Calor na Europa provoca mais de 1.300 mortes acima do esperado, diz OMS

OMS alerta que onda de calor na Europa virou “assassino silencioso” e expõe falhas de infraestrutura A forte onda de calor que atinge a Europa provocou mais de 1.300 mortes acima do esperado desde 21 de junho, segundo afirmou o diretor-geral da Organização Mundial da Saúde, Tedros Adhanom Ghebreyesus. Em publicação neste domingo (28), ele disse que cerca de 150 milhões de pessoas estão expostas ao calor extremo no continente e classificou o estresse térmico como um “assassino silencioso”. O alerta reforça a gravidade de um fenômeno que deixou de ser episódico. Segundo Tedros, ondas de calor antes descritas como eventos “uma vez a cada geração” passaram a ocorrer quase todos os anos na Europa, continente que aquece em ritmo mais acelerado que a média global. Calor na Europa pressiona sistemas de saúde A onda de calor tem provocado aumento da demanda por atendimento médico, fechamento de escolas, impacto em redes elétricas e dificuldades em estruturas urbanas que não foram projetadas para suportar temperaturas tão elevadas. A OMS afirma que trabalha com Estados-membros e parceiros para fortalecer ações de prevenção, preparação e resposta dos sistemas de saúde. O calor extremo é especialmente perigoso porque nem sempre causa sinais imediatos percebidos pela população. Idosos, crianças pequenas, pessoas com doenças crônicas, trabalhadores expostos ao sol e moradores de residências sem ventilação adequada estão entre os grupos mais vulneráveis. Em episódios prolongados, o corpo pode ter dificuldade para regular a temperatura, aumentando o risco de desidratação, exaustão pelo calor e agravamento de doenças cardiovasculares, respiratórias e renais. Mortes acima do esperado acendem alerta As chamadas mortes acima do esperado indicam um aumento no número de óbitos em comparação com o padrão normal para o mesmo período. Esse dado é usado por autoridades de saúde para medir o impacto indireto de eventos extremos, como ondas de calor, pandemias ou desastres naturais. Na França, autoridades registraram cerca de 1.000 mortes adicionais durante a onda de calor, com maior impacto entre idosos. O número pode ser revisado à medida que novos dados forem consolidados pelas autoridades sanitárias. Outros países europeus também enfrentam temperaturas elevadas, interrupções em serviços públicos e pressão sobre hospitais. Em alguns locais, eventos foram cancelados, escolas tiveram funcionamento alterado e sistemas de transporte e energia sofreram impactos. Europa não está preparada para temperaturas extremas A fala de Tedros expõe um problema estrutural: grande parte das casas, escolas, locais de trabalho e hospitais europeus foi construída para um clima historicamente mais ameno. Em muitos países, o uso de ar-condicionado é menos comum do que em regiões acostumadas a verões severos. Com temperaturas mais altas e frequentes, edifícios antigos, ruas com pouca arborização, transporte público sem climatização e sistemas elétricos sobrecarregados ampliam o risco para a população. A adaptação climática passa a ser uma necessidade de saúde pública, não apenas uma pauta ambiental. A OMS defende que países implementem planos de ação contra o calor, com alertas antecipados, orientação à população, proteção de grupos vulneráveis, reforço no atendimento de saúde e medidas urbanas para reduzir ilhas de calor. Mudanças climáticas ampliam eventos extremos Especialistas associam o aumento da frequência e intensidade das ondas de calor às mudanças climáticas. Levantamento do World Weather Attribution aponta que emissões de combustíveis fósseis agravaram rapidamente as ondas de calor europeias nas últimas décadas e tornaram esses episódios mais severos. Para os governos, o desafio é combinar medidas de curto prazo, como abrigos climatizados e alertas de emergência, com políticas de longo prazo, incluindo arborização urbana, construção adaptada ao calor, proteção de idosos e investimentos em infraestrutura resiliente. A situação também tem impacto econômico. Calor extremo reduz produtividade, afeta agricultura, pressiona sistemas de energia, prejudica transporte e aumenta gastos com saúde. Em países densamente povoados, esse conjunto de efeitos pode se espalhar rapidamente. Alerta deve servir de prevenção A onda de calor na Europa mostra que eventos climáticos extremos já representam uma ameaça concreta à saúde pública. Para a OMS, a resposta precisa ser coordenada, preventiva e baseada em evidências, com foco especial em quem tem menos condições de se proteger. O balanço de mais de 1.300 mortes acima do esperado reforça que o calor não pode ser tratado como incômodo passageiro. Em períodos de temperatura extrema, informação correta, hidratação, acompanhamento de idosos e estrutura adequada podem salvar vidas.
Novo tremor atinge a Venezuela após terremotos que deixaram cerca de 1,5 mil mortos

Venezuela registra réplica de magnitude 4,6 enquanto equipes seguem buscas por sobreviventes
El Niño ameaça agricultura mundial com risco de seca extrema, alerta FAO

Novo El Niño coloca produção de alimentos em alerta e pode afetar safras no Brasil
Em áudio captado no G7, Lula diz que “não suporta” comportamento do governo Trump

Fala de Lula sobre governo americano no G7 amplia tensão diplomática com os EUA O presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou a criticar o governo dos Estados Unidos durante a cúpula do G7, na França, em uma conversa informal com o presidente da Coreia do Sul, Lee Jae-myung. O trecho foi captado por uma equipe da agência Associated Press enquanto os líderes estavam próximos aos microfones antes do início de uma reunião. Segundo a revista Veja, Lula afirmou que o Brasil “não gosta de briga” e que “não tem divergência com nenhum país”, mas completou: “Eu não suporto o comportamento do governo americano”. Fala de Lula no G7 foi captada por microfones A conversa ocorreu em um ambiente de bastidores, mas com os líderes já posicionados para a reunião. Por isso, parte do diálogo acabou registrada por equipes de imprensa presentes no local. A fala ganhou repercussão por ocorrer em um momento de tensão entre Brasília e Washington. O governo brasileiro tem criticado medidas adotadas pela gestão de Donald Trump, especialmente em temas comerciais e de segurança internacional. Em outro trecho captado durante a cúpula, Lula também conversou com a diretora do Fundo Monetário Internacional, Kristalina Georgieva, e com o chanceler alemão, Friedrich Merz. Segundo a Veja, o presidente afirmou que “o mundo não é de esquerda” e defendeu o “caminho do meio” como posição política. Relação com os Estados Unidos passa por desgaste A declaração de Lula ocorre em meio a uma série de atritos recentes com os Estados Unidos. Um dos principais pontos de tensão é a proposta do governo americano de aplicar tarifa de 25% sobre produtos brasileiros no âmbito de uma investigação comercial conduzida pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos, o USTR. A apuração envolve temas como comércio digital, serviços de pagamento eletrônico, tarifas preferenciais, propriedade intelectual, etanol e desmatamento ilegal. Outro ponto sensível é a decisão dos Estados Unidos de classificar o Comando Vermelho e o Primeiro Comando da Capital, PCC, como organizações terroristas estrangeiras. O governo Lula rejeitou a medida e a classificou como interferência em assunto de soberania brasileira, enquanto Washington argumenta que a decisão faz parte de sua estratégia de combate ao crime transnacional. Lula já havia criticado protecionismo e unilateralismo Durante discurso no G7, Lula também criticou o que chamou de protecionismo e unilateralismo, em fala feita praticamente diante de Trump, que estava sentado do lado oposto da mesa, segundo relato da Veja. O presidente brasileiro defendeu respeito à soberania dos países no combate ao crime transnacional. Do ponto de vista diplomático, o episódio exige cautela. Críticas públicas ou captadas em bastidores podem fortalecer a posição política interna de um governo, mas também aumentam o risco de ruídos em negociações comerciais, investimentos e cooperação em segurança. Para o Brasil, a relação com os Estados Unidos é estratégica. O país precisa defender sua soberania e seus interesses, mas também preservar canais de diálogo com uma das maiores economias do mundo. Em momentos de tensão, a comunicação institucional pesa tanto quanto a posição política. Encontro bilateral não ocorreu Segundo a Veja, auxiliares afirmaram que Lula antecipou sua ida ao G7 com o objetivo de tentar viabilizar um encontro bilateral com Trump para tratar das tarifas e da classificação das facções brasileiras como terroristas. A reunião, porém, não aconteceu e não havia agenda prevista até a publicação da reportagem. Os dois presidentes chegaram a se cumprimentar rapidamente durante o evento. Ainda assim, a ausência de uma reunião formal mostra que a relação bilateral atravessa um momento delicado. O caso deve seguir repercutindo porque envolve comércio exterior, soberania nacional, segurança pública e política internacional. Para setores produtivos brasileiros, especialmente exportadores, qualquer aumento de tarifa pelos Estados Unidos pode afetar competitividade, contratos e previsibilidade econômica. Repercussão amplia debate sobre política externa A fala captada no G7 reforça o estilo direto de Lula em temas internacionais, mas também reacende o debate sobre os limites entre posicionamento político e estratégia diplomática. Em um cenário de disputa econômica global, o Brasil precisa manter firmeza na defesa de seus interesses sem fechar portas para negociação. A relação com os Estados Unidos envolve exportações, tecnologia, investimentos, energia, segurança, defesa e cooperação científica. A declaração de Lula, portanto, vai além de uma frase de bastidor. Ela sintetiza o momento de tensão entre dois governos que divergem em temas relevantes, mas que continuam obrigados a negociar em áreas essenciais para seus países.
EUA e Brasil definem juros em meio a incertezas sobre paz no Oriente Médio

Superquarta de juros coloca Fed, Copom e conflito no Oriente Médio no radar dos mercados As decisões de política monetária nos Estados Unidos e no Brasil movimentaram os mercados nesta quarta-feira (17), em uma Superquarta marcada por inflação persistente, juros elevados e incertezas sobre o cenário geopolítico no Oriente Médio. O Federal Reserve manteve a taxa básica americana na faixa entre 3,50% e 3,75% ao ano, enquanto investidores aguardavam a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) sobre a Selic no Brasil. Fed mantém juros e sinaliza cautela Nos Estados Unidos, a decisão do Fed veio dentro do esperado pelo mercado. A autoridade monetária manteve os juros inalterados, mas as novas projeções chamaram atenção: quase metade dos formuladores de política monetária passou a considerar a possibilidade de alta dos juros ainda em 2026, diante da pressão inflacionária provocada pela alta do petróleo após a guerra envolvendo o Irã. Segundo a Reuters, nove dos 19 dirigentes do Fed agora veem necessidade de aumento da taxa neste ano, enquanto oito defendem manutenção e apenas um projetou corte. A inflação medida pelo PCE deve encerrar o ano em 3,6%, acima da previsão anterior de 2,7%, reforçando a dificuldade do banco central americano em retomar a meta de 2%. Copom decide Selic com inflação acima da meta No Brasil, o Copom chegou à reunião sob pressão semelhante. A Agência Brasil informou que a previsão do mercado financeiro era de manutenção da Selic em 14,5% ao ano neste encontro, após dois cortes consecutivos de 0,25 ponto percentual nas reuniões anteriores. O quadro doméstico continua exigindo cautela. O boletim Focus elevou a projeção da Selic para o fim de 2026 de 13,5% para 13,75% ao ano. A estimativa para o IPCA também subiu para 5,3%, acima do teto da meta de inflação, que é de 4,5%. Ao mesmo tempo, parte do mercado ainda trabalhava com a possibilidade de um novo corte de 0,25 ponto, levando a Selic a 14,25% ao ano, segundo análise de mercado divulgada pelo Banco do Brasil. A dúvida principal, porém, está no ritmo das próximas decisões, já que inflação elevada, atividade aquecida e estímulos fiscais reduzem o espaço para cortes mais fortes. Oriente Médio aumenta pressão sobre petróleo e inflação A Superquarta também ocorreu em meio a sinais contraditórios sobre o Oriente Médio. A Reuters informou que Irã e Estados Unidos devem encerrar confrontos e bloqueios marítimos na região do Golfo, conforme detalhes de um memorando divulgados pela agência oficial iraniana IRNA. O acordo incluiria compromissos sobre tráfego marítimo, ativos iranianos congelados e não produção de armas nucleares. Apesar do possível alívio, investidores seguem cautelosos. A normalização do fluxo no Estreito de Ormuz, uma das principais rotas globais de petróleo, ainda depende de assinatura, implementação e recuperação do transporte marítimo. Qualquer nova tensão pode pressionar combustíveis, fretes, alimentos e inflação em várias economias. Juros altos afetam crédito, consumo e investimento Para o Brasil, a manutenção de juros elevados tem efeitos diretos sobre famílias, empresas e setor produtivo. Crédito mais caro dificulta financiamentos, reduz consumo, encarece capital de giro e adia investimentos. Por outro lado, cortar juros antes de controlar a inflação pode comprometer a credibilidade da política monetária e pressionar ainda mais os preços. Esse equilíbrio é o principal desafio do Banco Central. O país precisa reduzir o custo do dinheiro para estimular crescimento, mas sem perder o controle inflacionário. Em um ambiente de contas públicas pressionadas, incerteza externa e petróleo volátil, a margem de erro fica menor. Mercado financeiro reage com cautela A combinação entre Fed mais duro, dúvidas sobre a Selic e incertezas no Oriente Médio pesou sobre os mercados. Segundo o Banco do Brasil, a Bolsa brasileira fechou em queda de 0,70%, enquanto os principais índices de Wall Street também recuaram. O dólar subiu 0,41% frente ao real, encerrando cotado a R$ 5,1077.
Estudo encontra esqueletos sem crânio de 7 mil anos e sugere ritual funerário

Achado na Eslováquia intriga arqueólogos e revela possível rito do período Neolítico Pesquisadores encontraram dezenas de esqueletos humanos sem crânio em uma vala no sítio neolítico de Vráble, no sudoeste da Eslováquia, em uma descoberta que intriga arqueólogos e pode revelar novas informações sobre rituais funerários praticados há cerca de 7 mil anos. O estudo foi publicado no periódico Proceedings of the Prehistoric Society e analisou o contexto arqueológico, a posição dos restos humanos e os primeiros indícios deixados nos ossos. O achado ocorreu em uma área associada à cultura da Cerâmica Linear, uma das primeiras sociedades agrícolas da Europa Central. Segundo a Universidade de Kiel, na Alemanha, os trabalhos em Vráble identificaram quatro pares de esqueletos sem cabeça e uma vala coletiva com pelo menos 77 indivíduos, sendo apenas uma criança encontrada com o crânio preservado. Esqueletos sem crânio foram encontrados em Vráble As escavações no local ganharam força a partir de 2022, quando os pesquisadores passaram a investigar uma vala no entorno de uma antiga área de ocupação. O sítio de Vráble é considerado relevante porque reúne vestígios de um assentamento neolítico com centenas de estruturas habitacionais identificadas ao longo das pesquisas. A disposição dos esqueletos chamou atenção dos especialistas. Em vez de sepultamentos individuais tradicionais, os corpos foram encontrados em uma vala, alguns em pares e outros em deposição coletiva. A ausência dos crânios levantou inicialmente a hipótese de violência, conflito ou execução, mas os pesquisadores apontam que os primeiros dados não sustentam uma conclusão simples nesse sentido. Remoção pode ter ocorrido após a morte De acordo com os autores, as primeiras análises sugerem que a retirada dos crânios ocorreu provavelmente após a morte e de forma deliberada. A Universidade de Kiel informou que os indícios apontam para uma remoção cuidadosa, e não para uma decapitação violenta em contexto de combate. Os pesquisadores também observaram marcas compatíveis com o uso de ferramentas afiadas e a presença de vértebras cervicais em associação aos esqueletos, elementos que ajudam a sustentar a hipótese de uma prática intencional. Ainda assim, os cientistas tratam a interpretação com cautela, pois novas análises laboratoriais e comparações com outros sítios arqueológicos ainda serão necessárias. Ritual funerário é principal hipótese A principal hipótese apresentada até agora é que os indivíduos tenham participado de algum tipo de ritual funerário ou prática simbólica ligada à morte. No Neolítico, a cabeça humana podia ter forte significado social, espiritual ou identitário, embora o sentido exato dessa prática em Vráble ainda não esteja definido. O fato de os crânios não terem sido encontrados no mesmo local amplia o mistério. Para os arqueólogos, eles podem ter sido removidos para outro espaço, usados em cerimônias ou preservados de forma separada. Essa possibilidade se conecta a práticas conhecidas em outras regiões antigas, nas quais partes do corpo tinham significado simbólico nas relações com ancestrais, memória e identidade coletiva. Descoberta ajuda a entender sociedades agrícolas antigas O estudo é importante porque mostra que as primeiras comunidades agrícolas da Europa tinham práticas sociais e funerárias mais complexas do que se imaginava. A presença de um grande número de indivíduos no mesmo contexto arqueológico indica que a vala pode ter tido função coletiva, possivelmente ligada à organização social do assentamento. A pesquisa também levanta perguntas sobre possíveis tensões entre grupos, hierarquias internas e ritos de passagem. Os autores ainda não descartam outras interpretações, mas reforçam que a ausência de sinais claros de violência generalizada torna a hipótese ritual mais consistente neste momento. Novas análises devem esclarecer o mistério Os próximos passos incluem estudos mais detalhados dos ossos, datações, análise de DNA antigo e exames isotópicos, capazes de indicar origem, dieta, parentesco e possíveis relações entre os indivíduos encontrados. Esses dados podem ajudar a responder se as pessoas pertenciam à própria comunidade de Vráble ou se vieram de outros grupos. Até lá, o achado segue como uma das descobertas mais intrigantes da arqueologia europeia recente. O caso mostra como a investigação científica pode transformar uma cena inicialmente interpretada como violência em uma possível janela para crenças, rituais e formas de organização de sociedades que viveram há milhares de anos.
Derretimento do gelo no Ártico ameaça cadeia alimentar marinha, aponta estudo

Perda de gelo reduz nutriente essencial e acende alerta para vida marinha no Ártico O derretimento acelerado do gelo marinho no Ártico está provocando uma mudança química com potencial de afetar toda a cadeia alimentar da região. Um estudo publicado em 28 de maio de 2026 na revista Communications Earth & Environment mostra que a perda de gelo reduziu os níveis de nitrato nas águas superficiais, nutriente essencial para o crescimento do fitoplâncton, organismos microscópicos que sustentam a vida marinha desde a base. A pesquisa foi conduzida por cientistas da Universidade de Edimburgo e de instituições parceiras da Noruega, Escócia, Dinamarca e Alemanha. Os pesquisadores analisaram dados coletados entre 1998 e 2023 no Estreito de Fram, passagem entre a Groenlândia e Svalbard, considerada uma das principais rotas de saída das águas do Oceano Ártico para o Atlântico. Derretimento do gelo no Ártico altera nutrientes do oceano De acordo com o estudo, o sistema entrou em uma nova fase por volta de 2009. A partir desse período, as concentrações de nitrato nas águas polares superficiais caíram de forma acentuada e não se recuperaram até o fim da série histórica analisada. Antes de 2009, a concentração média era de 3,1 micromolar; depois, caiu para 1,7 micromolar, com valores próximos de zero aparecendo com mais frequência. O nitrato funciona como uma espécie de “fertilizante” natural para o fitoplâncton. Quando esse nutriente diminui, a produtividade desses organismos pode ser limitada, reduzindo a quantidade de energia disponível para espécies maiores, como zooplâncton, peixes, aves marinhas e mamíferos. Fitoplâncton sustenta a cadeia alimentar marinha O fitoplâncton é fundamental para o equilíbrio dos oceanos. Esses organismos realizam fotossíntese, servem de alimento para pequenos animais marinhos e ajudam a transferir energia para níveis mais altos da cadeia alimentar. Durante anos, cientistas acreditavam que a perda de gelo poderia aumentar a produção de fitoplâncton, já que mais luz solar chegaria à superfície do oceano. O novo estudo indica que essa relação mudou: com menos gelo e mais luz, a produtividade aumentou em algumas áreas, mas também acelerou processos no fundo do mar que removem nitrato da água. Esse processo é chamado de desnitrificação bentônica. Ele ocorre em regiões rasas da plataforma continental, onde o nitrato é convertido em gás nitrogênio e deixa de ficar disponível para os organismos que dependem dele. Segundo os pesquisadores, esse mecanismo ganhou força especialmente nas plataformas da Sibéria e do Alasca. Mudança pode favorecer organismos menores A queda do nitrato pode alterar quais tipos de fitoplâncton conseguem prosperar no Ártico. Segundo os cientistas, ambientes com menos nitrato tendem a favorecer espécies menores, que transferem energia de forma menos eficiente para animais maiores. Isso significa que a mudança não afeta apenas microrganismos invisíveis a olho nu. Ela pode chegar a peixes, aves, baleias e outros animais que dependem de uma cadeia alimentar produtiva. Os pesquisadores alertam que as consequências completas ainda precisam ser acompanhadas, inclusive em regiões conectadas ao Ártico, como o Atlântico Norte. Oceano também pode armazenar menos carbono Além do impacto sobre a vida marinha, a redução do fitoplâncton pode afetar a capacidade do oceano de retirar dióxido de carbono da atmosfera. Esses organismos absorvem carbono durante a fotossíntese e parte desse material pode afundar, ajudando no armazenamento de carbono em águas profundas. Se a produtividade do fitoplâncton for limitada pela falta de nutrientes, esse mecanismo natural pode se tornar menos eficiente. Por isso, a mudança observada no Ártico não é apenas uma questão ambiental regional, mas também um alerta climático global. Ártico exige monitoramento contínuo O estudo também mostra que o Ártico está mudando rapidamente. Desde 1990, a concentração de gelo marinho em setembro nas plataformas da Sibéria e do Alasca caiu cerca de 50%, enquanto o tempo médio de permanência do gelo no Oceano Ártico passou de 4,3 para 2,7 anos. Para os pesquisadores, o ecossistema pode ter passado por um ponto de inflexão por volta de 2009. A recomendação é ampliar o monitoramento químico e biológico das águas do Ártico para entender como a perda de nitrato afetará a pesca, a biodiversidade e o papel dos oceanos no equilíbrio climático.
RÚSSIA ANUNCIA QUE VACINA CONTRA O CÂNCER ESTÁ PRONTA E SERÁ OFERECIDA GRATUITAMENTE PARA TODOS OS PACIENTES DO MUNDO

A Rússia anunciou o desenvolvimento de uma vacina experimental contra o câncer baseada em tecnologia mRNA, projetada para estimular o sistema imunológico a identificar e combater células tumorais de forma personalizada. Segundo autoridades russas, os primeiros estudos apresentaram resultados promissores na redução do avanço de tumores e metástases, e a intenção é disponibilizar o tratamento gratuitamente caso ele seja aprovado em todas as etapas clínicas e regulatórias. O anúncio rapidamente ultrapassou o campo científico e passou a gerar debates sobre os impactos econômicos e geopolíticos de uma possível terapia de baixo custo para uma das doenças que mais movimentam a indústria farmacêutica mundial. Especialistas reforçam que ainda são necessários estudos clínicos mais amplos para comprovar a eficácia e a segurança do tratamento, mas o tema já levanta discussões importantes sobre acesso à saúde, patentes e o futuro da medicina personalizada. Enquanto a ciência continua avançando, cresce também uma pergunta que divide opiniões: o mundo está preparado para tornar tratamentos inovadores realmente acessíveis para todos?
REINO UNIDO RECONHECEU A DOR DAS LAGOSTAS E FERVER VIVAS DEIXOU DE SER ACEITÁVEL

Durante muito tempo, jogar lagostas e caranguejos vivos na água fervendo foi tratado como rotina de cozinha. Agora, isso começou a mudar. O Reino Unido reconheceu oficialmente que crustáceos como lagostas e caranguejos são seres sencientes, capazes de sentir dor e sofrimento. O ponto mais forte não está só na ciência. Está no que vem depois dela. Na estratégia de bem-estar animal para a Inglaterra, o governo deixou claro que ferver esses animais vivos não é um método aceitável de abate e prometeu publicar orientações e rever se a lei precisa ser endurecida. No fim, a discussão deixou de ser gastronômica. Virou moral.
Irã classifica nova ameaça de sanções dos EUA: “Terrorismo econômico”

O Ministério das Relações Exteriores do Irã criticou a possibilidade de novas sanções por parte dos Estados Unidos (EUA), classificando a medida como “terrorismo econômico”. A reação veio após declarações do secretário do Tesouro norte-americano, Scott Bessent, que indicou que Washington pode ampliar as restrições contra Teerã. Segundo o porta-voz da chancelaria iraniana, Esmaeil Baghaei, essas ações equivalem a práticas de extorsão estatal e, pelos seus efeitos acumulados, poderiam até ser consideradas crimes contra a humanidade. A declaração foi publicada nesta quinta-feira (16/4) na rede social X. “São nada menos que terrorismo econômico e extorsão patrocinada pelo Estado – ações que constituem crimes contra a humanidade e, no seu efeito cumulativo, constituem genocídio”, disse o porta-voz do ministério, Esmaeil Baghaei. Para o governo iraniano, a intensificação das sanções representa uma forma de pressão econômica extrema, com impactos diretos sobre a população. Do lado americano, o alerta foi feito durante uma coletiva de imprensa na Casa Branca, na quarta-feira (15/4). A proposta inclui a adoção de sanções secundárias, que não atingiriam apenas o Irã, mas também empresas, embarcações e até países envolvidos na comercialização de petróleo e gás iranianos.