Goiás tem menos filhos por mulher e registra maternidade mais tardia, aponta IBGE
Queda nos nascimentos em Goiás revela mudança no perfil das famílias e pressão do custo de vida Goiás vive uma mudança silenciosa, mas profunda, no perfil das famílias. Dados da amostra do Censo 2022 mostram que o estado chegou a 1,57 filho por mulher, abaixo do nível de reposição populacional, estimado em 2,1 filhos por mulher. A idade média da fecundidade entre as goianas também subiu e chegou a 27,8 anos, indicando que a maternidade tem ocorrido mais tarde. A tendência aparece também nos registros de nascimento. Segundo as Estatísticas do Registro Civil do IBGE, Goiás contabilizou 79.099 nascidos vivos em 2024, contra 81.869 em 2023. A queda foi de 3,3%, e o resultado é o menor desde o início da série histórica, em 2003. Goiás tem menos filhos por mulher A taxa de fecundidade total mostra o número médio de filhos que uma mulher teria ao longo da vida reprodutiva, caso fossem mantidos os padrões de fecundidade observados no período analisado. No Brasil, o Censo 2022 apontou taxa de 1,55 filho por mulher, também abaixo do nível necessário para manter a população estável sem considerar migrações. Em Goiás, o índice de 1,57 filho por mulher coloca o estado em situação muito próxima da média nacional. O dado confirma que a redução da fecundidade deixou de ser uma tendência restrita aos grandes centros do Sudeste e passou a fazer parte da realidade de estados em crescimento econômico, como Goiás. A queda no número de filhos tem impacto direto no futuro da população. Com menos nascimentos, a tendência é de envelhecimento demográfico, redução gradual da proporção de crianças e aumento da demanda por políticas públicas voltadas à população adulta e idosa. Maternidade ocorre mais tarde entre as goianas Além de ter menos filhos, as mulheres goianas estão adiando a maternidade. A idade média da fecundidade em Goiás passou de 26 anos em 2010 para 27,8 anos em 2022, segundo o Censo. Esse movimento acompanha a tendência nacional de postergação da maternidade, influenciada por fatores econômicos, sociais, educacionais e profissionais. O próprio IBGE aponta que o aumento da idade média da fecundidade está relacionado a mudanças como maior escolaridade feminina, presença mais forte das mulheres no mercado de trabalho e novas escolhas familiares. Na prática, muitas mulheres têm priorizado estudo, carreira, estabilidade financeira e moradia antes de ter filhos. Esse comportamento altera o ciclo familiar tradicional e exige adaptação de políticas públicas, empresas, escolas e serviços de saúde. Nascimentos caem ao menor nível da série histórica A redução dos nascimentos reforça a dimensão prática dessa mudança. Em 2024, Goiás registrou 79.099 nascidos vivos, menor número desde 2003. O recuo em relação a 2023, quando foram contabilizados 81.869 registros, mostra continuidade de uma trajetória de queda. As Estatísticas do Registro Civil do IBGE reúnem informações sobre nascidos vivos, casamentos, óbitos, óbitos fetais e divórcios, com base nos registros informados pelos cartórios. A pesquisa é uma das principais fontes para acompanhar mudanças demográficas no país. A queda não deve ser vista apenas como uma escolha individual. Ela reflete o ambiente econômico e social em que as famílias estão inseridas. Moradia cara, custo de alimentação, despesas com saúde, educação, transporte e instabilidade no mercado de trabalho pesam diretamente na decisão de ter filhos. Custo de vida pesa na decisão das famílias Para o contador e economista Marcelo Marques, a mudança passa pelo orçamento familiar. Segundo ele, ter um filho significa assumir uma despesa de longo prazo justamente em uma fase em que muitos jovens ainda estão construindo carreira e tentando formar patrimônio. A análise ajuda a explicar por que a decisão de ter filhos tem sido cada vez mais planejada. Diferentemente de gerações anteriores, muitos casais adiam a parentalidade até alcançar maior segurança financeira. Esse ponto tem relevância econômica. Famílias menores podem ter mais capacidade de direcionar renda para educação, moradia e consumo de longo prazo. Ao mesmo tempo, a queda persistente da natalidade pode pressionar no futuro áreas como previdência, mercado de trabalho, rede escolar e planejamento urbano. Mudança exige planejamento público e econômico A redução da fecundidade em Goiás não é necessariamente um problema isolado, mas um sinal de transformação estrutural. O desafio do poder público é antecipar seus efeitos. Menos crianças hoje significam, no futuro, uma população economicamente ativa menor em proporção aos idosos. Esse cenário exige políticas de longo prazo: creches acessíveis, educação de qualidade, apoio à maternidade e à paternidade, saúde preventiva, segurança no trabalho e ambiente econômico favorável para jovens famílias. Também há impacto para o setor produtivo. Empresas precisarão lidar com uma força de trabalho que envelhece, enquanto municípios deverão ajustar serviços públicos a uma população com novas demandas. A decisão de casar e ter filhos mais tarde revela uma sociedade em transição. Em Goiás, os dados mostram que família, trabalho, renda e planejamento de vida estão cada vez mais conectados. O tema vai além da demografia: envolve desenvolvimento econômico, responsabilidade fiscal, políticas públicas eficientes e condições reais para que as pessoas possam formar família com segurança.
Chacina em Formosa teria sido motivada por cobrança de dívida de R$ 250 mil

Quatro homens são mortos após irem cobrar dívida na casa de PM da reserva em Formosa A chacina em Formosa, no Entorno do Distrito Federal, teria sido motivada pela cobrança de uma dívida de R$ 250 mil, segundo informações da investigação divulgadas pelo Metrópoles. Quatro homens foram mortos na tarde de terça-feira (11/8), no Setor Parque Lago, após irem até a casa de um policial militar da reserva remunerada para cobrar o valor. As vítimas foram identificadas como Gustavo Fernandes Graças, Gustavo Aurélio, André Ferreira, conhecido como Tarobá, e Luiz Antônio Rodrigues, chamado pelo apelido de Nego. De acordo com o Metrópoles, Gustavo Fernandes era ex-secretário municipal de São João da Aliança, em Goiás, e Luiz Antônio era sogro dele. Chacina em Formosa teria relação com dívida Segundo o delegado José Antônio Sena, responsável pelo caso, os quatro homens foram até o imóvel para cobrar a dívida de R$ 250 mil. A cobrança terminou em uma ação violenta que deixou todos mortos. O caso agora é investigado para esclarecer a dinâmica, a motivação completa e a participação de cada suspeito. A Polícia Militar de Goiás foi acionada depois que moradores relataram disparos em via pública. Quando as equipes chegaram ao local, encontraram os quatro homens já sem vida. A caminhonete Volkswagen Amarok em que as vítimas estavam também foi atingida, e uma arma de fogo foi localizada junto a uma das vítimas, conforme as informações divulgadas. Até o momento, não há confirmação pública sobre quem portava a arma encontrada, se houve reação ou se o armamento foi usado. Esses pontos devem ser analisados pela perícia e pela Polícia Civil. PM da reserva é apontado como suspeito Além do policial militar da reserva, o filho dele e um terceiro suspeito também teriam participado da ação. O militar é apontado pela investigação como responsável pelos disparos que mataram os quatro homens, mas todos devem ser tratados como suspeitos até decisão judicial. A polícia procura os envolvidos. A localização dos suspeitos é considerada etapa central para o avanço da apuração, já que os depoimentos poderão esclarecer se houve planejamento, discussão anterior, tentativa de fuga ou participação direta de outras pessoas. Em crimes dessa gravidade, a investigação costuma reunir laudos periciais, imagens de câmeras de segurança, registros telefônicos, depoimentos de testemunhas e informações sobre a origem da dívida. A apuração também deverá verificar se a cobrança tinha relação com algum negócio, empréstimo ou outro tipo de vínculo entre as partes. Vítimas foram identificadas pela investigação Gustavo Fernandes Graças tinha atuação pública em São João da Aliança. Segundo o Metrópoles, ele foi secretário municipal de Agricultura e Transportes entre 2017 e 2019 e, de 2020 a 2024, atuou na Secretaria Municipal de Transportes. Luiz Antônio Rodrigues também era natural de São João da Aliança e era sogro do ex-secretário municipal. Já Gustavo Aurélio e André Ferreira eram de Casa Branca, no interior de São Paulo, conforme informação repassada ao Metrópoles por uma familiar das vítimas. A identificação das vítimas ajuda a polícia a reconstruir a rota do grupo até Formosa e a entender por que os quatro foram juntos ao imóvel. Também pode auxiliar na confirmação de vínculos pessoais, familiares ou financeiros relacionados à dívida investigada. Investigação deve apurar dinâmica dos disparos O caso exige uma apuração técnica e cuidadosa. A presença de uma arma junto a uma das vítimas, a quantidade de disparos, a posição da caminhonete, eventuais marcas no imóvel e a fuga dos suspeitos são elementos que deverão ser confrontados pelos investigadores. A perícia terá papel decisivo para indicar a trajetória dos disparos, a distância aproximada, a posição das vítimas e a sequência provável dos acontecimentos. Essas informações poderão confirmar ou descartar versões apresentadas ao longo da investigação. Também caberá à Polícia Civil esclarecer se o policial da reserva agiu sozinho no momento principal do crime ou se recebeu apoio direto do filho e do terceiro suspeito. A responsabilização de cada um dependerá das provas reunidas. Caso reforça preocupação com violência no Entorno A morte de quatro pessoas em uma mesma ocorrência amplia a preocupação com a segurança pública em Formosa e no Entorno do Distrito Federal. Crimes dessa natureza provocam forte impacto social, geram sensação de insegurança e exigem resposta rápida das instituições. A cobrança de dívidas por meios informais, especialmente quando envolve altos valores e encontro presencial sem mediação jurídica, pode aumentar o risco de conflitos graves. Em um Estado de Direito, disputas financeiras devem ser resolvidas por vias legais, com documentos, ações judiciais e mecanismos formais de cobrança. A investigação segue em andamento. Até novas atualizações, permanecem confirmadas as quatro mortes, a suspeita de motivação ligada à cobrança de R$ 250 mil e a procura pelo policial militar da reserva, pelo filho dele e por um terceiro envolvido.
Mulher morre após passar mal em academia de Anápolis e amiga relata últimos momentos

Morte de Jenekely Morais Santos após treino em academia causa comoção em Anápolis Jenekely Morais Santos, de 42 anos, morreu após passar mal depois de um treino na academia Bluefit, em Anápolis. Mãe de três filhos, ela vivia uma fase de reconstrução pessoal após uma separação e conciliava a rotina de trabalho com os cuidados das crianças. O caso foi relatado ao Mais Goiás por Carlene Santos, melhor amiga de Jenekely, que estava com ela no momento da emergência. Segundo o relato, Jenekely passou mal após o treino e perdeu os sinais vitais ainda no local. A morte causou comoção entre familiares, amigos e pessoas próximas que acompanhavam sua tentativa de reorganizar a vida nos últimos anos. Mulher morre após passar mal em academia de Anápolis Jenekely havia ido treinar na academia Bluefit, em Anápolis, quando a situação de emergência ocorreu. Ainda não há confirmação pública sobre a causa oficial da morte, e o caso deve ser tratado com cautela até a divulgação de informações médicas ou laudo conclusivo. A expressão “passou mal” pode envolver diferentes quadros clínicos, desde situações cardiovasculares e respiratórias até outras emergências súbitas. Por isso, não é possível afirmar o que provocou a morte apenas com base no relato inicial. O Ministério da Saúde orienta que situações de urgência, especialmente problemas cardiorrespiratórios, podem exigir acionamento imediato do Samu 192, serviço que integra a rede de atendimento móvel de urgência do SUS. Jenekely era mãe de três filhos e tentava reconstruir a vida De acordo com pessoas próximas, Jenekely tinha nos três filhos uma das principais razões para seguir em frente. Nos últimos anos, ela passava por uma nova fase após a separação e buscava reorganizar planos pessoais, profissionais e familiares. A rotina era marcada pela tentativa de equilibrar trabalho, maternidade e autocuidado. A ida à academia fazia parte desse processo de retomada, em que a atividade física costuma ser vista como ferramenta de saúde, disciplina e bem-estar. A morte repentina interrompeu planos e deixou uma rede de familiares e amigos em luto. Em casos assim, a preservação dos filhos e da família é essencial, especialmente diante da exposição pública de uma perda sensível. Amiga relata últimos momentos ao lado de Jenekely Carlene Santos, melhor amiga de Jenekely, acompanhou de perto a fase recente da vida dela. As duas eram ex-concunhadas, e os filhos são primos, mas a relação se fortaleceu especialmente depois que ambas passaram por separações. A convivência fez com que Carlene acompanhasse não apenas a rotina da amiga, mas também suas expectativas para o futuro. Ela estava com Jenekely quando a amiga passou mal após o treino e perdeu os sinais vitais. Segundo o relato ao Mais Goiás, Carlene contou como foram os últimos momentos das duas juntas e as últimas palavras que ouviu da amiga. O conteúdo completo das falas não foi informado no material enviado, mas o testemunho reforça o impacto emocional da perda para quem acompanhava Jenekely de perto. Emergências em academias exigem resposta rápida Casos de mal súbito em academias chamam atenção para a importância de protocolos de emergência, treinamento de equipes e acionamento rápido dos serviços de socorro. Locais com grande circulação de pessoas e prática de esforço físico precisam estar preparados para lidar com situações inesperadas. O Ministério da Saúde destaca que, em emergências como problemas cardiorrespiratórios, o atendimento nos primeiros minutos é fundamental. No caso de suspeita de infarto, por exemplo, a orientação é acionar o Samu pelo 192 ou procurar uma emergência cardiológica. Isso não significa que toda morte em ambiente de academia esteja diretamente ligada ao exercício físico. Cada caso precisa ser analisado individualmente por profissionais de saúde e, quando necessário, pelas autoridades competentes. Caso causa comoção e deve ser tratado com cautela A morte de Jenekely Morais Santos mobilizou pessoas próximas pela história de vida, pela maternidade e pelo momento de reconstrução que ela atravessava. O relato da amiga dá dimensão humana ao caso, mostrando que por trás da ocorrência havia uma mulher com filhos, planos e uma rede afetiva. Ao mesmo tempo, é importante evitar especulações sobre eventual responsabilidade da academia, condição pré-existente ou causa clínica sem confirmação oficial. Até o momento, o que se sabe é que Jenekely passou mal após um treino, perdeu os sinais vitais e morreu. O caso reforça a necessidade de atenção a sinais de alerta durante ou após atividades físicas, como dor no peito, falta de ar intensa, tontura, desmaio, palpitações ou mal-estar fora do padrão. Nesses casos, a recomendação é interromper a atividade e buscar atendimento imediatamente. A memória de Jenekely passa a ser lembrada pela família, pelos filhos e pelos amigos que acompanharam sua trajetória. A apuração de novas informações deverá esclarecer detalhes sobre o atendimento e as circunstâncias da emergência.
Mulher de 55 anos é detida após furto em comércio e objetos são recuperados

Força Tática recupera produtos furtados após mulher confessar outros crimes em estabelecimentos Uma mulher de 55 anos foi detida pela equipe da Força Tática do 2º Batalhão da Polícia Militar após uma ocorrência de furto em um estabelecimento comercial. A equipe foi acionada via COPOM e, ao chegar ao local, encontrou a suspeita já contida por funcionários do comércio. De acordo com as informações repassadas pela Polícia Militar, a mulher teria sido flagrada após subtrair objetos do estabelecimento. Durante o atendimento da ocorrência, ela também teria confessado a prática de outros furtos em diferentes comércios. Mulher é detida após furto em estabelecimento comercial A ocorrência teve início depois que funcionários acionaram a Polícia Militar para relatar o furto. Quando os militares chegaram ao endereço, a mulher de 55 anos estava no local e foi identificada como suspeita da prática criminosa. Segundo o relato policial, após ser abordada, ela informou que havia praticado outros furtos e que parte dos objetos subtraídos estaria guardada em sua residência. A informação levou a equipe a ampliar a apuração da ocorrência. O nome da suspeita não foi divulgado. Também não foram informados o nome do comércio, o bairro ou a cidade onde o caso foi registrado. Suspeita indicou endereço e autorizou entrada da equipe Ainda conforme a ocorrência, a mulher indicou aos policiais o endereço onde os objetos estariam armazenados. Ela também teria autorizado a entrada da equipe na residência. No imóvel, os militares localizaram e recuperaram diversos objetos apontados como provenientes de furtos. A lista completa dos materiais não foi divulgada, assim como o valor estimado dos produtos recuperados. A recuperação dos bens será importante para a investigação, especialmente para identificar possíveis vítimas e relacionar os objetos a furtos registrados anteriormente em outros estabelecimentos. Objetos recuperados foram levados à 8ª DRP Após a localização dos materiais, a mulher e os objetos recuperados foram encaminhados à 8ª Delegacia Regional de Polícia. No local, a ocorrência foi apresentada ao delegado de plantão para as providências cabíveis. Caberá à Polícia Civil avaliar o caso, ouvir a suspeita, verificar a origem dos objetos e analisar se há outras ocorrências relacionadas aos produtos encontrados. A autoridade policial também deverá definir o enquadramento adequado, considerando as informações apresentadas pela equipe da Polícia Militar. Até a conclusão da investigação, a mulher deve ser tratada como suspeita e mantém direito à defesa e ao devido processo legal. Confissão deve ser analisada pela investigação Segundo a Polícia Militar, a suspeita confessou outros furtos. Esse tipo de declaração pode auxiliar a investigação, mas precisa ser confrontado com outros elementos, como registros de ocorrência, imagens de câmeras de segurança, reconhecimento dos objetos por vítimas e demais provas documentais. Em casos de furtos sucessivos contra estabelecimentos comerciais, a apuração busca identificar se houve repetição de conduta, quais locais foram atingidos, quando os crimes ocorreram e se outras pessoas participaram. A localização de objetos em uma residência pode reforçar a linha investigativa, mas a responsabilização criminal depende da análise formal da Polícia Civil, do Ministério Público e, posteriormente, do Poder Judiciário. Ação reforça importância do acionamento rápido da PM A ocorrência evidencia a importância do acionamento rápido das forças de segurança em casos de furto no comércio. A resposta imediata permite preservar informações, localizar suspeitos e recuperar objetos antes que sejam repassados ou ocultados. Também reforça o papel dos funcionários e comerciantes na comunicação com a polícia. Ao conter a suspeita e acionar o COPOM, os trabalhadores contribuíram para que a equipe da Força Tática realizasse o atendimento e desse sequência à apuração. Furtos em estabelecimentos comerciais afetam diretamente lojistas, trabalhadores e consumidores. Além do prejuízo financeiro, esse tipo de crime aumenta a sensação de insegurança e pode comprometer a rotina de pequenos negócios. Caso segue sob responsabilidade da Polícia Civil Com a apresentação na 8ª DRP, o caso passa a ser analisado pela autoridade policial. A investigação deverá confirmar a procedência dos objetos recuperados, identificar eventuais vítimas e verificar se a mulher está relacionada a outros furtos na região. Novas informações poderão ser divulgadas após a conclusão dos procedimentos legais. Até o momento, permanecem confirmados o acionamento da Força Tática, a detenção da mulher de 55 anos, a recuperação de diversos objetos e a apresentação da ocorrência na delegacia.
Inmet emite alerta de vendaval para Rio Verde e cidades de Goiás

Rio Verde pode ter ventos de até 60 km/h, alerta Inmet Moradores de Rio Verde e de dezenas de municípios de Goiás devem ficar atentos à possibilidade de rajadas fortes nos próximos dias. O Instituto Nacional de Meteorologia emitiu um alerta amarelo, classificado como perigo potencial, para a ocorrência de vendaval em parte do estado. A informação encaminhada inicialmente aponta que o aviso alcança Rio Verde e outras 41 cidades, com validade até as 23h59 de sábado, 8 de agosto. No entanto, a consulta realizada na tarde desta quinta-feira, 6 de agosto, mostrava para Rio Verde alertas sucessivos de vendaval até as 23h59 de sexta-feira, dia 7. O prazo precisa ser novamente verificado antes da publicação, pois o Inmet pode renovar, ampliar ou encerrar avisos conforme a evolução das condições meteorológicas. A previsão é de ventos entre 40 km/h e 60 km/h. Apesar de o nível amarelo representar o menor grau de severidade na escala de alertas do instituto, existe baixo risco de queda de galhos de árvores e de danos pontuais em placas, coberturas, telhados e outras estruturas vulneráveis. Vendaval pode atingir Rio Verde O alerta de vendaval não significa que todas as cidades incluídas registrarão rajadas com a mesma intensidade. O aviso indica que as condições atmosféricas são favoráveis à ocorrência de ventos fortes em pontos da área delimitada. Em Rio Verde, o tempo deve permanecer predominantemente ensolarado durante o período. A previsão disponível indica temperatura máxima próxima de 34°C na sexta-feira e de 36°C no sábado, com pouca possibilidade de chuva. Mesmo sem tempestades generalizadas, rajadas podem ocorrer associadas à mudança na circulação atmosférica. Áreas abertas, estradas, propriedades rurais e locais com estruturas metálicas ou objetos mal fixados exigem maior atenção. Para o setor produtivo, o vento forte pode causar problemas em coberturas de galpões, sistemas de irrigação, estufas, silos e redes de energia. Produtores e empresas devem verificar preventivamente estruturas externas, sem realizar reparos durante rajadas. Inmet orienta cuidados durante as rajadas Em caso de vento forte, o Inmet recomenda que a população não procure abrigo debaixo de árvores. Mesmo quando o risco é considerado baixo, galhos podem cair e atingir pessoas, veículos ou imóveis. Também não é recomendado estacionar carros perto de torres de transmissão, postes, outdoors ou placas de propaganda. Objetos soltos em quintais, varandas e áreas comerciais devem ser guardados ou fixados antes da intensificação do vento. Quem estiver dirigindo deve reduzir a velocidade e manter distância segura de caminhões, motocicletas e veículos de grande porte, especialmente em trechos abertos de rodovias. Rajadas laterais podem dificultar o controle da direção. Em situações de emergência, a Defesa Civil pode ser acionada pelo telefone 199. O Corpo de Bombeiros atende pelo número 193. Baixa umidade também exige atenção Além do vendaval, Rio Verde aparece sob avisos de baixa umidade. Para sexta-feira, há previsão de umidade relativa do ar entre 20% e 12% durante parte da tarde, faixa que aumenta os riscos de incêndios florestais e de problemas como ressecamento da pele, desconforto nos olhos, boca e nariz. A recomendação é consumir água regularmente, evitar exposição prolongada ao sol e reduzir atividades físicas intensas nos horários mais quentes e secos. O uso de hidratantes e a umidificação dos ambientes também podem ajudar. A combinação de calor, ar seco e ventos fortes aumenta a velocidade de propagação do fogo. Por isso, a população não deve queimar lixo, folhas ou vegetação, nem descartar cigarros ou materiais com fogo às margens de rodovias. Avisos podem ser atualizados Os alertas meteorológicos representam previsões e podem mudar ao longo do dia. O Inmet atualiza as áreas atingidas, os horários e os níveis de risco conforme recebe novos dados de satélites, radares e estações meteorológicas. Moradores devem acompanhar os canais oficiais e comunicados da Defesa Civil municipal. A prevenção é especialmente importante em áreas rurais e regiões mais afastadas, onde a queda de árvores ou interrupções de energia podem demorar mais para ser atendidas. Até o encerramento do alerta, a orientação é evitar locais vulneráveis, proteger objetos soltos e comunicar às autoridades qualquer ocorrência que represente risco à população.
Anatel treina TSE e TREs para bloqueio de sites e aplicativos

Treinamento amplia capacidade da Justiça Eleitoral para bloquear conteúdos A Agência Nacional de Telecomunicações realizou um treinamento técnico destinado a representantes do Tribunal Superior Eleitoral e dos Tribunais Regionais Eleitorais sobre procedimentos de bloqueio de sites, aplicativos e conteúdos na internet. Segundo as informações divulgadas, aproximadamente 300 servidores da Justiça Eleitoral participaram da capacitação. A atividade foi conduzida pela Superintendência de Fiscalização da Anatel e apresentou aspectos técnicos da infraestrutura de internet. Entre os assuntos abordados estavam o Sistema de Nomes de Domínio, conhecido como DNS, as URLs que identificam páginas específicas e os endereços de IP utilizados na comunicação entre dispositivos e servidores. O objetivo declarado foi melhorar a elaboração e o cumprimento das determinações judiciais. Uma ordem com informações técnicas incompletas ou imprecisas pode ser ineficaz, atingir um endereço diferente do pretendido ou provocar o bloqueio de serviços que não possuem relação com o processo. O treinamento ocorre durante a preparação das eleições gerais de 2026 e aprofunda uma cooperação iniciada formalmente em dezembro de 2023. O acordo firmado naquele ano criou um fluxo eletrônico direto entre TSE e Anatel para o cumprimento de decisões judiciais que determinem o bloqueio de sites. O instrumento permanece válido até dezembro de 2028. Treinamento explica DNS, URL e endereço de IP Embora os termos sejam semelhantes para o usuário comum, domínio, URL e IP representam elementos diferentes da estrutura da internet. O domínio é o nome principal utilizado para acessar um site. A URL pode indicar uma página, arquivo ou área específica dentro desse domínio. Já o endereço de IP funciona como uma identificação numérica usada pelos equipamentos para localizar servidores e transmitir informações. Essa diferença é relevante porque uma ordem ampla pode produzir efeitos maiores do que o necessário. Bloquear um domínio inteiro, por exemplo, pode tornar indisponíveis todas as páginas e serviços ligados a ele, mesmo quando apenas um conteúdo específico é questionado. A capacitação teria orientado os servidores sobre como identificar corretamente esses elementos e como formular solicitações tecnicamente executáveis pelas empresas de telecomunicações. Também foram apresentadas as obrigações das prestadoras responsáveis pelo acesso fixo e móvel à internet. A Anatel, porém, já esclareceu que não possui poder geral para decidir, por conta própria, quais publicações ou plataformas devem ser retiradas do ar. No campo eleitoral, sua atuação consiste principalmente em encaminhar determinações judiciais às prestadoras e coordenar o cumprimento técnico nas redes de telecomunicações. Cooperação entre Anatel e TSE começou em 2023 Antes da criação do fluxo eletrônico, decisões eram encaminhadas à Anatel por oficiais de Justiça. O acordo de 2023 substituiu esse procedimento por uma comunicação direta, com a finalidade de reduzir o tempo entre a decisão judicial e a notificação das operadoras. Em março de 2024, as duas instituições assinaram outro acordo para operacionalizar o Centro Integrado de Enfrentamento à Desinformação e Defesa da Democracia, estrutura criada pelo TSE para articular órgãos públicos e entidades no acompanhamento do ambiente eleitoral. Esse segundo instrumento tem vigência prevista até março de 2028. A cooperação digital foi ampliada em julho de 2026, quando o TSE firmou memorandos com Meta, X, Telegram, TikTok, Kwai, LinkedIn e Google. Segundo a Corte, os documentos preveem iniciativas de divulgação de informações oficiais e ações contra conteúdos considerados capazes de comprometer a integridade do processo eleitoral. Há, entretanto, uma diferença entre remoção e bloqueio. A remoção normalmente ocorre quando a própria plataforma exclui uma postagem, perfil ou arquivo. No bloqueio de rede, as prestadoras de telecomunicações impedem que seus clientes acessem determinado domínio, aplicativo ou endereço. Rapidez exige controle e transparência A preparação técnica pode reduzir erros e impedir que decisões legítimas se tornem ineficazes. Ordens contra crimes, fraudes, perfis falsos ou operações digitais ilegais precisam ser cumpridas de forma precisa. Ao mesmo tempo, o aumento da capacidade estatal de restringir acessos exige salvaguardas institucionais. Decisões genéricas, pouco fundamentadas ou com alcance desproporcional podem afetar conteúdos lícitos, veículos de comunicação, atividades econômicas e manifestações políticas protegidas pela Constituição. Por isso, o debate não deve se limitar à velocidade da derrubada. Também precisam ser considerados o direito de defesa, a identificação clara do conteúdo questionado, a duração da medida, a possibilidade de recurso e a divulgação de relatórios sobre as ordens executadas. Classificar toda remoção judicial como “censura” ignora situações em que o bloqueio combate práticas comprovadamente ilegais. Por outro lado, tratar qualquer restrição como simples procedimento técnico reduz um tema que envolve liberdade de expressão, devido processo legal e limites de atuação do Estado. Eleições de 2026 ampliam atenção ao ambiente digital O treinamento demonstra que o controle de conteúdos digitais terá papel relevante durante a campanha eleitoral. Com a circulação acelerada de vídeos, mensagens e transmissões ao vivo, uma decisão tardia pode perder parte de sua eficácia. A celeridade, contudo, deve caminhar ao lado da segurança jurídica. A Justiça Eleitoral e a Anatel precisam garantir que bloqueios sejam específicos, fundamentados e limitados ao conteúdo efetivamente alcançado pela decisão. A publicação de dados consolidados sobre quantidade de ordens, fundamentos legais, plataformas atingidas, duração e eventual reversão das medidas contribuiria para o controle público. Em um processo eleitoral, proteger a legitimidade da votação e preservar a livre circulação de opiniões não são objetivos incompatíveis, mas responsabilidades que precisam ser equilibradas.
Pai suspeito de mandar matar filho aparece no velório da vítima em Goiás

Preso por suspeita de encomendar morte do filho foi fotografado consolando família Imagens obtidas pela reportagem mostram o homem preso sob suspeita de mandar matar o próprio filho participando do velório da vítima e prestando apoio aos familiares. Nas fotografias, ele aparece abraçando outro filho durante a cerimônia de despedida de Thaliton Henrique Dias Machado, morto em 23 de janeiro de 2026, na zona rural de Trindade, na Região Metropolitana de Goiânia. Segundo a Polícia Civil de Goiás, Thaliton estava em uma horta da propriedade onde trabalhava quando foi surpreendido e morto a tiros. As investigações passaram a considerar a participação do pai após os agentes identificarem inconsistências nos relatos apresentados por ele e descartarem a versão de que a vítima mantinha diversas desavenças. A principal linha de investigação aponta que o homicídio teria sido motivado por uma dívida de aproximadamente R$ 50 mil. De acordo com a apuração policial, Thaliton havia emprestado o dinheiro ao pai e intensificado as cobranças nas semanas anteriores ao crime. Dívida de R$ 50 mil teria motivado o homicídio A Polícia Civil sustenta que, no dia da morte, o pai prometeu quitar a dívida, mas teria decidido contratar outra pessoa para assassinar o filho. A acusação ainda depende da conclusão do inquérito, da manifestação do Ministério Público e da análise da Justiça. Além da cobrança financeira, a investigação apura se Thaliton ameaçava procurar a polícia para denunciar o pai por uma possível participação no desaparecimento ou morte de sua mãe, Aparecida Almeida Dias, ocorrido há cerca de duas décadas em Pires do Rio. A suspeita relacionada ao caso antigo ainda não representa uma conclusão policial ou judicial. Segundo as informações divulgadas, a Polícia Civil trabalha com a hipótese de participação do investigado, mas serão necessárias novas diligências e provas independentes para esclarecer o que aconteceu com Aparecida. Cunhado é apontado como executor Outras duas pessoas foram presas durante a investigação: Simone Viana Silva, esposa do principal suspeito, e Wanderson da Silva Sousa, irmão dela. Wanderson é apontado pela polícia como o autor dos disparos. De acordo com a corporação, ele confessou participação no homicídio e declarou ter recebido aproximadamente R$ 15 mil para executar Thaliton. A confissão deverá ser confrontada com perícias, registros telefônicos, movimentações financeiras e outros elementos reunidos no inquérito. A investigação também apura a participação de Simone no planejamento e nos acontecimentos posteriores ao crime. Até o momento, não foram divulgados detalhes sobre as versões apresentadas pelas defesas dos três investigados. Os envolvidos permanecem na condição de suspeitos e somente poderão ser considerados culpados após eventual processo criminal e condenação definitiva. Imagens do velório ganham repercussão As fotografias da cerimônia passaram a chamar atenção depois da prisão. O homem investigado aparece ao lado dos familiares, abraçando um dos filhos e participando das manifestações de luto. Segundo informações atribuídas à investigação, ele também teria admitido envolvimento no crime a um cunhado ainda durante o velório. Esse relato integra a apuração e precisará ser confirmado por depoimentos e outros elementos de prova. A presença do suspeito na despedida não constitui, isoladamente, prova de participação no homicídio. Para responsabilização criminal, a Justiça deverá avaliar o conjunto formado por depoimentos, perícias, dados eletrônicos, movimentações financeiras e possíveis comunicações entre os investigados. Polícia apura plano contra outros envolvidos Outro desdobramento considerado pela Polícia Civil é a suspeita de que, depois da morte de Thaliton, o pai procurava alguém para matar Simone e Wanderson. Um áudio entregue aos investigadores indicaria que ele pretendia eliminar pessoas que conheciam detalhes da execução. A polícia informou ainda que o casal morava em Goiânia e estaria planejando fugir quando foi localizado na região de Senador Canedo. A data exata das prisões precisa ser confirmada, diante da divergência entre as informações publicadas. O caso deverá avançar agora para a conclusão do inquérito. Caberá à Polícia Civil apontar formalmente os indiciados e os crimes atribuídos a cada um. Em seguida, o Ministério Público poderá solicitar novas diligências, oferecer denúncia ou arquivar pontos que não tenham provas suficientes. A apuração envolve acusações graves e exige transparência das autoridades, preservação das provas e respeito ao direito de defesa. Também será necessário esclarecer o desaparecimento de Aparecida Almeida Dias sem transformar uma hipótese investigativa em condenação antecipada.
Pedidos negados pelo INSS sobem 70% no primeiro semestre

INSS reduz fila, mas registra mais de 4,3 milhões de negativas O número de pedidos negados pelo INSS cresceu 69,8% no primeiro semestre de 2026. Entre janeiro e junho, o Instituto Nacional do Seguro Social indeferiu 4.319.336 solicitações de benefícios, ante aproximadamente 2,54 milhões no mesmo período de 2025, segundo o Boletim Estatístico da Previdência Social de junho. Os indeferimentos ficaram ligeiramente acima das concessões. No mesmo período, o INSS aprovou 4.239.522 benefícios, diferença de quase 80 mil processos em relação ao total de negativas. Somente em junho, foram registrados 938.180 indeferimentos e 792.531 concessões. Os números mostram dois movimentos simultâneos: o instituto acelerou a conclusão dos processos e reduziu a fila, mas uma parcela crescente das solicitações terminou sem concessão. O resultado exige atenção porque eficiência administrativa não deve ser medida apenas pela quantidade de processos retirados do estoque, mas também pela correção e pela qualidade das decisões. Pedidos negados pelo INSS chegam a 4,3 milhões Do total de indeferimentos registrado no semestre, 2.762.767 estavam relacionados a benefícios por incapacidade, enquanto 1.556.569 correspondiam às demais modalidades administradas pelo INSS. O levantamento reúne aposentadorias, pensões, auxílios e benefícios assistenciais, entre outras solicitações. Um indeferimento não significa necessariamente que o instituto tenha cometido um erro. Na definição oficial do boletim, são classificados como indeferidos os requerimentos analisados e não concedidos por não preencherem os requisitos legais. A negativa pode ocorrer por falta de contribuição mínima, ausência de comprovação documental, renda acima do limite previsto ou conclusão desfavorável da perícia médica, conforme o tipo de benefício. O crescimento de quase 70%, contudo, torna necessário esclarecer quais fatores explicam a mudança. Entre as possibilidades estão o aumento da produtividade, a conclusão de processos acumulados e a ampliação das decisões automatizadas. Os dados gerais, isoladamente, não permitem afirmar quanto do avanço decorreu de cada fator. Fila oficial encerrou junho com 1,8 milhão O Boletim Estatístico registra 1.811.665 requerimentos em análise no final de junho. Desse total, 1.373.447 aguardavam providências do INSS ou da Perícia Médica Federal, enquanto 438.218 dependiam do cumprimento de alguma exigência documental pelo próprio segurado. O número oficial é superior aos 1,5 milhão mencionados em algumas publicações. A diferença pode estar relacionada ao uso de conceitos distintos de fila, mas a tabela consolidada do boletim de junho aponta aproximadamente 1,81 milhão de requerimentos pendentes. Em fevereiro, o estoque havia alcançado o recorde de 3.127.690 pedidos. A redução até junho foi de aproximadamente 42%. O instituto informou que março teve 1,625 milhão de processos concluídos, maior volume mensal registrado até então. Dos requerimentos pendentes em junho, 970.248 estavam dentro do prazo de até 45 dias e 841.417 já haviam ultrapassado esse período. O tempo médio de concessão ficou em 48 dias, conforme o boletim. Agilidade precisa vir acompanhada de qualidade A redução da fila é importante para aposentados, pessoas com deficiência, trabalhadores incapacitados e famílias que dependem da proteção previdenciária. Processos demorados podem comprometer a renda de cidadãos que já se encontram em situação de vulnerabilidade. O crescimento das negativas, entretanto, aumenta a responsabilidade do governo sobre a qualidade das análises. Uma auditoria do Tribunal de Contas da União já havia identificado elevada incidência de indeferimentos indevidos e problemas tanto em decisões manuais quanto automáticas. O TCU também alertou que erros administrativos contribuem para a judicialização dos benefícios previdenciários. O avanço tecnológico pode reduzir burocracia e custos, mas os sistemas automatizados precisam ser auditáveis, permitir correções e oferecer explicações claras ao segurado. Metas de produtividade também não devem estimular decisões apressadas ou transferir para o cidadão a responsabilidade por falhas da própria administração. Para uma avaliação completa, o Ministério da Previdência deverá detalhar os principais motivos das negativas, o percentual de decisões reformadas e a quantidade de benefícios posteriormente concedidos por recurso, revisão ou decisão judicial. Segurado pode recorrer da negativa Quem discordar de uma decisão do INSS pode apresentar recurso ordinário ao Conselho de Recursos da Previdência Social. O prazo geral é de 30 dias, contado a partir da data em que o interessado toma conhecimento da decisão, e o procedimento pode ser realizado pela internet. Antes de recorrer, é importante consultar a comunicação de decisão no Meu INSS, verificar o motivo exato do indeferimento e reunir documentos que comprovem o direito solicitado. A redução da fila representa um avanço operacional, mas o resultado só poderá ser considerado sustentável se vier acompanhado de decisões corretas, transparência e atendimento eficiente. Para o segurado e para o contribuinte, velocidade sem qualidade pode apenas deslocar o problema da fila administrativa para os recursos e para a Justiça.
Retiro para “zerar body count” no Brasil não tem comprovação

Vídeo de ritual em Bali alimenta boato sobre retiro sexual no Brasil A afirmação de que um retiro espiritual no Brasil estaria oferecendo uma cerimônia para “zerar o body count” não possui comprovação. A história ganhou repercussão nas redes sociais e foi reproduzida por páginas brasileiras como se descrevesse um serviço real, embora não tenham sido apresentados nome do estabelecimento, localização, organizadores, site oficial ou qualquer canal verificável de inscrição. “Body count” é uma expressão inglesa utilizada informalmente na internet para se referir ao número de parceiros sexuais que uma pessoa já teve. Nas postagens virais, o suposto retiro brasileiro realizaria meditações, aconselhamento e rituais de purificação destinados a promover um “recomeço” emocional. Alguns veículos chegaram a informar que a experiência custaria aproximadamente R$ 5,5 mil. As reportagens, entretanto, repetem descrições semelhantes e não identificam quem oferece o serviço nem onde as atividades seriam realizadas. A ausência dessas informações impede que a história seja tratada como uma notícia confirmada. Uma checagem publicada no exterior concluiu que não há evidências da existência de um “Body Count Recovery Centre” no Brasil e relacionou o vídeo usado nas publicações ao Melukat, um ritual de purificação praticado em Bali, na Indonésia. Imagens mostram ritual tradicional de Bali O Melukat é uma cerimônia de purificação espiritual ligada ao hinduísmo balinês. A prática envolve orações e o uso de água considerada sagrada, geralmente em templos, fontes naturais ou outros locais de importância religiosa. O portal oficial de turismo da Indonésia descreve o Melukat como um ritual destinado à purificação espiritual e à liberação simbólica de energias negativas. Não há qualquer referência a apagar relacionamentos, alterar o histórico sexual de alguém ou “restaurar” a virgindade dos participantes. Registros culturais do governo de Bali também informam que a cerimônia é realizada há gerações pelos hindus da região. A água sagrada é utilizada como símbolo de limpeza do corpo, da mente e do espírito dentro de um contexto religioso específico. A associação do ritual com um suposto “reset de body count” aparentemente surgiu quando vídeos foram retirados de seu contexto original e receberam legendas voltadas à repercussão nas redes sociais. Boato foi reproduzido como serviço verdadeiro A narrativa apresentou diferentes versões conforme avançou pela internet. Em algumas postagens internacionais, o suposto serviço custaria US$ 13 mil. Em conteúdos reproduzidos no Brasil, o valor caiu para cerca de R$ 5,5 mil ou US$ 1 mil. Essa falta de consistência é um dos sinais de alerta. Também não foram apresentados contratos, anúncios oficiais, depoimentos identificados de participantes ou documentos que comprovem o funcionamento do estabelecimento. Mesmo assim, páginas brasileiras transformaram a postagem viral em conteúdo jornalístico, acrescentando explicações sobre aconselhamento, meditação e superação da culpa. Não está claro de onde vieram esses detalhes ou se foram apenas inferidos a partir das imagens. O caso mostra como uma legenda chamativa pode transformar rapidamente uma cerimônia cultural estrangeira em uma suposta tendência brasileira. A repetição da mesma informação por diferentes páginas não equivale a uma confirmação independente. Nenhum ritual altera acontecimentos passados Ainda que cerimônias simbólicas possam representar encerramento de ciclos para algumas pessoas, nenhuma prática espiritual modifica acontecimentos já vividos. Sentimentos de arrependimento, culpa ou vergonha podem ser trabalhados por meio de reflexão, apoio religioso ou acompanhamento profissional, mas não existe um procedimento capaz de apagar o histórico pessoal. Também é importante evitar que discussões sobre relacionamentos sejam usadas para expor ou constranger pessoas. O uso do termo “body count” frequentemente reduz experiências pessoais a uma contagem e pode estimular julgamentos diferentes para homens e mulheres. Uma abordagem responsável deve valorizar escolhas conscientes, respeito, compromisso e responsabilidade individual, sem transformar a intimidade alheia em instrumento de humilhação ou exploração comercial. Mercado de bem-estar exige transparência A popularidade da história revela o crescimento do mercado de retiros, terapias alternativas e experiências de autoconhecimento. Esse setor pode oferecer atividades legítimas, mas precisa funcionar com transparência sobre preços, responsáveis, qualificações, riscos e resultados possíveis. Promessas extraordinárias devem ser acompanhadas de informações objetivas. Antes de contratar uma experiência, o consumidor deve verificar quem presta o serviço, quais atividades serão realizadas e se há mecanismos de segurança e atendimento. No caso do suposto retiro para “zerar o body count”, essas informações não foram encontradas. Até que surjam documentos ou responsáveis identificados, a narrativa deve ser classificada como não comprovada e provavelmente enganosa, baseada na retirada de um ritual balinês de seu contexto cultural.
Brasil tem mais sargentos do que soldados nas polícias militares

Pirâmide invertida nas PMs expõe distorção operacional e fiscal O Brasil possui atualmente mais policiais militares na graduação de sargento do que soldados, segundo levantamento do Fórum Brasileiro de Segurança Pública divulgado na terça-feira, 4 de agosto de 2026. Com base em dados de 2025, a pesquisa identificou aproximadamente 129 mil sargentos e 117 mil soldados nas corporações estaduais. O fenômeno foi registrado em 17 estados e no Distrito Federal e revela uma inversão na estrutura tradicional das polícias militares. Em uma organização hierárquica equilibrada, a base formada por soldados e cabos deveria ser numericamente maior do que os grupos responsáveis por supervisão, coordenação e comando. O país reúne cerca de 413 mil policiais militares na ativa. Desse total, 32% são sargentos, 28,9% soldados, 23,9% cabos e 4,5% subtenentes, conforme os dados divulgados. O restante está distribuído entre as diferentes patentes do oficialato. O Fórum Brasileiro de Segurança Pública utiliza informações fornecidas por secretarias estaduais e outras instituições oficiais para produzir seus diagnósticos sobre as forças de segurança. A entidade define seus levantamentos como instrumentos para ampliar a transparência e melhorar a avaliação das políticas públicas do setor. Número de sargentos supera base operacional Em 12 estados e no Distrito Federal, o número de sargentos já seria superior à soma de soldados e cabos. Na prática, isso significa que algumas corporações possuem mais profissionais em graduações associadas à supervisão do que policiais nas posições tradicionalmente destinadas ao atendimento inicial e ao patrulhamento ostensivo. A distorção não significa que todos os sargentos estejam em funções administrativas. Diante da falta de soldados, muitos continuam trabalhando em viaturas, patrulhas e outras atividades operacionais semelhantes às que exerciam antes da promoção. Esse cenário pode gerar perda de eficiência. Ao mesmo tempo em que o Estado assume uma folha salarial mais elevada, o profissional promovido nem sempre passa a exercer plenamente as atribuições de coordenação e fiscalização previstas para sua nova posição. O caso mais extremo citado no estudo é o de Rondônia, que teria registrado apenas sete policiais na graduação de soldado na ativa, enquanto mantinha 25 coronéis. O número precisa ser interpretado à luz das regras locais de carreira e confirmado diretamente com a Polícia Militar do estado, mas ilustra o grau de desequilíbrio apontado pela pesquisa. Promoções e falta de concursos alteraram carreira Entre as principais causas da inversão estão as promoções por tempo de serviço, os mecanismos automáticos de progressão funcional, a redução da frequência dos concursos públicos e o envelhecimento do quadro policial. Quando um estado passa vários anos sem contratar novos soldados, os policiais que já integram a corporação continuam avançando na carreira. O resultado é uma diminuição gradual da base da pirâmide, sem que novos profissionais ingressem em quantidade suficiente para substituir os promovidos e os aposentados. O problema já havia sido identificado na primeira edição do Raio-X das Forças de Segurança Pública, publicada pelo Fórum em 2024. Na ocasião, a entidade registrou 404.871 policiais militares na ativa e alertou para a falta de critérios objetivos e padronizados para dimensionar os efetivos necessários em cada estado. A recomposição não depende apenas da abertura de vagas. Concursos precisam considerar planejamento orçamentário, capacidade de formação, distribuição territorial, perfil da criminalidade e as necessidades reais do policiamento. Contratações sem planejamento podem pressionar as contas públicas no futuro, enquanto a ausência prolongada de concursos compromete a capacidade operacional no presente. Aposentadorias pressionam contas estaduais O levantamento também chama atenção para o impacto previdenciário das forças de segurança. Segundo a pesquisa, aproximadamente 424 mil aposentados vinculados às corporações consomem 34% da folha de pagamento analisada. O dado reforça a necessidade de responsabilidade fiscal na formulação dos planos de carreira. Promoções concedidas sem avaliação de impacto não elevam apenas a despesa imediata com salários, mas também produzem efeitos de longo prazo sobre aposentadorias e pensões. Na edição anterior do estudo, o Fórum já havia constatado que os profissionais inativos da segurança representavam 22% dos servidores estaduais aposentados, mas concentravam 33% das remunerações destinadas aos inativos. A remuneração média desse grupo também era superior à observada nas demais áreas do serviço público estadual. Isso não elimina a necessidade de valorização policial. Profissionais que enfrentam risco, jornadas desgastantes e elevada responsabilidade devem receber remuneração compatível. O desafio é construir carreiras sustentáveis, com critérios transparentes de promoção e equilíbrio entre reconhecimento profissional, eficiência operacional e capacidade financeira dos estados. Guardas municipais avançam sem dados padronizados Enquanto algumas forças estaduais enfrentam envelhecimento e redução da base operacional, as guardas municipais continuam crescendo. O efetivo dessas corporações passou de aproximadamente 95 mil agentes para 107 mil entre 2023 e 2025. O aumento demonstra que os municípios estão assumindo papel cada vez maior na segurança pública. Na primeira edição do Raio-X, o Fórum já apontava a existência de pelo menos 1.467 guardas municipais e alertava para a ausência de uma base nacional unificada e atualizada sobre essas instituições. A expansão pode reforçar a presença do poder público nas cidades, mas exige treinamento, códigos de conduta, corregedorias, controle externo e divulgação regular de dados. Sem padrões mínimos, o país corre o risco de reproduzir nas estruturas municipais os mesmos problemas de carreira, comando e fiscalização observados nas forças estaduais. Os resultados indicam que a segurança pública brasileira precisa de uma política permanente de gestão de pessoas. Repor soldados, revisar promoções automáticas e estabelecer critérios nacionais de transparência são medidas importantes para que o dinheiro público resulte em mais capacidade operacional e melhor atendimento à população.