Lucas e Paulo do Vale reúnem cerca de 3 mil pessoas em Rio Verde

Encontro de Lucas e Paulo do Vale reúne milhares e reforça campanha em Rio Verde Os candidatos Lucas do Vale e Paulo do Vale reuniram cerca de 3 mil pessoas em Rio Verde, no Sudoeste de Goiás, em uma mobilização política realizada nesta semana. Lucas, atualmente deputado estadual pelo PSD, disputa uma vaga na Câmara dos Deputados, enquanto seu pai, o ex-prefeito Paulo do Vale, concorre a deputado estadual nas eleições de 2026. O público informado pelos organizadores e reproduzido pela imprensa local foi formado principalmente por profissionais da educação das redes municipal, estadual e particular, além de apoiadores, vereadores e lideranças políticas da região. O prefeito de Rio Verde, Wellington Carrijo, e a primeira-dama e secretária de Assistência Social, Lara Carrijo, também participaram do encontro. A mobilização reforçou a estratégia conjunta adotada por pai e filho nesta campanha eleitoral: associar as candidaturas à experiência administrativa acumulada em Rio Verde e à representação política do município e do Sudoeste goiano. Lucas e Paulo do Vale apostam em atuação conjunta A campanha conjunta foi lançada oficialmente em 17 de agosto, em evento realizado no Sindicato Rural de Rio Verde. Lucas do Vale deixou o MDB e ingressou no PSD em março deste ano e agora busca uma cadeira de deputado federal. Paulo do Vale, que comandou a Prefeitura de Rio Verde por dois mandatos, tenta retornar à vida pública em cargo eletivo como candidato à Assembleia Legislativa. A dobradinha busca aproveitar a base eleitoral construída pela família no município. Rio Verde possui peso relevante na política do interior goiano e aparece entre os principais colégios eleitorais do estado, além de exercer influência econômica regional por meio do agronegócio, indústria e setor de serviços. Durante o encontro, os discursos concentraram-se principalmente na apresentação de resultados administrativos e na defesa da ampliação de projetos para outras regiões de Goiás. Educação ganha destaque durante encontro em Rio Verde A educação foi um dos principais temas abordados. Paulo do Vale citou indicadores alcançados durante sua passagem pela prefeitura e atribuiu os resultados a investimentos, planejamento e valorização dos profissionais do setor. Segundo publicação sobre o evento, o ex-prefeito afirmou que Rio Verde avançou nas avaliações educacionais e destacou o desempenho do município no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb). Lucas do Vale também colocou a educação entre as prioridades da campanha e afirmou ter destinado R$ 1,5 milhão para o setor durante sua atuação parlamentar, valor apresentado pelo próprio candidato durante o encontro. A concentração de profissionais da educação entre os participantes indica que o setor deverá ter espaço relevante na estratégia eleitoral da dupla, especialmente na tentativa de vincular propostas estaduais e federais às políticas implementadas anteriormente no município. Wellington Carrijo participa de mobilização O prefeito Wellington Carrijo participou do evento ao lado de outras lideranças locais. Carrijo assumiu a Prefeitura de Rio Verde em janeiro de 2025, sucedendo Paulo do Vale, que governou o município por oito anos. A presença do atual prefeito demonstra a manutenção da aliança política construída durante a sucessão municipal. Na posse de Carrijo, Paulo do Vale chegou a entregar simbolicamente as chaves da prefeitura ao sucessor e defendeu a continuidade dos projetos desenvolvidos pela gestão anterior. Em uma eleição proporcional, o apoio de lideranças municipais pode ter peso importante na mobilização de bases e na organização de campanhas, sobretudo em cidades do interior, onde a atuação de prefeitos, vereadores e lideranças comunitárias costuma exercer influência sobre a disputa por cadeiras legislativas. Candidatos evitam ataques e priorizam apresentação de resultados Outro aspecto observado no encontro foi a ausência de ataques diretos aos adversários. Os discursos se concentraram na defesa do histórico administrativo e parlamentar dos dois candidatos e na apresentação de propostas para os próximos mandatos. Essa estratégia procura colocar a discussão sobre gestão, entregas e desenvolvimento regional no centro da campanha, evitando elevar a temperatura do confronto político local. Apesar da mobilização expressiva, o número de participantes informado deve ser entendido como estimativa divulgada pelos responsáveis pelo evento e repercutida por veículos locais, já que não há registro de contagem independente disponível nas fontes consultadas. Com a campanha eleitoral em andamento, Lucas e Paulo do Vale deverão intensificar agendas em Rio Verde e em outros municípios goianos até o primeiro turno, marcado para 4 de outubro. Veja mais aqui
Caiado promete acabar com “aprovação automática” nas escolas se eleito

Caiado defende avanço escolar por nota e proficiência e endurece discurso contra facções O candidato do PSD à Presidência da República, Ronaldo Caiado, afirmou nesta quarta-feira (26) que pretende acabar com o que chamou de “aprovação automática” no sistema de ensino brasileiro, caso seja eleito em outubro. Durante sabatina promovida pela CBN e pelos jornais Valor Econômico e O Globo, o ex-governador de Goiás defendeu que o avanço dos estudantes seja condicionado a critérios de aprendizado, como proficiência, desempenho e notas. “Esse critério não pode prevalecer. Pode prevalecer por proficiência, por resultado e por nota”, declarou Caiado ao criticar a passagem de estudantes de uma etapa para outra sem, na avaliação dele, domínio suficiente do conteúdo. A proposta coloca a aprendizagem mensurável no centro do discurso educacional do candidato. Caiado afirmou que, durante sua administração em Goiás, não admitia que estudantes avançassem apenas em razão da idade. Ele deixou o governo estadual no fim de março de 2026 para disputar a Presidência, e sua candidatura foi oficializada pela convenção nacional do PSD em 26 de julho. LDB prevê progressão continuada, mas exige avaliação A expressão “aprovação automática”, utilizada pelo candidato, exige uma distinção. A Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB) não determina que estudantes sejam aprovados automaticamente apenas pela idade. O artigo 32 da legislação permite que escolas que adotam progressão regular por série utilizem, no ensino fundamental, o regime de progressão continuada, respeitadas as normas do respectivo sistema de ensino. A própria lei estabelece que isso deve ocorrer “sem prejuízo da avaliação do processo de ensino-aprendizagem”. Portanto, progressão continuada e aprovação sem avaliação não são necessariamente a mesma coisa. A LDB também prevê avaliação contínua e cumulativa do desempenho, recuperação para estudantes de baixo rendimento e possibilidade de avanço mediante verificação do aprendizado. Em Goiás, a legislação estadual igualmente admite a possibilidade de adoção da progressão continuada, sujeita às regras educacionais e à avaliação do processo de aprendizagem. Uma eventual mudança nacional defendida por Caiado dependeria, portanto, do desenho da proposta e, caso envolvesse alteração da LDB, de aprovação pelo Congresso Nacional. Caiado critica câmeras corporais em operações policiais A segurança pública também ocupou espaço relevante na entrevista. Caiado voltou a questionar o uso de câmeras corporais por policiais em operações de enfrentamento ao crime organizado, classificando a cobrança pelo equipamento como “hipocrisia” em determinadas situações. O candidato argumentou que avaliar posteriormente uma gravação é diferente da situação enfrentada por um policial que entra em uma área sob domínio de criminosos fortemente armados. Segundo Caiado, determinadas operações têm características de uma situação de “guerra”. O tema é objeto de debate nacional. Defensores das câmeras sustentam que os equipamentos aumentam a transparência, auxiliam na produção de provas e podem proteger tanto cidadãos quanto policiais. Caiado, por outro lado, argumenta que sua utilização em determinados confrontos pode limitar a atuação operacional dos agentes. Plano prevê 40 presídios de segurança máxima No combate às organizações criminosas, Caiado reiterou a proposta de classificar grandes facções dentro de uma nova legislação de “terrorismo doméstico” e prometeu ampliar o emprego de tecnologia e a integração entre forças de segurança. Uma das principais medidas apresentadas pelo candidato é a construção de 40 presídios de segurança máxima no país. A proposta integra um pacote de segurança apresentado por Caiado durante a campanha, que também prevê tratamento mais rigoroso para lideranças de organizações criminosas. “Vou buscar tecnologia do mundo todo, as mais sofisticadas, vou identificar todos eles e construir 40 presídios de segurança máxima no Brasil”, afirmou durante a sabatina. A implementação de medidas como mudanças na definição legal de terrorismo e alterações em regras penais dependeria de aprovação do Congresso. Ajuste fiscal aparece entre prioridades econômicas Na economia, Caiado voltou a defender um amplo ajuste das contas públicas, com contenção de despesas e revisão de benefícios e incentivos. Entre as áreas mencionadas pelo candidato em entrevistas recentes estão subvenções, incentivos fiscais, gastos considerados excessivos e emendas parlamentares impositivas. Apesar da defesa de responsabilidade fiscal, o candidato ainda não apresentou um detalhamento completo de quais despesas seriam cortadas nem quais setores perderiam incentivos. Questionado sobre a necessidade de especificar antecipadamente essas medidas, Caiado afirmou que pretende ter acesso aos dados completos durante uma eventual transição de governo. A definição desses cortes será um ponto relevante do programa econômico, já que mudanças em incentivos, tamanho da máquina pública e despesas obrigatórias envolvem interesses de setores produtivos, serviços públicos e relações com o Congresso. Reforma da Previdência não seria prioridade inicial Caiado também afirmou que uma nova reforma da Previdência não estaria entre suas primeiras medidas caso chegue ao Palácio do Planalto. O candidato argumentou que pretende priorizar inicialmente o equilíbrio fiscal por outras frentes e disse que não pretende atingir direitos adquiridos. Segundo ele, uma discussão previdenciária poderia ocorrer posteriormente, depois de um processo de revisão das contas e das despesas federais. Educação, segurança pública e equilíbrio fiscal vêm ocupando espaço central na campanha de Caiado. A sabatina desta quarta-feira aprofundou algumas das propostas, mas também deixou pontos que ainda dependerão de detalhamento, especialmente sobre os instrumentos jurídicos necessários para alterar políticas educacionais e sobre o tamanho e a composição do ajuste das contas públicas. Assista aqui
Paraná Pesquisas: Gracinha Caiado tem 41% para o Senado em Goiás

Pesquisa para o Senado em Goiás registra Gracinha com 41%, Gayer com 27,1% e Vanderlan com 21,4% Levantamento do Instituto Paraná Pesquisas divulgado na terça-feira (18) registra Gracinha Caiado (União) com 41% das intenções de voto para o Senado em Goiás no cenário estimulado. Gustavo Gayer (PL) aparece com 27,1%, enquanto o senador Vanderlan Cardoso (PSD) registra 21,4%. A pesquisa está registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número GO-01791/2026. Na sequência aparecem Zacarias Calil (MDB), com 19,5%, Gustavo Mendanha (PRD), com 16,3%, Isaura Lemos (PSB), com 5,7%, Cíntia Dias (Psol), com 4,8%, Ozeias Varão (PL), com 4%, Ernesto Roller (PSDB), com 2,3%, Guilherme Darques (UP), com 1,8%, e Iure Castro (Cidadania), com 1,3%. O Metrópoles, fonte que divulgou os dados, apresenta os mesmos percentuais constantes no material oficial do instituto. O levantamento é um retrato das respostas coletadas no período da pesquisa e não representa previsão do resultado das urnas nem avaliação desta reportagem sobre qualquer dos nomes apresentados. Pesquisa para o Senado em Goiás permite escolha de dois nomes Um ponto importante para a leitura dos números é que cada entrevistado podia citar até dois candidatos na pergunta estimulada para o Senado. Por esse motivo, a soma dos percentuais ultrapassa 100% e os números não devem ser interpretados como ocorreria em uma pesquisa na qual apenas uma opção pudesse ser escolhida. Os resultados apresentados pelo Paraná Pesquisas são: Os dados colocam a disputa pelas vagas ao Senado entre os principais pontos de atenção da eleição estadual de 2026. Para partidos e pré-campanhas, levantamentos desse tipo funcionam como indicadores do ambiente eleitoral no momento em que as entrevistas foram realizadas, mas podem mudar conforme avançam a campanha, a exposição dos candidatos e o debate público. Levantamento ouviu 1.240 eleitores em 61 municípios O Paraná Pesquisas entrevistou 1.240 eleitores em 61 municípios de Goiás, entre os dias 14 e 17 de agosto de 2026. Segundo a metodologia divulgada pelo instituto, as entrevistas foram pessoais, domiciliares e presenciais. A margem de erro estimada é de aproximadamente 2,8 pontos percentuais, para mais ou para menos, considerando os resultados gerais, com grau de confiança de 95%. A amostra foi selecionada em etapas. O instituto informa que utilizou sorteio probabilístico dos municípios e das localidades e, posteriormente, quotas proporcionais de gênero, faixa etária, escolaridade e renda domiciliar mensal para a seleção dos entrevistados. Pelo menos 30% dos questionários aplicados foram submetidos a procedimentos de auditoria, segundo o relatório metodológico. A página oficial do Paraná Pesquisas confirma que o estudo de agosto foi registrado no TSE sob o código GO-01791/2026 e teve como objetivo avaliar os cenários eleitorais para o Executivo estadual e o Legislativo federal em Goiás, além da avaliação da administração estadual. Vanderlan registra 14,6% de rejeição; Gayer tem 12,9% e Gracinha 11,5% O levantamento também perguntou em quais nomes o eleitor não votaria de jeito nenhum. Nessa questão, era permitido indicar mais de uma opção. Vanderlan Cardoso registrou 14,6%, Gustavo Gayer, 12,9%, e Gracinha Caiado, 11,5%. Na sequência, Isaura Lemos aparece com 9,8% de rejeição; Zacarias Calil, com 8,8%; Ernesto Roller, com 6,7%; Gustavo Mendanha, com 6,3%; Cíntia Dias, com 5,9%; Ozeias Varão, com 5,5%; Iure Castro, com 4,4%; e Guilherme Darques, com 4,3%. Outros 14% afirmaram que poderiam votar em todos, enquanto 28% não souberam ou não opinaram. Assim como ocorre na pergunta sobre intenção de voto, os percentuais de rejeição também podem ultrapassar 100% quando somados, já que os entrevistados estavam autorizados a indicar mais de um nome. Pesquisa indica cenário eleitoral em construção em Goiás Os números divulgados em agosto ajudam a dimensionar o cenário político goiano em um momento de intensificação da disputa eleitoral. A pesquisa mostra diferentes níveis de intenção de voto e rejeição entre os nomes testados, mas seus resultados devem ser considerados dentro da margem de erro, da metodologia utilizada e do período específico em que as entrevistas foram realizadas. A evolução das campanhas, alianças partidárias, debates e agendas locais poderá alterar esse quadro até a votação. Novos levantamentos devem permitir acompanhar se os percentuais registrados pelo Paraná Pesquisas se mantêm ou sofrem mudanças ao longo da corrida eleitoral.
Governo empenha R$ 884 milhões em emendas após votação da CPMI do INSS

R$ 884 milhões em emendas vão a parlamentares que rejeitaram relatório que pedia indiciamento de Lulinha O governo federal empenhou R$ 884,37 milhões em emendas parlamentares destinadas aos 19 deputados e senadores que votaram contra o relatório apresentado na CPMI do INSS, segundo levantamento publicado por O Antagonista nesta quarta-feira, 12 de agosto. O parecer rejeitado propunha, entre mais de 200 indiciamentos, o de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Os recursos foram empenhados após a votação que rejeitou o relatório, encerrada na madrugada de 28 de março de 2026. O parecer do relator Alfredo Gaspar recebeu 12 votos favoráveis e 19 contrários. Com o resultado, o presidente da comissão, senador Carlos Viana, encerrou os trabalhos sem colocar em votação um texto alternativo da base governista. Assim, a CPMI terminou oficialmente sem relatório final aprovado. Há uma distinção importante: os dados mostram uma coincidência temporal entre os empenhos e a votação politicamente relevante, mas não comprovam uma negociação direta na qual recursos tenham sido oferecidos em troca de votos. Emendas parlamentares são instrumentos previstos no Orçamento, e o empenho representa a reserva do recurso para posterior execução. R$ 884 milhões foram empenhados depois da votação De acordo com O Antagonista, os R$ 884,37 milhões foram identificados a partir de dados do Siga Brasil e do Sistema Integrado de Planejamento e Orçamento (Siop). O valor corresponde a 98,64% dos R$ 896,56 milhões empenhados em 2026, até a data do levantamento, para emendas relacionadas aos 19 parlamentares que rejeitaram o parecer de Gaspar. O Orçamento de 2026 prevê, segundo o mesmo levantamento, aproximadamente R$ 1,06 bilhão em emendas para esse grupo. Do total previsto, R$ 718,65 milhões já haviam sido efetivamente pagos. A diferença entre empenho e pagamento é relevante. Empenhar uma emenda significa reservar orçamentariamente os recursos para determinada finalidade. O pagamento representa uma etapa posterior, quando o dinheiro efetivamente deixa os cofres públicos após os procedimentos necessários para execução da despesa. A concentração dos empenhos após uma votação de grande interesse do Palácio do Planalto adiciona um elemento político ao debate sobre a relação entre Executivo e Congresso. Ainda assim, estabelecer uma relação de causa e efeito exigiria evidências adicionais, como documentos, mensagens ou outros elementos que demonstrassem uma negociação específica vinculando votos às liberações. Relatório da CPMI mantinha Lulinha entre pedidos de indiciamento Diferentemente de versões segundo as quais Lulinha teria sido retirado da lista antes da votação, registros oficiais do Senado mostram que o texto efetivamente apresentado pelo relator mantinha Fábio Luís Lula da Silva entre os 216 nomes com pedidos de indiciamento. O relatório foi lido ao longo de mais de oito horas e acabou rejeitado integralmente. Por isso, não houve aprovação, pela CPMI, dos pedidos de indiciamento contidos no parecer — nem de Lulinha nem das demais pessoas citadas. A rejeição de um relatório parlamentar, por outro lado, não equivale a uma absolvição judicial e não impede a continuidade de investigações por autoridades competentes. Após a derrota do parecer, Carlos Viana informou que cópias do relatório rejeitado seriam encaminhadas a instituições como Ministério Público Federal e Supremo Tribunal Federal. O documento da base governista também seria enviado à Polícia Federal, segundo parlamentares governistas. CPMI havia aprovado quebra de sigilos de Lulinha Antes da votação do relatório, em 26 de fevereiro, a CPMI aprovou em bloco 87 requerimentos, incluindo a quebra dos sigilos bancário e fiscal de Fábio Luís Lula da Silva no período de 2022 a janeiro de 2026. A votação provocou forte reação de parlamentares governistas, que questionaram o procedimento adotado pela presidência da comissão. Posteriormente, o ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal, suspendeu os efeitos de dezenas de quebras de sigilo aprovadas daquela forma, incluindo a de Lulinha, sob o entendimento de que medidas dessa natureza não poderiam ser decididas por votação simbólica ou em bloco. A CPMI recorreu ao STF em março para tentar restabelecer as decisões. Emendas e articulação política entram no centro do debate A execução de emendas é tradicionalmente um dos instrumentos da relação política entre Executivo e Legislativo. Governos dependem do Congresso para aprovar projetos, medidas econômicas e matérias orçamentárias, enquanto deputados e senadores buscam liberar recursos destinados às suas bases eleitorais. O ponto levantado pelo levantamento é a forte concentração temporal dos empenhos destinados justamente aos parlamentares que formaram a maioria responsável pela rejeição do relatório da CPMI. Esse dado pode alimentar cobranças por maior transparência sobre os critérios e o calendário de execução das emendas. Ao mesmo tempo, sem evidência de uma negociação explícita, não é possível afirmar que os R$ 884,37 milhões tenham funcionado como contrapartida pela votação. O caso deverá permanecer no debate político, especialmente porque envolve recursos públicos, uma investigação sobre descontos irregulares de aposentados e pensionistas e um pedido de indiciamento que alcançava o filho do presidente da República.
Despesas obrigatórias pressionam Orçamento de 2027 e reduzem margem para gastos

Gastos obrigatórios apertam contas e desafiam custeio e investimentos a partir de 2027 O crescimento das despesas obrigatórias deve aumentar a pressão sobre o Orçamento federal a partir de 2027, reduzindo a margem disponível para custeio da administração pública, investimentos e outras políticas que dependem de despesas discricionárias. Relatório do Tesouro Nacional projeta déficit primário de 0,1% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2027, resultado que permanece dentro da faixa de tolerância da meta fiscal, mas abaixo do centro estabelecido. A preocupação está relacionada não apenas ao tamanho do gasto público, mas principalmente à composição das despesas. Quanto maior a parcela do Orçamento comprometida previamente por obrigações legais e constitucionais, menor é a capacidade do governo de ajustar gastos sem afetar investimentos, manutenção de órgãos, universidades, hospitais, equipamentos e programas públicos. A informação sobre o aumento da pressão orçamentária foi destacada pela Revista Oeste. Documentos oficiais do Tesouro Nacional, do Ministério do Planejamento e do Congresso confirmam que a rigidez das despesas permanece como um dos principais desafios das contas públicas nos próximos anos. Despesas obrigatórias pressionam espaço livre do Orçamento O regime fiscal limita o crescimento das despesas primárias, mas vários gastos obrigatórios possuem dinâmica própria e podem avançar mais rapidamente. Quando isso acontece, as despesas discricionárias tornam-se a principal variável de ajuste para que o governo permaneça dentro do limite. O próprio Tesouro chama atenção para o crescimento das chamadas despesas discricionárias rígidas. Embora sejam formalmente classificadas como não obrigatórias, parte delas precisa ser executada para assegurar pisos constitucionais e outras determinações legais. É o caso, principalmente, da complementação necessária para saúde e educação. Pelas projeções do Tesouro, a partir de 2027 as despesas discricionárias destinadas à saúde devem crescer, em média, 2,5% ao ano em termos reais, enquanto as destinadas à educação avançariam 9,3% ao ano, pressionando o espaço restante para outras áreas. Na prática, quanto mais recursos forem necessários para cumprir essas vinculações, menor poderá ser a margem para investimentos em infraestrutura, modernização da administração, pesquisa, aquisição de equipamentos e custeio cotidiano dos órgãos federais. Bloqueio chegou a R$ 23,7 bilhões em 2026 A execução do Orçamento de 2026 já demonstrou essa pressão. No primeiro bimestre, o governo determinou bloqueio de R$ 1,6 bilhão em razão do aumento da projeção de despesas obrigatórias sujeitas ao limite fiscal. Na revisão seguinte, o bloqueio foi ampliado em R$ 22,1 bilhões, levando o total temporariamente retido para R$ 23,7 bilhões. Em julho, após nova avaliação das receitas e despesas, o governo liberou aproximadamente R$ 5,7 bilhões. Com isso, cerca de R$ 17,9 bilhões permaneceram bloqueados. O Ministério do Planejamento informou que a redução do bloqueio ocorreu principalmente porque a projeção de determinadas despesas obrigatórias sujeitas ao limite caiu. O movimento mostra como mudanças relativamente pequenas nas estimativas de despesas obrigatórias podem provocar efeitos bilionários sobre os recursos que ministérios conseguem efetivamente executar. Tesouro projeta déficit de 0,1% do PIB em 2027 No cenário do Tesouro Nacional, o governo central deve registrar déficit primário equivalente a 0,1% do PIB em 2027. O resultado ficaria acima do limite inferior da banda de tolerância da meta, mas abaixo de seu centro. Para os anos seguintes, a dificuldade aumenta: as projeções indicam resultados insuficientes para atingir até mesmo o limite inferior das metas entre 2028 e 2030 sem medidas adicionais. O resultado primário representa a diferença entre receitas e despesas antes do pagamento dos juros da dívida pública. Déficits persistentes dificultam a estabilização do endividamento e podem aumentar a pressão por arrecadação adicional, redução de despesas ou mudanças nas regras fiscais. Para famílias e setor produtivo, a discussão é relevante porque a forma escolhida para fechar essa conta pode envolver revisão de gastos, alterações tributárias ou menor capacidade estatal de investimento. Projeção mais recente afasta colapso imediato, mas pressão continua Há, porém, uma ressalva importante. Projeções anteriores indicavam uma compressão muito mais severa das despesas discricionárias. A análise técnica do Congresso sobre o PLDO de 2027 informa que esse cenário foi significativamente revisado depois de mudanças que retiraram determinadas despesas do limite fiscal. Segundo as consultorias de Orçamento da Câmara e do Senado, as despesas discricionárias ordinárias do Executivo estão atualmente projetadas em R$ 207,1 bilhões em 2027, R$ 198,8 bilhões em 2028 e R$ 215,8 bilhões em 2029. O documento afirma que os novos valores não configuram o colapso previsto em estimativas anteriores, embora continuem apresentando redução em proporção do PIB. Parte desse alívio veio da exclusão do limite fiscal de despesas como precatórios e requisições de pequeno valor, além de determinadas despesas de defesa, saúde e educação. Controle de gastos será desafio para próximo governo A revisão das projeções reduz o risco de uma paralisação imediata da administração pública em 2027, mas não elimina o problema estrutural. Estudo do FGV IBRE avalia que a possibilidade de asfixia orçamentária nos próximos anos continua presente caso não ocorram ajustes capazes de conter a expansão das despesas. Entre as alternativas discutidas no debate fiscal estão revisão de benefícios e programas, combate a desperdícios, avaliação de políticas públicas, controle de despesas obrigatórias, revisão de vinculações e medidas para elevar receitas. Cada opção envolve impactos econômicos e políticos diferentes. O desafio para o governo que assumir em 2027 será compatibilizar a manutenção dos serviços públicos com responsabilidade fiscal e espaço para investimentos. Sem mudanças estruturais, a tendência é de um Orçamento cada vez mais rígido, no qual parcela crescente dos recursos já chega previamente comprometida.
Menina da Bota é escolhida para disputar vaga de deputada federal

Influenciadora Menina da Bota entra na disputa pela Câmara em Minas A influenciadora digital Maria José Mendes, conhecida nacionalmente como Menina da Bota, foi escolhida para disputar uma vaga de deputada federal por Minas Gerais nas eleições de 2026. Segundo reportagem de O Tempo, o nome dela foi aprovado na segunda-feira, 3 de agosto, durante a convenção da Federação União Progressista, realizada em Belo Horizonte. Maria José participou do encontro usando uma jaqueta jeans personalizada com a inscrição “Menina da Bota” nas costas e o desenho de uma bota, elemento que se tornou uma de suas principais marcas nas redes sociais. A vestimenta reforçou a identidade construída pela influenciadora desde que seus vídeos de dança e da rotina rural ganharam repercussão nacional. A convenção representa a escolha partidária do nome, mas a candidatura ainda precisa cumprir as etapas formais previstas pela Justiça Eleitoral. Partidos e federações têm até 15 de agosto, às 19h, para encaminhar os pedidos de registro, que depois são analisados pelo Tribunal Regional Eleitoral. A propaganda eleitoral geral começa em 16 de agosto. Menina da Bota transforma alcance digital em projeto político Ligada ao Vale do Jequitinhonha, Maria José ficou conhecida por vídeos simples e bem-humorados gravados na zona rural mineira. Nas publicações, ela aparece dançando, cantando e mostrando situações do cotidiano no campo, frequentemente usando botas. A influenciadora ganhou projeção em 2024 após a circulação de um vídeo de música e dança gravado com familiares. Desde então, passou a desenvolver também uma carreira artística ligada ao forró e à música popular. Reportagens sobre sua trajetória destacam a participação do irmão Waninho do Forró e o uso do ambiente rural como cenário recorrente do conteúdo. Segundo O Tempo, Maria José reúne atualmente cerca de 1,7 milhão de seguidores no Instagram. Por se tratar de um número sujeito a alterações diárias, a quantidade deve ser conferida diretamente no perfil oficial antes da publicação definitiva da matéria. O ingresso de uma influenciadora com grande alcance na disputa eleitoral mostra como os partidos vêm buscando nomes conhecidos fora da política tradicional. A popularidade digital pode ajudar uma candidatura a conquistar visibilidade, mas não substitui a necessidade de apresentar propostas, posicionamentos e conhecimento sobre as responsabilidades do mandato. Federação União Progressista reúne União Brasil e PP A Federação União Progressista é formada pelo União Brasil e pelo Progressistas. O registro da aliança foi aprovado por unanimidade pelo Tribunal Superior Eleitoral em 26 de março de 2026. Pela legislação, os partidos de uma federação atuam de maneira unificada nas eleições e durante o mandato parlamentar. As convenções partidárias de 2026 ocorreram entre 20 de julho e 5 de agosto. Nesses encontros, partidos e federações escolheram seus candidatos aos cargos de presidente, governador, senador, deputado federal e deputado estadual ou distrital. A reportagem enviada como fonte não informa se Maria José é filiada ao União Brasil ou ao PP, nem apresenta declarações da influenciadora sobre suas principais propostas. Também não há detalhes sobre coordenação de campanha, número eleitoral ou prioridades para um eventual mandato. Representação do interior deve entrar no debate A ligação de Maria José com a zona rural poderá colocar temas do interior mineiro no centro de sua campanha. Antes da convenção, vídeos atribuídos à influenciadora mencionaram dificuldades enfrentadas por comunidades rurais, como problemas em estradas e acesso limitado a serviços públicos. Essas manifestações já vinham alimentando especulações sobre sua entrada na política. Caso o registro seja confirmado, a candidata deverá explicar como pretende transformar essa vivência em propostas legislativas. Infraestrutura rural, educação, saúde, conectividade, geração de emprego e apoio ao pequeno produtor são assuntos com impacto direto sobre municípios do Vale do Jequitinhonha. A presença de representantes com origem popular pode ampliar a diversidade da Câmara, mas o eleitor também deverá avaliar preparo, equipe, transparência e compromissos públicos. Um deputado federal atua na elaboração de leis nacionais, na fiscalização do governo federal e na discussão do Orçamento da União, responsabilidades que exigem mais do que reconhecimento nas redes sociais. Eleições de 2026 serão realizadas em outubro O primeiro turno das eleições gerais está marcado para 4 de outubro de 2026. O eventual segundo turno para presidente e governadores ocorrerá em 25 de outubro. Neste ano, o eleitor também escolherá dois senadores por estado, além de deputados federais e estaduais ou distritais. Para os cargos proporcionais, como deputado federal, o resultado depende tanto dos votos recebidos individualmente quanto do desempenho total do partido ou da federação. A homologação em convenção é, portanto, apenas o início de uma disputa que ainda passará pelo registro eleitoral, pela campanha e pela decisão dos eleitores mineiros.
Brasil planeja emitir títulos da dívida em yuan todos os anos

Tesouro transforma títulos em yuan em estratégia permanente na China O governo federal pretende emitir títulos da dívida pública em yuan no mercado chinês todos os anos, transformando uma operação inicialmente apresentada como experimental em uma estratégia permanente de atuação financeira na China. O plano foi detalhado pelo subsecretário da Dívida Pública do Tesouro Nacional, Francisco Segundo, durante webinar promovido pelo Conselho Empresarial Brasil-China em 5 de agosto de 2026. A primeira venda dos chamados Panda Bonds — títulos emitidos por governos ou empresas estrangeiras no mercado doméstico chinês — ainda está prevista para 2026. A operação depende, entretanto, da conclusão de procedimentos técnicos, da contratação de uma agência chinesa de classificação de risco e de condições favoráveis de mercado. Por isso, o Tesouro afirma que a emissão neste ano é uma intenção, não uma garantia. Emissões anuais devem criar referência em yuan Segundo Francisco Segundo, o principal objetivo não é financiar uma parcela relevante das despesas públicas brasileiras, mas estabelecer uma curva soberana de juros em yuan. Essa curva funcionaria como referência para calcular o risco e o custo de futuras captações de empresas brasileiras na China. O representante do Tesouro afirmou que, nos mercados considerados bem-sucedidos e com potencial para investidores brasileiros, a presença do governo precisa ser recorrente. A ideia é evitar que a taxa de referência fique desatualizada, como ocorreu no mercado europeu durante o período em que o Brasil permaneceu mais de uma década sem emitir dívida em euros. A estratégia também atende ao interesse de companhias que mantêm negócios, exportações ou projetos ligados à China. Uma emissão soberana costuma servir como parâmetro para títulos corporativos do mesmo país, embora empresas privadas normalmente paguem taxas superiores às cobradas do governo. A Suzano foi uma das primeiras empresas brasileiras a acessar esse mercado. Segundo informações apresentadas no seminário, a companhia já realizou três operações, somando aproximadamente 2,6 bilhões de yuan. Empresas como Vale, WEG, Petrobras, JBS e Embraer foram citadas como possíveis beneficiárias de uma ampliação desse canal financeiro. Valor da primeira operação ainda está indefinido O volume da estreia brasileira permanece em discussão. Em junho, o então ministro da Fazenda, Dario Durigan, indicou uma captação de até 5 bilhões de yuan. Em julho, o secretário do Tesouro, Daniel Leal, mencionou uma operação próxima de 10 bilhões de yuan. A decisão final dependerá da demanda, das taxas oferecidas e das condições cambiais. O primeiro passo formal ocorreu em 25 de junho, quando o Ministério da Fazenda entregou uma carta de apresentação da República às autoridades reguladoras chinesas. O Plano Anual de Financiamento de 2026 já previa a emissão inaugural em yuan como parte da ampliação da presença brasileira nos mercados internacionais. Para o governo, a vantagem está na diversificação da base de investidores e na possibilidade de acessar taxas nominais inferiores às observadas em operações denominadas em dólar ou euro. Essa comparação, porém, não pode considerar apenas os juros anunciados: custos de proteção cambial, liquidez, prazos, regras regulatórias e risco de conversão da moeda também precisam entrar no cálculo. Relação com a China amplia oportunidades e riscos A iniciativa ocorre em um cenário de forte integração econômica entre Brasil e China. O mercado chinês responde por mais de um quarto das exportações brasileiras e permanece como o principal destino de produtos do agronegócio e da indústria extrativa. Ao mesmo tempo, o crescimento das importações chinesas aumenta a pressão competitiva sobre setores da indústria nacional. A ampliação dos canais de financiamento pode beneficiar empresas brasileiras, reduzir a concentração das captações em dólar e facilitar investimentos relacionados ao comércio bilateral. Entretanto, uma estratégia permanente em yuan exige mecanismos rigorosos de governança e transparência. Entre os pontos que precisam ser acompanhados estão a exposição à variação cambial, os controles de capital existentes na China, a dependência das regras locais e a eventual concentração financeira em um país que já ocupa posição dominante no comércio exterior brasileiro. O yuan vem ganhando espaço internacional, mas ainda opera sob controles regulatórios mais rígidos e apresenta menor liquidez global do que o dólar. Operação não representa submissão financeira automática Apesar do significado geopolítico da decisão, os dados disponíveis não sustentam, neste momento, a conclusão de que o financiamento público brasileiro ficará “ancorado” na China. No encerramento de 2025, instrumentos relacionados ao câmbio representavam 3,8% da Dívida Pública Federal, enquanto a maior parte do endividamento continuava denominada em reais. A emissão inaugural também foi descrita pelo próprio Tesouro como uma operação mais qualitativa do que quantitativa. Seu peso inicial deverá ser pequeno diante do estoque total da dívida, que terminou 2025 em R$ 8,635 trilhões. O risco estratégico dependerá, portanto, da escala alcançada pelas emissões ao longo dos próximos anos, das condições contratuais, da utilização de proteção cambial e da capacidade do Brasil de preservar uma política externa equilibrada, mantendo relações econômicas com a China sem abandonar mercados tradicionais nos Estados Unidos, na Europa e em outras regiões. A diversificação pode ser financeiramente racional quando reduz custos e amplia a concorrência entre investidores. Ela se torna problemática quando produz concentração excessiva, falta de transparência ou dependência regulatória. Caberá ao Tesouro demonstrar, em cada operação, que os benefícios econômicos superam os riscos fiscais e geopolíticos para a República.
Michelle Bolsonaro é confirmada candidata ao Senado pelo DF em chapa com Bia Kicis

PL oficializa Michelle e Bia Kicis ao Senado e fecha apoio à reeleição de Celina Leão no DF Michelle Bolsonaro foi confirmada como candidata ao Senado pelo Distrito Federal nas eleições de 2026, consolidando a estratégia do PL de concentrar forças no campo conservador da capital federal. O anúncio foi feito durante a convenção do partido pela deputada federal Bia Kicis, que também disputará uma das duas vagas ao Senado na mesma chapa. A definição ocorre em um momento decisivo do calendário eleitoral. Segundo o Tribunal Superior Eleitoral, as convenções partidárias podem ser realizadas entre 20 de julho e 5 de agosto para escolha formal de candidatos e deliberação sobre coligações. O registro das candidaturas ainda é etapa indispensável para que os nomes possam concorrer oficialmente. Michelle Bolsonaro candidata ao Senado pelo DF A entrada de Michelle Bolsonaro na disputa pelo Senado era uma das principais apostas do PL no Distrito Federal. A sigla já vinha trabalhando com a possibilidade de lançar a ex-primeira-dama ao lado de Bia Kicis, estratégia que havia sido sinalizada por lideranças do partido e pelo próprio campo bolsonarista nos meses anteriores. Em 2026, cada estado e o Distrito Federal elegerão dois senadores, já que 54 das 81 cadeiras do Senado estarão em disputa. Esse modelo aumenta o peso das composições partidárias, pois permite que uma mesma aliança tente eleger dois nomes para a Casa. No caso do DF, o PL busca transformar a força eleitoral de Michelle e Bia Kicis em uma chapa competitiva para o Senado. A estratégia também mira a consolidação de uma base conservadora em Brasília, onde temas como segurança, família, liberdade econômica, oposição ao PT e defesa de pautas religiosas costumam ter forte apelo entre parte do eleitorado. Bia Kicis disputará a segunda vaga ao Senado Além de anunciar Michelle, Bia Kicis também foi confirmada como candidata ao Senado. A deputada federal é uma das principais lideranças do PL no Distrito Federal e já vinha sendo apontada como nome competitivo dentro da direita local. A composição com duas mulheres na disputa ao Senado reforça uma tentativa do partido de ampliar a presença feminina no palanque conservador. Em discurso, a governadora Celina Leão defendeu a união do grupo e apresentou a aliança como peça importante para impedir o avanço da esquerda nas vagas em disputa. Do ponto de vista político, a chapa também cria um palanque com forte identidade ideológica. Michelle carrega o peso simbólico do bolsonarismo e da atuação junto ao eleitorado evangélico e conservador. Bia Kicis, por sua vez, tem mandato parlamentar, presença nacional e relação direta com a militância de direita. Celina Leão recebe apoio do PL para reeleição A convenção também consolidou o apoio do PL à governadora Celina Leão, que disputará a reeleição ao Governo do Distrito Federal. A aproximação entre Celina, Michelle e Bia já vinha sendo construída publicamente. Em julho, a governadora lançou sua pré-candidatura em Ceilândia, em evento com presença de Bia Kicis, Damares Alves e outras lideranças do campo conservador. Esse acordo fortalece Celina ao unir sua máquina política local à principal legenda de direita do país. Para o PL, a aliança oferece estrutura no Executivo distrital e palanque regional para suas candidatas ao Senado. A costura também tem impacto sobre outros nomes que buscavam espaço no mesmo grupo político. Ibaneis Rocha e Izalci Lucas vinham tentando viabilizar candidaturas ao Senado, mas a definição por Michelle e Bia reduz significativamente o espaço para alternativas dentro da mesma coalizão. Ausência de Michelle ocorreu após internação Michelle Bolsonaro não compareceu ao evento. Segundo a informação divulgada, a ex-primeira-dama foi internada no sábado com quadro de cefaleia, recebeu alta neste domingo após passar por procedimento para alívio da dor e seguirá em acompanhamento médico. A ausência não impediu a oficialização política de seu nome pelo partido. Ainda assim, a saúde de Michelle deve ser acompanhada com atenção, especialmente porque a campanha ao Senado exige agenda intensa, viagens internas, participação em atos públicos e presença constante nas redes sociais. Até o momento, não há detalhes adicionais sobre o quadro clínico além das informações divulgadas. Chapa muda o xadrez político do Distrito Federal A confirmação de Michelle Bolsonaro e Bia Kicis ao Senado altera o tabuleiro eleitoral no Distrito Federal. O PL passa a apostar em uma chapa fortemente identificada com o bolsonarismo, enquanto Celina Leão busca consolidar a reeleição com apoio de uma base conservadora organizada. A movimentação também antecipa uma disputa dura pelas duas vagas ao Senado. Pesquisas divulgadas em julho já mostravam Michelle entre os nomes mais competitivos no DF, ao lado de Leila do Vôlei e outros possíveis candidatos. O desafio da chapa será transformar força de imagem e apoio partidário em votos suficientes para ocupar as duas cadeiras. Do outro lado, adversários devem explorar a polarização nacional, a disputa por voto moderado e a reorganização de alianças locais. Com a convenção, o PL dá um passo importante para fechar sua estratégia no Distrito Federal. A etapa seguinte será o registro das candidaturas e o início da campanha nas ruas e na internet, quando a chapa terá de demonstrar capilaridade, unidade política e capacidade de diálogo com o eleitorado brasiliense.
Pesquisa BTG/Nexus mostra Lula e Flávio Bolsonaro em empate técnico para 2026

Flávio Bolsonaro cresce e reduz diferença para Lula em nova rodada BTG/Nexus A nova pesquisa BTG/Nexus divulgada nesta segunda-feira (3) mostra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL) em situação de empate técnico na disputa presidencial de 2026. No cenário estimulado de primeiro turno, Lula aparece com 41% das intenções de voto, enquanto Flávio Bolsonaro registra 37%, segundo levantamento noticiado pela Reuters. A margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos. O resultado marca uma redução da distância entre os dois nomes em relação à rodada anterior. Na pesquisa BTG/Nexus de 27 de julho, Lula tinha 42% e Flávio Bolsonaro aparecia com 33%. Na nova rodada, o presidente oscilou um ponto para baixo, enquanto o senador avançou quatro pontos percentuais. Pesquisa BTG/Nexus mostra empate técnico entre Lula e Flávio Bolsonaro No principal cenário estimulado de primeiro turno, Lula lidera numericamente com 41%. Flávio Bolsonaro vem em seguida, com 37%. Como a margem de erro é de dois pontos percentuais, os dois candidatos se encontram no limite do empate técnico. Os demais nomes testados aparecem em patamar inferior: Ronaldo Caiado registra 5%, Renan Santos tem 4% e Romeu Zema marca 3%. Augusto Cury, Cabo Daciolo e Samara Martins aparecem com 1% cada, de acordo com os dados informados. A leitura técnica do levantamento exige cautela. Pesquisa eleitoral mostra o retrato do momento em que as entrevistas foram realizadas, não uma previsão definitiva do resultado da eleição. Segundo a Reuters, a Nexus ouviu 2.002 pessoas entre 31 de julho e 2 de agosto. Segundo turno também aparece apertado A pesquisa também simulou um eventual segundo turno entre Lula e Flávio Bolsonaro. Nesse cenário, o presidente aparece com 46% das intenções de voto, contra 45% do senador. A diferença de um ponto percentual também configura empate técnico dentro da margem de erro. Na rodada anterior, divulgada em 27 de julho, Lula tinha 47% no segundo turno, enquanto Flávio Bolsonaro registrava 43%. A nova pesquisa indica, portanto, estreitamento da disputa também na simulação direta entre os dois. Esse movimento reforça a tendência de uma eleição presidencial competitiva, marcada pela concentração de votos em torno de dois polos políticos. Ainda assim, a campanha oficial, o horário eleitoral, os debates, a economia e a formação de alianças ainda podem alterar o cenário. Disputa presidencial entra em fase decisiva O calendário eleitoral de 2026 prevê o primeiro turno para 4 de outubro. O TSE também informou que o prazo final para registro das candidaturas é 15 de agosto, e que a propaganda eleitoral geral nas ruas e na internet começa em 16 de agosto. Esse calendário torna as próximas semanas relevantes para a consolidação das candidaturas. Convenções partidárias, escolha de vices, montagem de palanques estaduais e definição de programas de governo devem influenciar o ritmo da campanha. Para Lula, o desafio será transformar a máquina eleitoral do governo, a presença nacional do PT e os indicadores de avaliação administrativa em estabilidade de voto. Para Flávio Bolsonaro, o avanço no levantamento indica capacidade de mobilização no campo oposicionista, mas a consolidação desse crescimento dependerá da campanha e da ampliação de alianças. Números indicam alta polarização eleitoral A pesquisa reforça um quadro de polarização entre o atual presidente e o representante do bolsonarismo na disputa. Na rodada de 27 de julho, a Nexus já havia apontado elevado grau de consolidação das preferências eleitorais: 73% dos entrevistados que escolheram um candidato afirmaram que a decisão de voto já estava tomada. Esse dado ajuda a explicar por que oscilações pequenas podem ter grande impacto político. Em um eleitorado com alta fidelidade a seus polos, a disputa tende a se concentrar em eleitores menos definidos, votos de centro, abstenções, rejeição e capacidade de diálogo com segmentos moderados. Também é nesse ponto que temas como inflação, emprego, renda, segurança pública, responsabilidade fiscal e eficiência do Estado podem ganhar peso. A eleição não será definida apenas pela identificação ideológica, mas pela percepção do eleitor sobre quem oferece maior estabilidade, previsibilidade e capacidade de governar. Levantamento não define resultado, mas altera ambiente político O avanço de Flávio Bolsonaro na BTG/Nexus deve pressionar estratégias de campanha tanto no governo quanto na oposição. Para o Palácio do Planalto, a pesquisa acende alerta sobre a dificuldade de ampliar vantagem mesmo com a proximidade do início oficial da campanha. Para a oposição, o resultado fortalece a tese de concentração em um nome competitivo contra Lula. Ainda assim, é preciso evitar conclusões definitivas. Sem a íntegra completa do levantamento, não é possível avaliar todos os cruzamentos, como desempenho regional, renda, escolaridade, avaliação econômica e rejeição. Também não é correto afirmar que a oscilação ocorreu por uma causa única. O dado central é que, nesta rodada, Lula e Flávio Bolsonaro aparecem tecnicamente empatados nos dois cenários testados. Com a campanha prestes a ganhar as ruas e a internet, a disputa presidencial de 2026 entra em uma fase de maior intensidade, na qual cada movimento político poderá ter reflexos diretos sobre o eleitorado.
Lula promete rever emendas parlamentares e fundo partidário em eventual quarto mandato

Na convenção do PT, Lula mira relação com Congresso e critica modelo de distribuição de recursos O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou, durante a convenção nacional do Partido dos Trabalhadores, que um eventual quarto mandato teria como uma das prioridades promover mudanças na relação entre o Executivo e o Congresso Nacional. Segundo o relato divulgado, o petista criticou o atual modelo de distribuição de emendas parlamentares e o volume de recursos destinados ao fundo partidário. A convenção nacional do PT estava marcada para 2 de agosto, em São Paulo, com a previsão de oficializar Lula como candidato à reeleição e Geraldo Alckmin (PSB) como vice na chapa, conforme calendário divulgado pelo próprio partido. Lula mira emendas parlamentares em discurso Durante o discurso, Lula afirmou que é preciso rediscutir o uso do dinheiro público e defendeu alterações nas regras que envolvem as emendas parlamentares. Segundo o presidente, o modelo atual compromete a capacidade de planejamento do governo federal e reduz a autonomia do Executivo na execução do Orçamento. A crítica ocorre em um tema sensível da política nacional. As emendas parlamentares são instrumentos pelos quais deputados e senadores indicam recursos do Orçamento para obras, serviços e projetos em suas bases eleitorais. O problema, segundo críticos do modelo atual, é que o crescimento do peso dessas emendas passou a limitar a capacidade do governo de definir prioridades nacionais. Para defensores do mecanismo, as emendas aproximam o Orçamento das demandas locais e permitem que municípios menores tenham acesso a recursos. Para críticos, a falta de planejamento integrado pode pulverizar verbas, reduzir eficiência e enfraquecer políticas públicas estruturantes. Relação com o Congresso entra no centro da campanha Ao dizer que um eventual quarto mandato será voltado a “mudar esse país”, Lula sinalizou que pretende transformar a disputa sobre o Orçamento em tema eleitoral. A estratégia busca dialogar com eleitores que veem excesso de poder do Congresso sobre recursos federais, mas também envolve risco político. Qualquer mudança relevante nas emendas dependerá do próprio Congresso Nacional. Isso significa que a proposta, se levada adiante, exigirá negociação com deputados, senadores, partidos do centro e lideranças regionais. A relação entre Executivo e Legislativo já vem sendo marcada por disputas em torno do Orçamento. A Lei de Diretrizes Orçamentárias de 2026 fixou, pela primeira vez, prazo para que o Executivo pagasse 65% das emendas parlamentares de execução obrigatória até o fim do primeiro semestre. Fundo partidário também foi alvo de críticas Lula também criticou o crescimento dos recursos destinados ao fundo partidário e afirmou que pretende discutir mudanças estruturais caso seja reeleito. No início de 2026, ao sancionar a LDO, o presidente vetou trecho que ampliava o Fundo Partidário, usado para financiar despesas das legendas. O tema é delicado porque envolve o financiamento da atividade partidária em um sistema político com dezenas de legendas, alto custo eleitoral e forte dependência de recursos públicos. Uma eventual revisão pode encontrar resistência tanto em partidos aliados quanto na oposição. Do ponto de vista institucional, o debate coloca duas preocupações lado a lado: garantir funcionamento regular dos partidos, que são essenciais à democracia representativa, e evitar aumento excessivo de gastos públicos em um cenário de cobrança por responsabilidade fiscal. Emendas estão sob pressão institucional A discussão sobre emendas também chegou ao Supremo Tribunal Federal. Em julho, o ministro Flávio Dino determinou a intimação de presidentes de 21 partidos com representação no Congresso para prestarem informações sobre eventual participação na definição, gestão, distribuição ou operacionalização de emendas parlamentares. Esse contexto reforça que o tema não é apenas eleitoral. Há uma disputa institucional sobre transparência, rastreabilidade, critérios de liberação e controle dos recursos públicos. Para o contribuinte, a questão central é simples: o dinheiro do Orçamento precisa chegar onde gera mais resultado, com fiscalização, planejamento e prestação de contas. Emendas podem atender demandas reais de municípios, mas precisam seguir critérios técnicos e evitar uso meramente eleitoral. Proposta depende de maioria parlamentar Embora o discurso de Lula tenha tom de promessa de campanha, a implementação de mudanças exigiria maioria no Congresso. O próprio PT já indicou, em resolução política, que considera a eleição de uma bancada mais forte na Câmara e no Senado como parte estratégica para viabilizar reformas estruturais e alterar o atual modelo de execução orçamentária por emendas. Essa é a principal limitação prática da proposta. Um presidente pode pautar o tema, negociar e apresentar projetos, mas não muda sozinho regras orçamentárias consolidadas pelo Legislativo. A promessa, portanto, deve ser lida como um eixo de campanha e como tentativa de reposicionar a discussão sobre governabilidade. Em uma leitura institucional, a questão será encontrar equilíbrio entre autonomia do Executivo, fiscalização parlamentar, demandas regionais e responsabilidade no uso do dinheiro público. Debate deve marcar a eleição de 2026 As declarações de Lula indicam que emendas parlamentares, fundo partidário e relação com o Congresso devem ganhar espaço na campanha presidencial. O tema dialoga diretamente com eficiência do Estado, controle de gastos, transparência e capacidade de planejamento nacional. Para a oposição, o discurso pode ser explorado como tentativa de concentrar poder no Executivo. Para aliados do governo, pode ser apresentado como reação ao avanço do Congresso sobre o Orçamento. Para o eleitor, o ponto decisivo será avaliar qual modelo entrega mais resultado com menos desperdício. A disputa eleitoral deve mostrar se a crítica ao atual sistema de emendas terá força suficiente para mobilizar o debate público. Até lá, a proposta de Lula coloca no centro da campanha uma pergunta relevante: quem deve definir a prioridade do gasto público no Brasil e com quais mecanismos de controle?