dos sinais mais claros de dificuldade de caixa. Outro indício é a busca por compradores maiores, capazes de assumir operação, tecnologia, carteira de clientes e obrigações regulatórias. O presidente da Associação Nacional de Jogos e Loterias, Plínio Lemos, afirmou à Folha que a quebra de contratos comerciais e a venda para grupos maiores mostram quando um negócio deixou de ser viável isoladamente. Patrocínios no futebol viram ponto sensível Nos últimos anos, as bets se tornaram grandes patrocinadoras de clubes, campeonatos e transmissões esportivas no Brasil. O dinheiro das apostas ocupou espaço deixado por outros setores e passou a financiar camisas, placas, ativações digitais e contratos de mídia. O problema é que parte dessas empresas apostou em crescimento rápido demais. Em um ambiente de forte concorrência, o custo para aparecer ficou alto. Patrocinar clubes populares, comprar mídia, oferecer bônus, manter operação tecnológica e pagar outorga regulatória exige caixa robusto. Quando a receita não acompanha a despesa, os contratos esportivos podem virar o primeiro alvo de renegociação. Para os clubes, isso gera insegurança financeira. Para o mercado, indica que a fase de euforia começa a dar lugar a uma etapa de consolidação. Regulação aumenta custo e filtra empresas Desde a regulamentação federal, as empresas de apostas de quota fixa precisam de autorização prévia da Secretaria de Prêmios e Apostas do Ministério da Fazenda para operar no Brasil. A SPA é responsável por autorizar, monitorar, fiscalizar e sancionar empresas do setor. As regras exigem estrutura jurídica, regularidade fiscal e trabalhista, qualificação técnica, idoneidade e capacidade econômico-financeira. A autorização também envolve custos elevados, o que tende a favorecer grupos com maior capital e experiência de gestão. Na prática, o mercado entra em uma fase mais seletiva. Empresas sem escala, sem controle de risco ou sem caixa suficiente podem ser pressionadas a vender operação, buscar fusão ou sair do setor. Consumidores também ficam expostos A crise de bets endividadas não afeta apenas clubes e fornecedores. Consumidores também podem enfrentar riscos quando mantêm saldo em plataformas financeiramente frágeis. A Folha destaca que o setor não conta com proteção equivalente ao Fundo Garantidor de Crédito dos bancos. A regulação tenta reduzir esse risco ao exigir separação de recursos dos apostadores e mecanismos de segurança financeira. Ainda assim, especialistas apontam que o funcionamento prático dessas proteções só será plenamente testado em casos concretos de insolvência ou recuperação judicial. Por isso, o avanço da fiscalização é essencial. Um mercado que movimenta grande volume de dinheiro precisa ter regras claras, transparência, proteção ao consumidor e punição para operações que descumprirem obrigações. Consolidação deve marcar nova fase das bets O cenário aponta para uma tendência de concentração. Grupos maiores, com mais capital, tecnologia e capacidade regulatória, tendem a absorver operadores menores. Esse movimento já ocorreu em outros setores digitais, como fintechs, delivery e varejo online. Do ponto de vista econômico, a consolidação pode trazer mais estabilidade. Porém, também exige atenção das autoridades para evitar concentração excessiva, práticas abusivas e fragilidade na proteção de usuários. O episódio reforça uma leitura de cautela: o setor de apostas online cresceu rápido, mas agora passa pelo teste da realidade financeira. Sem gestão responsável, capital suficiente e fiscalização efetiva, contratos milionários podem se transformar em dívidas, calotes e disputas judiciais.

Mercado eleva previsão para juros e inflação em 2026, aponta Banco Central

Boletim Focus vê Selic a 14% e IPCA acima do teto da meta em 2026 O mercado financeiro voltou a elevar as projeções para a inflação e para a taxa básica de juros em 2026. Segundo o Boletim Focus divulgado nesta segunda-feira (22) pelo Banco Central, a estimativa para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo, o IPCA, passou de 5,30% para 5,33% neste ano. Foi a 15ª alta consecutiva da previsão de inflação feita por analistas e instituições financeiras. A projeção para a Selic ao fim de 2026 também subiu. O mercado passou a esperar juros básicos de 14% ao ano, ante 13,75% na semana anterior. O movimento ocorre poucos dias depois de o Comitê de Política Monetária, o Copom, reduzir a Selic em 0,25 ponto percentual, para 14,25% ao ano. Mercado eleva previsão para juros e inflação A nova rodada do Focus reforça a leitura de que a inflação continua resistente. A meta definida pelo Conselho Monetário Nacional é de 3%, com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou para menos. Isso significa que o teto da meta é de 4,5%. Com previsão de 5,33%, o IPCA esperado para 2026 segue acima do intervalo perseguido pelo Banco Central. Em maio, a inflação oficial foi pressionada pelos alimentos e fechou em 0,58%. No acumulado em 12 meses, o IPCA chegou a 4,72%, acima do teto da meta, segundo dados citados pela Agência Brasil com base no IBGE. Esse quadro reduz o espaço para cortes mais fortes nos juros. A inflação acima da meta, combinada com incertezas externas e pressões domésticas, obriga o Banco Central a manter uma postura cautelosa. Selic deve terminar 2026 em 14% A previsão de Selic a 14% no fim do ano indica que o mercado espera um ciclo de queda mais limitado. A taxa básica está atualmente em 14,25% ao ano, após três cortes consecutivos de 0,25 ponto percentual pelo Copom. Na ata mais recente, o Banco Central indicou que pode combinar pausas e novos cortes para conduzir a inflação de volta à meta de forma gradual. A autoridade monetária argumentou que tentar forçar uma convergência mais rápida poderia provocar mudanças bruscas nos juros e maior volatilidade na economia. A próxima reunião do Copom está marcada para os dias 4 e 5 de agosto. Segundo a Agência Brasil, o mercado vê esse encontro como possível momento da última redução da Selic no ano, caso os dados econômicos permitam. Juros altos pesam sobre crédito e consumo A manutenção de juros elevados tem efeitos diretos sobre famílias e empresas. Quando a Selic fica alta, empréstimos, financiamentos, cartões, capital de giro e compras parceladas tendem a ficar mais caros. Isso reduz o consumo, dificulta investimentos e aumenta o custo de rolagem de dívidas. Para o setor produtivo, a preocupação é dupla. De um lado, juros altos ajudam a conter a inflação. De outro, encarecem o crédito e limitam a expansão de empresas, especialmente pequenos negócios, construção civil, varejo e setores que dependem de financiamento. A alta nas projeções também aumenta a pressão sobre a política fiscal. Em um ambiente de inflação resistente, gastos públicos elevados ou estímulos mal calibrados podem dificultar o trabalho do Banco Central e prolongar o período de juros altos. PIB e dólar também aparecem no Focus O Boletim Focus também trouxe ajustes nas projeções de atividade econômica. A estimativa para o crescimento do Produto Interno Bruto em 2026 passou de 1,96% para 1,98%. Para 2027, a previsão permaneceu em 1,7%, enquanto 2028 e 2029 seguem com expectativa de avanço de 2%. No câmbio, a previsão para o dólar ao fim de 2026 ficou em R$ 5,20. Para o fim de 2027, o mercado projeta a moeda americana a R$ 5,27. Esses indicadores ajudam a medir o grau de confiança do mercado. Crescimento moderado, inflação acima da meta e juros ainda elevados formam um cenário que exige prudência de consumidores, empresários e governo. Desafio é reduzir inflação sem travar a economia O principal desafio do Banco Central será conduzir a inflação de volta à meta sem provocar uma desaceleração excessiva da atividade econômica. Para isso, a autoridade monetária dependerá dos próximos dados de preços, emprego, crédito, câmbio e contas públicas. A sinalização do Focus é clara: o mercado ainda vê inflação pressionada e juros altos por mais tempo. Para o Brasil voltar a ter crédito mais barato de forma sustentável, será necessário combinar política monetária responsável, controle fiscal, previsibilidade institucional e melhora no ambiente de negócios.

Rio Verde lidera exportações de Goiás e movimenta US$ 300,8 milhões em maio

Com força do agro, Rio Verde responde por 23% das exportações goianas em maio Rio Verde voltou a confirmar seu peso no agronegócio brasileiro ao liderar as exportações de Goiás em maio de 2026. Segundo dados divulgados pela Secretaria de Estado de Indústria, Comércio e Serviços, a SIC, o município movimentou US$ 300,8 milhões em vendas internacionais no mês, o equivalente a 23,06% de tudo o que o estado exportou no período. O desempenho colocou Rio Verde na liderança isolada do ranking estadual. O resultado foi mais que o dobro do registrado por Jataí, segundo colocado, que exportou US$ 130,4 milhões e respondeu por 10% das vendas externas goianas em maio. Na sequência apareceram Alto Horizonte, com US$ 116,6 milhões; Mozarlândia, com US$ 63,1 milhões; e Palmeiras de Goiás, com US$ 56,9 milhões. Rio Verde lidera exportações de Goiás O resultado reforça a posição de Rio Verde como um dos principais polos agroindustriais do Centro-Oeste. A cidade reúne produção em larga escala, presença de agroindústrias, estrutura logística, armazenagem, processamento e conexão direta com cadeias exportadoras. Em maio, Goiás registrou exportações totais de aproximadamente US$ 1,3 bilhão e importações de US$ 502,2 milhões, gerando saldo comercial positivo de US$ 802,6 milhões, de acordo com levantamento da Federação das Indústrias do Estado de Goiás. Dentro desse cenário, a participação de Rio Verde chama atenção. Sozinho, o município respondeu por quase um quarto das exportações estaduais no mês, demonstrando que sua economia não depende apenas da produção primária, mas de uma cadeia mais ampla, ligada a alimentos, grãos, carnes, insumos, processamento e distribuição. Agroindústria impulsiona desempenho do município A força exportadora de Rio Verde está associada ao dinamismo do agronegócio e da agroindústria. O município tem forte presença nas cadeias da soja, milho, carnes e biocombustíveis, setores que ajudam a sustentar o movimento econômico local e regional. O desempenho também mostra a importância de agregar valor à produção. Quando uma cidade consegue combinar lavoura, pecuária, industrialização, armazenagem e logística, ela se torna mais competitiva no mercado externo. Esse modelo fortalece empregos, arrecadação, investimentos e oportunidades para empresas ligadas ao setor produtivo. Rio Verde se destaca justamente por ter uma estrutura econômica integrada. A produção rural abastece indústrias, cooperativas, tradings, transportadoras, prestadores de serviço e empresas de apoio ao campo. Essa engrenagem ajuda a explicar por que o município aparece com tanta força no comércio exterior goiano. China segue como principal destino das exportações goianas No recorte estadual, a China permaneceu como principal destino das exportações de Goiás em maio de 2026. O país asiático comprou US$ 673 milhões em produtos goianos, o equivalente a 51,58% do total vendido pelo estado ao exterior. Também se destacaram Estados Unidos, Espanha, Países Baixos e Tailândia. A forte presença da China como compradora reforça a dependência das commodities e dos produtos agroindustriais nas relações comerciais de Goiás. Para municípios como Rio Verde, isso representa oportunidade, mas também exige atenção a fatores como câmbio, demanda internacional, logística, sanidade, competitividade e diversificação de mercados. Quanto maior a inserção internacional, maior também a necessidade de planejamento. A cidade precisa seguir investindo em infraestrutura, qualificação profissional, segurança jurídica, armazenagem e ambiente favorável ao setor produtivo. Liderança reforça papel econômico de Rio Verde A liderança de Rio Verde nas exportações não é apenas um dado comercial. Ela demonstra o peso do município na geração de divisas, na interiorização do desenvolvimento e na consolidação de Goiás como potência do agronegócio nacional. Em um momento em que o Brasil discute competitividade, carga tributária, logística e industrialização, o caso de Rio Verde mostra o impacto positivo de regiões que conseguem transformar vocação produtiva em presença internacional. Ao mesmo tempo, o resultado aumenta a responsabilidade do poder público. Um município com esse peso econômico precisa de estradas eficientes, energia confiável, segurança no campo, políticas de qualificação, incentivo à inovação e estrutura urbana compatível com o crescimento. Desafio é ampliar valor agregado Apesar do resultado expressivo, o desafio de Rio Verde é continuar avançando na agregação de valor. Exportar grãos e produtos agroindustriais é importante, mas ampliar a industrialização local pode multiplicar empregos e aumentar a renda gerada dentro do próprio município. Com exportações de US$ 300,8 milhões em apenas um mês, Rio Verde mostra que tem escala, produção e capacidade empresarial. O próximo passo é fortalecer ainda mais a transformação local, atrair novos investimentos e consolidar cadeias produtivas mais sofisticadas. O desempenho de maio confirma que Rio Verde segue como uma das locomotivas econômicas de Goiás. Mais do que liderar um ranking, o município demonstra que o setor produtivo, quando encontra condições para crescer, é capaz de colocar o interior brasileiro em posição de destaque no mercado internacional.

Abate de gado atinge melhor 1º trimestre da série histórica no Brasil

Pecuária brasileira começa 2026 com recordes em bovinos, suínos e leite O agronegócio brasileiro começou 2026 com números expressivos na produção animal. Dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística mostram que o país registrou crescimento no abate de bovinos, suínos e frangos no primeiro trimestre, além de avanço na aquisição de leite cru e na produção de ovos. O destaque ficou para o abate de bovinos, que chegou a 10,29 milhões de cabeças, o maior volume para um primeiro trimestre desde o início da série histórica da pesquisa, em 1997. Abate de gado no Brasil bate recorde no primeiro trimestre Entre janeiro e março de 2026, foram abatidas 10,29 milhões de cabeças de bovinos sob algum tipo de inspeção sanitária. O número representa alta de 3,3% em relação ao mesmo período de 2025. Na comparação com o quarto trimestre do ano passado, houve queda de 6,8%, movimento considerado comum em razão da sazonalidade da produção pecuária. A produção de carcaças bovinas também avançou. Segundo o IBGE, o volume chegou a 2,63 milhões de toneladas no primeiro trimestre, alta de 5,1% frente ao mesmo período de 2025. O desempenho reforça a força da pecuária de corte brasileira, que segue entre os setores mais competitivos do agro nacional. O resultado é importante não apenas pelo volume, mas também pelo impacto econômico. A cadeia da carne bovina envolve pecuaristas, frigoríficos, transportadores, indústrias, exportadores, comércio e serviços. Quando o abate cresce com inspeção sanitária, há também maior formalização, rastreabilidade e capacidade de atender mercados internos e externos. Suínos e frangos também crescem O setor de suínos também teve desempenho recorde para o período. O Brasil abateu 15,27 milhões de cabeças no primeiro trimestre de 2026, crescimento de 5,5% em relação ao primeiro trimestre de 2025. Na comparação com o trimestre imediatamente anterior, houve leve retração de 0,1%. A produção de carcaças suínas somou 1,37 milhão de toneladas, alta de 2,6% na comparação anual. O avanço mostra a consolidação da suinocultura brasileira, especialmente em regiões com forte presença de integração produtiva, tecnologia no campo e estrutura industrial organizada. No frango, o país registrou o abate de 1,71 bilhão de cabeças no primeiro trimestre. O resultado ficou 3,7% acima do observado no mesmo período de 2025. O peso acumulado das carcaças chegou a 3,73 milhões de toneladas, alta de 7% na comparação anual e avanço de 2,3% frente ao quarto trimestre de 2025. Leite cru e ovos reforçam bom momento da produção animal A aquisição de leite cru pelas indústrias sob inspeção sanitária também cresceu. O volume chegou a 6,78 bilhões de litros no primeiro trimestre de 2026, alta de 3,3% em relação ao mesmo período do ano anterior. Em relação ao quarto trimestre de 2025, houve queda de 7,9%. A produção de ovos de galinha somou 1,21 bilhão de dúzias, com crescimento de 0,4% na comparação anual. Mesmo sendo uma alta moderada, o número mostra estabilidade em um segmento essencial para a segurança alimentar e para o consumo diário das famílias brasileiras. Já a aquisição de couro cru bovino pelos curtumes atingiu 10,76 milhões de peças no primeiro trimestre. O volume ficou estável em relação ao primeiro trimestre de 2025 e caiu 3,3% frente ao trimestre anterior. Agro mantém peso estratégico na economia Os dados reforçam o papel estratégico da pecuária e da produção animal para a economia brasileira. O setor gera empregos, movimenta cadeias produtivas regionais, sustenta exportações e contribui para o abastecimento interno de alimentos. O bom desempenho também mostra a importância de políticas voltadas à sanidade animal, logística, segurança jurídica e abertura de mercados. Em um país com forte vocação produtiva, o crescimento sustentável do agro depende de infraestrutura, previsibilidade e ambiente favorável ao investimento privado. Apesar dos recordes, o setor ainda enfrenta desafios. Custos de produção, logística, câmbio, exigências sanitárias, pressão ambiental e necessidade de agregação de valor seguem no radar de produtores e indústrias. A expansão da produção precisa caminhar junto com eficiência, tecnologia e responsabilidade no uso dos recursos naturais. O primeiro trimestre de 2026, porém, confirma que a produção animal brasileira segue competitiva e capaz de ampliar sua presença no mercado interno e internacional. Para um país que busca crescimento econômico, geração de renda e fortalecimento do setor produtivo, os números do IBGE mostram que o agro continua sendo uma das bases mais sólidas da economia nacional.

Rio Verde acumula déficit de 1,2 milhão de toneladas em armazenagem de grãos

Produção agrícola cresce mais rápido que silos e pressiona logística em Rio Verde Produção agrícola supera capacidade de armazenagem em Rio Verde Rio Verde, uma das principais potências do agronegócio brasileiro, enfrenta um gargalo crescente na armazenagem de grãos. Mesmo com 129 unidades armazenadoras e capacidade estática aproximada de 2,7 milhões de toneladas, o município produziu mais de 4 milhões de toneladas de soja, milho e sorgo, gerando um déficit superior a 1,2 milhão de toneladas, segundo levantamento divulgado pelo Rio Verde Rural. O problema expõe uma contradição do sucesso produtivo local: a produção no campo avança em ritmo mais acelerado do que os investimentos em silos, armazéns e estruturas de pós-colheita. O resultado é uma pressão maior sobre produtores, cooperativas, cerealistas, transportadoras e indústrias que dependem de fluxo contínuo de grãos. Déficit de armazenagem reduz poder de negociação Na prática, quando não há espaço suficiente para guardar a safra, muitos produtores são obrigados a vender logo após a colheita, justamente no período em que há maior oferta e, muitas vezes, menor margem de negociação. Documentos técnicos sobre armazenagem no Brasil apontam que a estrutura adequada permite ao produtor aguardar melhores oportunidades de comercialização e reduzir custos de frete em momentos de pico de escoamento. Esse é um ponto estratégico para Rio Verde. A cidade tem forte produção de soja e milho. Em 2024, por exemplo, a expectativa divulgada pelo prefeito Paulo do Vale era de 1,8 milhão de toneladas de soja e 2,5 milhões de toneladas de milho na safra local, números que ajudam a dimensionar o peso do município no agro goiano. Quando a estrutura de armazenagem não acompanha esse volume, o produtor perde flexibilidade. Em vez de decidir o melhor momento para vender, ele passa a depender de janela logística, preço de frete, fila de descarga e disponibilidade de terceiros. Gargalo afeta logística, renda e competitividade O déficit de armazenagem também aumenta o custo logístico. Caminhões passam a circular de forma concentrada durante a colheita, sobrecarregando estradas, pátios, tradings e unidades de recebimento. Esse acúmulo pode gerar filas, demora no descarregamento, aumento de custos operacionais e perda de eficiência. Para uma cidade que depende fortemente do agro, o impacto vai além da porteira. Armazenagem insuficiente pode limitar a agregação de valor, reduzir a previsibilidade para indústrias e dificultar a atração de novos projetos de processamento local. Rio Verde já se consolidou como polo produtivo, logístico e industrial. No entanto, para transformar produção em renda duradoura, é preciso ampliar a infraestrutura que sustenta a cadeia. Silos, armazéns, secadores, unidades de classificação e estruturas de transbordo são ativos fundamentais para dar mais autonomia ao produtor e mais estabilidade ao mercado regional. Problema não é exclusivo de Rio Verde O desafio da armazenagem não atinge apenas Rio Verde. Em estudo técnico apresentado no âmbito do Ministério da Agricultura, dados da Conab indicavam que, entre 2001 e 2021, a produção agrícola cresceu 223,19%, enquanto a capacidade estática avançou 92,48%, evidenciando um descompasso estrutural no país. O IBGE também registrou que a capacidade de armazenagem agrícola do Brasil chegou a 231,1 milhões de toneladas no primeiro semestre de 2025, alta de 1,8% frente ao semestre anterior. Apesar do avanço, o crescimento nacional ainda convive com pressão de safras volumosas e distribuição desigual das estruturas entre regiões produtoras. No caso do Sudoeste de Goiás, a preocupação é ainda mais relevante porque a região figura entre as áreas de maior produção de grãos do país. Documento da Conab já apontava o Sudoeste goiano entre as microrregiões com maior déficit projetado de capacidade estática a granel até 2030. Investimento em silos é prioridade para o agro local O avanço da armazenagem precisa ser tratado como prioridade de infraestrutura econômica. Linhas de financiamento, segurança jurídica, licenciamento mais ágil, acesso à energia, incentivos à armazenagem em fazendas e parcerias com cooperativas podem acelerar a expansão da capacidade instalada. Também há espaço para estimular a industrialização local. Quanto mais grão for processado em Rio Verde, maior será a geração de empregos, renda, arrecadação e valor agregado. A produção agrícola não deve ser vista apenas como volume transportado para fora, mas como base para cadeias industriais mais fortes. Rio Verde segue como vitrine do agronegócio nacional. O desafio agora é garantir que a infraestrutura cresça na mesma velocidade da produtividade. Sem isso, parte do potencial econômico da cidade continuará represada por um gargalo que já ultrapassa 1,2 milhão de toneladas.

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