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Tiago Pitthan morre aos 47 anos após organizar o próprio velório em Campo Grande

Homem que fez festa de despedida em vida morre após enfrentar câncer de estômago Tiago Martins Pitthan, conhecido pela história de ter organizado o próprio velório para não “faltar” à própria despedida, morreu aos 47 anos, em Campo Grande. Diagnosticado com câncer de estômago em estágio avançado, ele decidiu transformar o tempo que ainda tinha em encontros, mensagens e momentos de afeto ao lado de amigos, familiares e pessoas que acompanharam sua trajetória. A história de Tiago ganhou repercussão justamente pela forma incomum como ele lidou com a proximidade da morte. Em vez de esperar uma cerimônia marcada pela ausência, ele reuniu pessoas queridas em uma celebração em vida. Queria ouvir homenagens, abraços, lembranças e palavras que normalmente são ditas apenas depois da partida. Tiago Pitthan organizou a própria despedida Ao descobrir que o câncer não tinha mais possibilidade de cura, Tiago escolheu viver os dias restantes com presença e consciência. Ele afirmava que não queria controlar a morte, mas aquilo que ainda poderia fazer com o tempo disponível. A decisão de organizar o próprio velório chamou atenção por inverter a lógica tradicional das despedidas. Em muitas famílias, homenagens são feitas quando a pessoa já não pode mais ouvi-las. Tiago quis estar presente para receber esse carinho. O encontro reuniu amigos, familiares e até desconhecidos que se sensibilizaram com sua história. A cerimônia teve clima de celebração da vida, sem apagar a dor do diagnóstico, mas também sem reduzir Tiago à doença. Último vídeo emocionou seguidores No domingo (5), já no hospital, Tiago publicou um último vídeo nas redes sociais. Na gravação, deixou uma mensagem breve, serena e marcada por gratidão. “Estou bem, em paz, feliz. Valeu a pena. Tudo valeu a pena. Tive uma vida boa e é isso. Eu venci. Um beijo do Bom Sujeito.” A frase repercutiu entre seguidores e pessoas que acompanharam sua jornada. A expressão “Bom Sujeito” era uma forma afetiva pela qual Tiago se apresentava e passou a ser associada à imagem pública que construiu nos últimos meses. Apesar da tristeza da morte, a mensagem final reforçou a postura que ele manteve desde o diagnóstico: olhar para a própria trajetória com gratidão e tentar transformar a despedida em um gesto de afeto. Câncer de estômago estava em estágio avançado Tiago enfrentava um câncer de estômago em estágio avançado. Nessa fase, a doença costuma exigir acompanhamento médico contínuo, controle de sintomas e suporte emocional para o paciente e para a família. Casos assim também mostram a importância do cuidado paliativo, que não significa abandono do tratamento. Ao contrário, essa abordagem busca oferecer conforto, dignidade, controle da dor e apoio integral quando a cura já não é possível. No caso de Tiago, a escolha por uma despedida em vida trouxe uma reflexão pública sobre como as pessoas lidam com a finitude. Sua história abriu espaço para conversas sobre presença, relações familiares, saúde emocional e o valor de expressar sentimentos enquanto há tempo. História gerou comoção nas redes sociais A trajetória de Tiago mobilizou internautas porque tocou em um ponto sensível: a dificuldade de falar sobre morte sem medo, silêncio ou negação. Ao organizar a própria despedida, ele trouxe o tema para uma dimensão humana, sem espetáculo e sem afastar a dor. Muitas pessoas passaram a compartilhar mensagens de apoio, relatos pessoais e reflexões sobre a importância de valorizar familiares e amigos ainda em vida. A repercussão também mostrou como histórias individuais podem provocar debates mais amplos sobre afeto, cuidado e prioridades. Embora o caso tenha chamado atenção pelo aspecto incomum, o centro da história está na maneira como Tiago escolheu se despedir. Ele não tratou a situação como renúncia à vida, mas como uma tentativa de dar significado ao tempo que restava. Despedida deixa mensagem de presença A morte de Tiago Martins Pitthan encerra uma trajetória que ganhou visibilidade pelo gesto de coragem emocional diante de uma doença grave. Sua despedida em vida deixou uma mensagem simples e forte: homenagens, perdão, gratidão e amor não precisam esperar o último adeus. Para familiares e amigos, fica a dor da perda. Para quem acompanhou a história de longe, permanece a lembrança de um homem que decidiu ouvir em vida aquilo que muitos só escutam em silêncio depois da morte.

Ablação por radiofrequência trata metástase no fígado sem cirurgia aberta em paciente de Brasília

Técnica minimamente invasiva destrói tumor no fígado e permite alta no dia seguinte Uma mulher de 37 anos, moradora de Brasília, passou por um tratamento minimamente invasivo após descobrir uma metástase no fígado poucos anos depois de tratar um câncer de cólon. A paciente, que prefere não ser identificada, foi considerada apta pela equipe médica para realizar ablação por radiofrequência, técnica que destrói lesões tumorais com calor, sem necessidade de cirurgia aberta. A metástase ocorre quando células cancerígenas se desprendem do tumor original e se espalham para outros órgãos ou tecidos do corpo. Segundo o Instituto Nacional do Câncer dos Estados Unidos, o tumor metastático mantém o mesmo tipo de células do câncer primário, mesmo quando aparece em outra parte do organismo. Ablação por radiofrequência trata tumor sem abrir o abdome No caso da paciente de Brasília, a lesão no fígado foi tratada por ablação por radiofrequência. O procedimento é realizado por um radiologista intervencionista, que introduz uma agulha fina até o tumor, geralmente com orientação por exames de imagem, como tomografia computadorizada, ultrassonografia ou ressonância magnética. Na ponta da agulha, a energia de radiofrequência gera calor suficiente para destruir as células cancerígenas, preservando ao máximo os tecidos saudáveis ao redor. A RadiologyInfo, iniciativa do Colégio Americano de Radiologia e da Sociedade Radiológica da América do Norte, explica que a energia enviada pela sonda produz calor na extremidade do instrumento, destruindo células tumorais e reduzindo o risco de sangramento em pequenos vasos. Paciente teve alta hospitalar no dia seguinte Segundo o relato, a paciente recebeu alta no dia seguinte ao procedimento, um dos pontos que costuma diferenciar técnicas minimamente invasivas de cirurgias abertas. A recuperação mais rápida, no entanto, depende de fatores como tamanho da lesão, localização do tumor, estado geral da paciente e planejamento definido pela equipe oncológica. “Enquanto eu estava na sala do médico, me mantive calma e tentei me informar sobre o que poderia ser feito e se o tratamento teria intenção curativa. Ao chegar em casa, desabei”, contou a paciente. O relato mostra também o impacto emocional de receber um novo diagnóstico após já ter passado por tratamento contra o câncer. Além da decisão técnica, casos assim envolvem medo, insegurança, expectativa de cura ou controle da doença e necessidade de apoio familiar e psicológico. Técnica pode reduzir trauma cirúrgico De acordo com o radiologista intervencionista Cândido José de Paula, do Hospital Anchieta Taguatinga, a principal vantagem da ablação por radiofrequência é tratar a área acometida sem abrir o abdome. “Um dos principais benefícios é possibilitar o tratamento da área acometida sem a necessidade de abrir o abdome do paciente. Isso reduz o trauma cirúrgico, favorece uma recuperação mais rápida e permite uma intervenção menos agressiva em situações específicas”, explica. A literatura médica descreve a ablação por radiofrequência como uma opção segura e eficaz em casos selecionados de metástases hepáticas de câncer colorretal, especialmente quando há número limitado de lesões, localização favorável e avaliação adequada por equipe multidisciplinar. Tratamento depende de avaliação individual Apesar dos benefícios, a ablação por radiofrequência não é indicada para todos os pacientes. A escolha depende de critérios como tipo do câncer, quantidade de lesões, tamanho do tumor, posição no fígado, proximidade de vasos sanguíneos e vias biliares, além da função hepática e das condições clínicas gerais. Em alguns casos, a técnica pode ser usada isoladamente. Em outros, pode ser combinada com cirurgia, quimioterapia, terapias-alvo ou imunoterapia, conforme o plano definido pela equipe médica. Revisões sobre tratamento de metástases hepáticas colorretais apontam que terapias locais, como a ablação térmica, são consideradas principalmente em doença limitada, quando todas as lesões visíveis podem ser tratadas. Por isso, especialistas reforçam que pacientes não devem interpretar a técnica como substituição automática da cirurgia ou da quimioterapia. Ela é uma ferramenta dentro de um conjunto de opções oncológicas. Avanço reforça papel da medicina menos invasiva O caso de Brasília ilustra o avanço da radiologia intervencionista no tratamento do câncer. Procedimentos guiados por imagem permitem intervenções mais precisas, com menor agressão ao organismo e recuperação potencialmente mais rápida em situações específicas. Para pacientes oncológicos, esse tipo de tecnologia pode representar menos tempo de internação, menor trauma físico e retomada mais rápida da rotina, sempre quando houver indicação médica. O ponto central, porém, continua sendo o diagnóstico precoce, o acompanhamento regular e a decisão compartilhada entre paciente e equipe de saúde.

Acordar no susto pode acelerar o coração e elevar a pressão, alertam especialistas

Despertar brusco libera adrenalina e pode sobrecarregar pessoas com problemas cardíacos Acordar no susto, seja por causa de um despertador alto, barulho repentino, pesadelo ou interrupção brusca do sono, provoca uma reação imediata no organismo. O corpo interpreta o estímulo como uma possível ameaça e ativa a chamada resposta de “luta ou fuga”, marcada pela liberação de adrenalina, aceleração dos batimentos cardíacos e elevação temporária da pressão arterial. Na maioria das pessoas saudáveis, essas alterações são passageiras e tendem a se normalizar em poucos minutos. A American Heart Association explica que situações de estresse levam o corpo a liberar hormônios que fazem o coração bater mais rápido e elevam a pressão, preparando o organismo para reagir ao estímulo. Acordar no susto ativa resposta de estresse O despertar brusco interrompe a transição natural entre o sono e o estado de alerta. Quando isso acontece, o sistema nervoso simpático é ativado de forma rápida, aumentando a circulação de adrenalina no sangue. Esse mecanismo é fisiológico e faz parte da defesa natural do corpo. Em situações de perigo real, ele ajuda a pessoa a reagir rapidamente. O problema é que, mesmo sem uma ameaça concreta, o organismo pode responder como se precisasse se proteger. Segundo o cardiologista Jorge Koroishi, do Hcor, em São Paulo, o sistema cardiovascular normalmente consegue se autorregular após o susto, controlando pressão arterial e frequência cardíaca em poucos minutos. A intensidade da reação, porém, depende das condições de saúde de cada pessoa. Coração bate mais rápido e pressão sobe Durante a resposta ao susto, a adrenalina aumenta a frequência cardíaca, eleva a pressão arterial e faz o coração exigir mais oxigênio. O NCBI Bookshelf descreve a reação de estresse como um processo de curto prazo capaz de provocar aumento temporário dos batimentos cardíacos e liberação de adrenalina. Em indivíduos sem doenças cardiovasculares, esse pico geralmente não causa consequências relevantes. O desconforto pode aparecer como palpitação, respiração mais rápida, tremor, suor frio ou sensação de alerta, mas costuma desaparecer com a retomada da calma. Já em pessoas com hipertensão, arritmias, doença coronariana ou histórico de infarto, o aumento súbito da demanda cardíaca pode ter impacto maior. Nesses casos, o coração pode ter menos reserva para lidar com picos de pressão e aceleração dos batimentos. Quem tem doença cardíaca precisa de mais atenção Pessoas com pressão alta mal controlada, arritmias conhecidas, angina, insuficiência cardíaca ou obstruções nas artérias coronárias devem evitar estímulos bruscos recorrentes, quando possível. Isso não significa que todo susto seja perigoso, mas que o organismo desses pacientes pode reagir com maior vulnerabilidade. A American Heart Association também destaca que hormônios do estresse podem acelerar o coração e contrair vasos sanguíneos, elevando temporariamente a pressão. Em quem já convive com fatores de risco, episódios frequentes de estresse e sono ruim podem contribuir para pior controle cardiovascular. O alerta vale especialmente para quem acorda repetidamente assustado, sente palpitações intensas, falta de ar, tontura, desmaio, dor no peito ou mal-estar forte após o despertar. Nessas situações, a avaliação médica é recomendada. Sono ruim também afeta a saúde cardiovascular Além do susto isolado, a qualidade do sono influencia diretamente a saúde do coração. Noites fragmentadas, insônia, ansiedade, apneia do sono e rotina irregular podem aumentar o nível de estresse do organismo e dificultar o controle da pressão arterial. Despertadores muito altos ou alarmes agressivos podem ser substituídos por sons graduais, vibração leve ou iluminação progressiva, quando possível. Manter horários regulares, reduzir telas antes de dormir, evitar excesso de cafeína à noite e criar um ambiente silencioso também ajudam a reduzir despertares bruscos. Para pessoas com pesadelos frequentes, ansiedade intensa ou sintomas noturnos, o acompanhamento profissional pode ser importante. O objetivo não é transformar um susto comum em motivo de medo, mas identificar quando há um padrão que prejudica o sono e a saúde. Quando procurar atendimento Acordar assustado, por si só, geralmente não exige atendimento de emergência. No entanto, sinais como dor ou aperto no peito, falta de ar, desmaio, confusão, palpitação persistente, fraqueza intensa ou pressão muito elevada devem ser avaliados com urgência. Para quem já tem doença cardiovascular, o ideal é manter acompanhamento regular, usar corretamente os medicamentos prescritos e conversar com o médico caso os episódios sejam frequentes. A prevenção continua sendo o caminho mais seguro: sono de qualidade, controle da pressão, alimentação equilibrada, atividade física orientada e redução do estresse ajudam a proteger o coração.

Estudo investiga se adoçantes de baixa caloria podem influenciar risco de diabetes

Pesquisadores analisam impacto de aspartame, estévia e sucralose no controle da glicose Pesquisadores da Universidade de Adelaide, na Austrália, estão recrutando voluntários para um estudo que pretende investigar como adoçantes de baixa caloria se comportam no organismo e se podem influenciar mecanismos ligados ao risco de diabetes tipo 2. A pesquisa, chamada “Sweet n Sour”, vai comparar cinco dos adoçantes mais utilizados no mundo: aspartame, estévia, sucralose, sacarina e acessulfame de potássio. O objetivo não é afirmar, de antemão, que esses produtos causam diabetes, mas entender melhor seus efeitos sobre o controle da glicose. Segundo a universidade, o estudo vai avaliar se diferentes adoçantes interferem na absorção de glicose pelo intestino e se alteram a quantidade e os tipos de bactérias presentes na microbiota intestinal. Estudo sobre adoçantes busca respostas sobre glicose A pesquisa parte de uma preocupação crescente: milhões de pessoas substituem açúcar por adoçantes de baixa caloria acreditando que essa troca é sempre mais saudável. Esses compostos estão presentes em refrigerantes, iogurtes, barras de proteína, sobremesas, produtos diet, alimentos “zero açúcar” e bebidas industrializadas. De acordo com a Universidade de Adelaide, apesar do uso amplo desses produtos, ainda não há compreensão completa sobre seus efeitos metabólicos no longo prazo. Por isso, os pesquisadores querem observar como cada adoçante atua em órgãos envolvidos no controle do açúcar no sangue, especialmente intestino, pâncreas e rins. Aspartame, estévia, sucralose, sacarina e acessulfame serão testados O estudo pretende verificar se os adoçantes têm efeitos diferentes entre si. Essa é uma questão importante porque, no consumo cotidiano, muitas pessoas tratam todos os substitutos do açúcar como se fossem iguais. Na prática, porém, cada substância tem composição, absorção e metabolismo próprios. O aspartame, a sucralose, a sacarina, a estévia e o acessulfame de potássio aparecem em produtos diferentes e podem interagir com o organismo de formas distintas. Segundo a página oficial do estudo, os participantes receberão um dos cinco adoçantes ou placebo em cápsulas durante quatro semanas. Ao longo do período, os pesquisadores vão monitorar o controle da glicose, a absorção intestinal de açúcar e possíveis mudanças na microbiota. Microbiota intestinal entra no centro da investigação Um dos pontos mais relevantes da pesquisa é a análise da microbiota intestinal, conjunto de bactérias e outros microrganismos que vivem no intestino e participam de processos digestivos, imunológicos e metabólicos. A hipótese investigada é que alguns adoçantes possam modificar esse ambiente intestinal e, indiretamente, influenciar o controle da glicose. O professor associado Tongzhi Wu, pesquisador da Universidade de Adelaide, afirmou que entender como diferentes adoçantes afetam a glicose pode ajudar a orientar recomendações dietéticas mais seguras e identificar novos alvos para prevenção e controle do diabetes. A cautela científica é importante. Evidências observacionais sugerem associação entre consumo regular de adoçantes não açucarados e maior risco de diabetes tipo 2, mas esse tipo de estudo não prova causa e efeito. Pessoas que já têm maior risco metabólico também podem ser justamente as que mais recorrem a produtos sem açúcar. OMS já recomendou cautela no uso para emagrecimento Em 2023, a Organização Mundial da Saúde publicou uma diretriz recomendando que adoçantes não açucarados não sejam usados como estratégia principal para controle de peso ou redução do risco de doenças crônicas. A OMS afirmou que a substituição do açúcar por esses produtos não mostrou benefício de longo prazo para redução de gordura corporal e que estudos apontaram possíveis efeitos indesejáveis, como maior risco de diabetes tipo 2 e doenças cardiovasculares em adultos. A própria OMS destacou que a recomendação é condicional e que a relação observada pode ser influenciada por características prévias dos participantes e padrões complexos de consumo. A orientação também não se aplica a pessoas com diabetes já diagnosticado, que devem seguir aconselhamento individualizado de profissionais de saúde. Resultado pode influenciar recomendações futuras O estudo australiano pode ajudar a diferenciar quais adoçantes têm maior ou menor impacto metabólico, caso sejam identificadas diferenças relevantes. Essa informação interessa a consumidores, médicos, nutricionistas, indústria de alimentos e formuladores de políticas públicas. Até que novas evidências sejam consolidadas, especialistas costumam recomendar moderação. Reduzir o excesso de açúcar é uma medida importante, mas trocar tudo por produtos adoçados artificialmente pode não ser a solução completa. Uma alimentação equilibrada, com alimentos menos ultraprocessados, acompanhamento profissional quando necessário e atenção ao consumo diário continuam sendo pontos centrais para a saúde metabólica. A pesquisa segue em recrutamento e deve contribuir para um debate que ganhou força nos últimos anos: adoçantes podem ajudar a reduzir calorias, mas seus efeitos no organismo precisam ser compreendidos com mais precisão.

Coração do jogador passa por remodelamento para suportar jogos de alta intensidade

Copa: esforço físico e pressão emocional fazem coração de atletas trabalhar no limite O coração de um jogador de futebol trabalha em ritmo elevado durante partidas de alta intensidade, especialmente em competições como a Copa do Mundo. A cada corrida, arrancada, freada, mudança de direção e disputa pela bola, o organismo precisa aumentar o envio de oxigênio e nutrientes aos músculos, exigindo maior esforço do sistema cardiovascular. Essa adaptação não ocorre apenas no dia do jogo. Atletas profissionais passam por anos de treinamento intenso, o que leva o coração a desenvolver alterações fisiológicas conhecidas como “coração do atleta”. O Manual MSD descreve esse quadro como um conjunto de mudanças estruturais e funcionais observadas em pessoas que treinam por longos períodos e em alta intensidade. Coração do atleta passa por remodelamento fisiológico O chamado remodelamento fisiológico é uma resposta natural ao treinamento contínuo. Com o tempo, o coração pode aumentar sua capacidade de bombear sangue, adaptar câmaras cardíacas e melhorar o desempenho durante o esforço físico. O cardiologista Ricardo Cals, do Hospital Santa Lúcia Norte, explica que o jogador de futebol precisa suportar corridas longas, mudanças bruscas de ritmo e explosões de força e velocidade. “Para dar conta dessa exigência, o coração passa por um remodelamento fisiológico, conhecido como ‘coração do atleta’, que aumenta sua capacidade de bombear sangue e suprir a demanda metabólica do exercício”, afirma. Segundo revisão publicada no Journal of the American College of Cardiology, o exercício regular pode promover remodelamento estrutural, funcional e elétrico do coração, especialmente em atletas submetidos a grande volume de treino. Frequência cardíaca sobe durante o jogo Durante uma partida, a frequência cardíaca do atleta sobe para acompanhar a necessidade de energia. Em momentos de maior intensidade, como contra-ataques, disputas em velocidade ou sequência de movimentos explosivos, o coração precisa bombear mais sangue em menos tempo. A American Heart Association aponta que a frequência cardíaca de atletas pode variar de menos de 40 batimentos por minuto em repouso até mais de 200 batimentos por minuto em esforço máximo, especialmente em atletas jovens. No futebol, esse esforço é intermitente. O jogador não corre em velocidade máxima o tempo todo, mas alterna caminhada, trote, corrida moderada, sprints, saltos, choques físicos e momentos de recuperação. Essa variação exige um coração capaz de responder rapidamente às mudanças de intensidade. Pressão emocional também influencia o coração Além do esforço físico, o componente emocional tem peso importante. Jogos decisivos envolvem pressão da torcida, cobrança por resultado, medo de erro, disputa por vaga e necessidade de tomada de decisão em segundos. Esses fatores aumentam a liberação de hormônios ligados ao estresse, como adrenalina, que elevam a frequência cardíaca e deixam o organismo em estado de alerta. Em atletas bem preparados, essa resposta faz parte do desempenho competitivo. O problema ocorre quando há doença cardíaca não diagnosticada, sobrecarga inadequada ou falta de acompanhamento médico. Por isso, clubes e seleções mantêm avaliações cardiológicas frequentes, exames de imagem, testes físicos e monitoramento durante treinos e jogos. Adaptação não significa doença O “coração do atleta” geralmente é uma adaptação benigna ao exercício intenso. O Manual MSD destaca que essas alterações costumam ser assintomáticas e não exigem tratamento quando são fisiológicas. Ainda assim, podem aparecer sinais como frequência cardíaca baixa em repouso e alterações em exames, o que torna importante diferenciar adaptação esportiva de doença cardíaca. A distinção deve ser feita por profissionais especializados, com avaliação clínica, eletrocardiograma, ecocardiograma e outros exames quando necessário. Esse acompanhamento é essencial porque alguns problemas cardíacos podem se manifestar durante esforço intenso. Futebol moderno exige ciência e monitoramento O futebol de alto rendimento se tornou cada vez mais dependente da ciência esportiva. Hoje, equipes monitoram batimentos cardíacos, distância percorrida, acelerações, carga de treino, recuperação muscular, sono e hidratação. Esse controle ajuda a reduzir riscos e melhorar desempenho. Em uma Copa, onde jogos decisivos podem ser definidos por detalhes, o preparo cardiovascular é tão importante quanto técnica, tática e força mental. O coração do jogador, portanto, não apenas bate mais rápido durante o jogo. Ele se adapta ao longo da carreira para sustentar uma rotina de esforço extremo, pressão emocional e exigência física constante.

Infecção por Salmonella pode causar intoxicação grave e até morte; veja como evitar

Salmonella exige atenção: bactéria pode contaminar carnes, ovos, leite e água A Salmonella é uma das principais causas de intoxicação alimentar e pode provocar vômitos, dores abdominais, febre e diarreia. Embora a maioria dos casos melhore em poucos dias, crianças pequenas, idosos e pessoas imunocomprometidas têm maior risco de complicações. A infecção por Salmonella é uma das formas mais conhecidas de intoxicação alimentar, mas ainda é frequentemente subestimada. A bactéria pode estar presente em alimentos contaminados por fezes de animais, especialmente carnes cruas ou mal cozidas, aves, ovos, leite e derivados, pescados, água contaminada e refeições manipuladas sem higiene adequada. Segundo o Ministério da Saúde, a salmonelose pode causar vômito, dores abdominais, febre e diarreia, geralmente com duração de alguns dias e melhora em até uma semana. Infecção por Salmonella pode ser grave Na maior parte das pessoas saudáveis, a infecção por Salmonella é autolimitada, ou seja, melhora com hidratação, repouso e acompanhamento dos sintomas. Ainda assim, o quadro pode evoluir de forma grave, principalmente quando há desidratação intensa ou quando a bactéria se espalha para outras partes do corpo. Os sintomas costumam surgir entre 6 e 72 horas após o consumo do alimento contaminado, conforme informações associadas ao Ministério da Saúde. Entre os sinais mais comuns estão diarreia, cólicas abdominais, febre, náuseas, vômitos e mal-estar. Atenção especial deve ser dada quando há diarreia persistente, sangue nas fezes, febre alta, sinais de desidratação ou piora rápida do estado geral. Nesses casos, a orientação é procurar atendimento médico. Alimentos mais associados à salmonelose O Ministério da Saúde aponta que carnes, aves, ovos, leite e produtos lácteos, pescados, temperos, molhos de salada preparados com ovos não pasteurizados, massas cruas, misturas de bolo e sobremesas com ovo cru podem estar associados a surtos de salmonelose. A contaminação pode ocorrer em diferentes etapas: produção, transporte, armazenamento, preparo ou manipulação dos alimentos. Por isso, o cuidado precisa começar antes mesmo de cozinhar. Higienizar as mãos, separar alimentos crus de prontos para consumo, manter refrigeração adequada e cozinhar bem carnes e ovos são medidas essenciais. Também é importante evitar o consumo de ovos crus ou mal cozidos, maioneses caseiras feitas com ovo cru, carnes mal passadas de procedência duvidosa e leite não pasteurizado. Crianças, idosos e imunossuprimidos correm mais risco Bebês, crianças pequenas, idosos, gestantes e pessoas com imunidade baixa estão entre os grupos mais vulneráveis. Nesses casos, a infecção pode evoluir com maior rapidez e exigir acompanhamento médico mais próximo. O CDC, agência de saúde dos Estados Unidos, alerta que a desidratação pode acontecer rapidamente, especialmente em crianças com diarreia ou vômitos. Sinais de alerta incluem urinar pouco ou não urinar, urina muito escura, sede intensa, boca seca, tontura e choro sem lágrimas em crianças. Em casos graves, pode ser necessária reposição de líquidos e eletrólitos. Antibióticos não são usados rotineiramente em todos os pacientes, mas podem ser indicados para pessoas com maior risco de complicações ou quando a infecção se espalha para fora do intestino. O CDC informa que a maioria dos casos exige apenas cuidado de suporte, como hidratação, mas pacientes com diarreia ou vômitos intensos devem ser reidratados. Como prevenir a contaminação A prevenção depende de cuidados simples e constantes. Lavar bem as mãos antes de preparar alimentos, após usar o banheiro e depois de manipular carnes cruas é uma das medidas mais importantes. Também é necessário higienizar utensílios, tábuas e superfícies que entram em contato com alimentos crus. Carnes, aves e ovos devem ser bem cozidos. Alimentos prontos não devem ser colocados em recipientes que tiveram contato com carne crua sem lavagem adequada. Produtos perecíveis precisam ficar refrigerados, e refeições prontas não devem permanecer por muito tempo em temperatura ambiente. Em estabelecimentos comerciais, a atenção deve ser redobrada. Boas práticas de manipulação, controle de temperatura, armazenamento correto e treinamento de funcionários ajudam a evitar surtos e proteger consumidores. Tratamento exige hidratação e atenção aos sinais O tratamento mais comum envolve repouso e ingestão de líquidos para evitar desidratação. Em alguns casos, soluções de reidratação oral podem ser recomendadas por profissionais de saúde. A automedicação, especialmente com antibióticos ou antidiarreicos, deve ser evitada sem orientação médica. A Salmonella é um problema de saúde pública porque combina alta capacidade de contaminação com sintomas que podem se agravar em grupos vulneráveis. A maioria dos casos melhora, mas a doença pode matar quando evolui para desidratação grave ou infecção disseminada. O alerta principal é direto: higiene, cozimento adequado e armazenamento correto continuam sendo as melhores formas de prevenção.

Falta de vitamina B12 pode ser confundida com ansiedade; veja sintomas

Deficiência de vitamina B12 pode afetar humor, memória e concentração A deficiência de vitamina B12 pode causar fadiga, palpitações, alterações de memória, formigamentos e mudanças de humor, sintomas que em alguns casos se confundem com ansiedade. Especialistas alertam que o diagnóstico depende de avaliação médica e exames laboratoriais. Sintomas frequentemente associados à ansiedade, como irritabilidade, cansaço constante, palpitações, dificuldade de concentração e sensação de “mente embaçada”, podem ter outras causas clínicas. Uma delas é a deficiência de vitamina B12, nutriente essencial para a produção de células do sangue e para o funcionamento adequado do sistema nervoso. Fontes médicas como o NIH e o NHS apontam que a falta de B12 pode causar fadiga, alterações neurológicas, anemia, problemas de memória e mudanças cognitivas. Falta de vitamina B12 pode parecer ansiedade A confusão ocorre porque alguns sinais da deficiência também aparecem em quadros de estresse, ansiedade ou esgotamento emocional. Palpitações, falta de energia, fraqueza, dificuldade de concentração e alterações de humor podem levar o paciente a buscar inicialmente atendimento por suspeita de transtorno emocional, quando a origem pode envolver também fatores nutricionais, hormonais, metabólicos ou neurológicos. Isso não significa que toda ansiedade seja causada por falta de vitamina B12. Pelo contrário: a maior parte dos casos de ansiedade tem causas multifatoriais e exige avaliação adequada. O alerta é para evitar diagnóstico precipitado, especialmente quando sintomas emocionais aparecem junto com sinais físicos persistentes. Sintomas físicos ajudam a acender o alerta Alguns sintomas podem indicar a necessidade de investigação médica para deficiência de B12. Entre eles estão formigamento ou dormência nas mãos e nos pés, tontura, fraqueza, fadiga intensa, alterações de equilíbrio, palidez, falta de ar, dor de cabeça, perda de apetite, alterações na língua e dificuldade de memória ou raciocínio. O NHS também cita palpitações e problemas de memória entre manifestações possíveis da deficiência de vitamina B12 ou folato. O Manual MSD informa que a deficiência pode causar anemia megaloblástica, neuropatia periférica e alterações no sistema nervoso central. Já o MedlinePlus destaca que níveis baixos por longo período podem provocar danos nos nervos, com sintomas como dormência e formigamento. Deficiência pode afetar humor e cognição A vitamina B12 participa de processos importantes para o sistema nervoso, incluindo a formação de mielina, estrutura que protege os nervos. Quando os níveis ficam baixos, podem surgir manifestações neurológicas e neuropsiquiátricas. Revisões publicadas na base PubMed Central descrevem associação entre deficiência de B12 e sintomas como alterações de humor, dificuldade de concentração, neuropatia e distúrbios cognitivos. Em casos mais graves ou prolongados, a deficiência pode causar comprometimentos importantes, por isso o diagnóstico precoce é relevante. A boa notícia é que, quando identificada corretamente, a falta de B12 costuma ter tratamento com reposição orientada por profissional de saúde, além de investigação da causa. Quem tem maior risco de deficiência A deficiência pode ocorrer por baixa ingestão, dificuldade de absorção ou condições de saúde que prejudicam o aproveitamento da vitamina. A B12 é encontrada principalmente em alimentos de origem animal, como carnes, ovos, leite e derivados. Pessoas com dietas vegetarianas estritas ou veganas sem suplementação adequada, idosos, pacientes com doenças gastrointestinais, pessoas que passaram por cirurgias no estômago ou intestino e usuários de certos medicamentos podem ter risco maior. Mesmo assim, a suplementação não deve ser feita de forma aleatória como tentativa de tratar ansiedade. Excesso de autodiagnóstico pode atrasar a identificação de outras causas, como transtornos de ansiedade, depressão, problemas de tireoide, anemia por outras origens, distúrbios do sono ou condições cardíacas. Diagnóstico depende de exames O diagnóstico da deficiência de vitamina B12 é feito com avaliação clínica e exames laboratoriais. Em alguns casos, além da dosagem de B12 no sangue, médicos podem solicitar exames complementares, como hemograma, homocisteína ou ácido metilmalônico, conforme o quadro do paciente. Publicações médicas destacam que sintomas podem se sobrepor a outras condições, o que torna a avaliação profissional indispensável. A orientação para quem apresenta sintomas persistentes é procurar atendimento médico, especialmente quando há formigamento, fraqueza intensa, alterações de memória, tonturas frequentes, palpitações ou piora progressiva. Quanto mais cedo a causa for identificada, maior a chance de tratamento adequado e prevenção de complicações.

Doença de Chagas volta a crescer no Brasil e acende alerta de prevenção

Avanço de casos de Chagas preocupa especialistas e reforça atenção em Goiás Os registros da doença de Chagas voltaram a crescer no Brasil e reacenderam o alerta entre especialistas em saúde pública. Segundo dados do Sinan, sistema ligado ao Ministério da Saúde, os casos passaram de 64 em 2013 para 292 em 2023, crescimento que chama atenção após décadas de controle mais efetivo da transmissão vetorial em várias regiões do país. A doença é causada pelo parasita Trypanosoma cruzi e pode evoluir em duas fases. Na fase aguda, que ocorre logo após a infecção, a pessoa pode apresentar sintomas ou não. Já a fase crônica pode surgir anos depois e, em muitos casos, permanece silenciosa, mas pode causar problemas cardíacos e digestivos. Doença de Chagas volta a crescer no Brasil O avanço dos registros preocupa porque a doença de Chagas nem sempre é identificada rapidamente. Muitas pessoas infectadas passam anos sem sintomas relevantes, o que dificulta o diagnóstico precoce e aumenta o risco de complicações futuras. Historicamente associada ao barbeiro, inseto transmissor do parasita, a doença também pode ocorrer por outras vias, como transmissão oral, de mãe para filho durante a gestação, transfusão, transplante ou acidentes laboratoriais. Nos últimos anos, especialistas têm chamado atenção para casos ligados à contaminação de alimentos, especialmente quando há falhas de higiene, processamento ou armazenamento. O cardiologista Vinicius Marques Rodrigues, citado em reportagem sobre o tema, afirma que o aumento dos casos pode estar relacionado a diferentes fatores, incluindo a transmissão por alimentos. A avaliação reforça a necessidade de vigilância sanitária, controle ambiental e cuidado com produtos consumidos in natura ou processados de forma artesanal. Goiás tem milhares de casos crônicos confirmados Em Goiás, a situação também exige atenção. Atualizações recentes divulgadas pelo Conass apontam que o estado contabiliza 8.749 casos confirmados de doença de Chagas crônica. O levantamento também informa que Goiás segue entre os estados com maiores taxas de mortalidade pela enfermidade. Entre 2020 e 2024, a média anual foi de 622 mortes relacionadas a complicações da doença. Em 2025, já haviam sido registrados 107 óbitos até a divulgação dos dados, segundo o mesmo informe. Boletim epidemiológico da Secretaria de Estado da Saúde de Goiás também aponta que a doença crônica apresenta alta carga no estado e destaca a possibilidade de subnotificação, o que significa que o número real de pessoas afetadas pode ser maior do que o registrado oficialmente. Risco está no diagnóstico tardio O principal perigo da doença de Chagas está na evolução silenciosa. Parte dos pacientes só descobre a infecção quando já apresenta alterações cardíacas, digestivas ou sinais de comprometimento mais avançado. No coração, a doença pode provocar arritmias, insuficiência cardíaca e outras complicações que exigem acompanhamento médico contínuo. Por isso, especialistas defendem que pessoas com histórico de exposição ao barbeiro, moradores de áreas de risco, gestantes e indivíduos com sintomas suspeitos procurem avaliação na rede de saúde. O diagnóstico precoce permite melhor acompanhamento e pode aumentar as chances de controle da infecção, especialmente quando a doença é identificada na fase inicial. Prevenção depende de higiene, moradia e vigilância A prevenção passa por ações simples, mas que exigem organização do poder público e orientação à população. Entre elas estão melhoria das condições habitacionais, vedação de frestas em casas, uso de telas, controle de insetos, limpeza de quintais e atenção a locais onde o barbeiro possa se esconder. No caso da transmissão por alimentos, é importante reforçar boas práticas de higiene, armazenamento e processamento. Produtos artesanais ou manipulados sem controle adequado podem representar risco quando entram em contato com o parasita. A doença de Chagas é um exemplo de como saneamento, vigilância epidemiológica, atenção primária e educação em saúde precisam caminhar juntos. Sem diagnóstico e monitoramento, o problema permanece invisível até gerar complicações graves. Alerta deve reforçar políticas públicas O aumento dos registros no Brasil e o cenário de Goiás mostram que a doença de Chagas não pode ser tratada como problema do passado. Embora o país tenha avançado no controle da transmissão clássica pelo barbeiro, novas formas de exposição, subnotificação e diagnóstico tardio mantêm a enfermidade como desafio de saúde pública. A resposta exige atuação coordenada entre municípios, estados e governo federal. Ampliar testagem, capacitar equipes de saúde, orientar a população e garantir acompanhamento dos pacientes crônicos são medidas essenciais para reduzir mortes e melhorar a qualidade de vida das pessoas afetadas.

Água Crystal recolhe lote após bactéria e acende alerta para controle da água nas indústrias

Contaminação em lote da Crystal reforça importância do monitoramento contínuo da água na indústria A Agência Nacional de Vigilância Sanitária comunicou nesta quarta-feira (3/6) o recolhimento voluntário de um lote da água mineral natural sem gás Crystal, fabricado pela Mineração Bom Jesus Ltda., em Luziânia, Goiás, após a identificação da bactéria Pseudomonas aeruginosa em amostra do produto. O lote afetado é o LZ1 VAL200127 3 P 200126, composto por 374,4 mil garrafas de 500 ml, com fabricação em 20 de janeiro de 2026 e validade até 20 de janeiro de 2027. A medida atinge unidades distribuídas no Distrito Federal, em cidades de Goiás, no Tocantins e no interior de São Paulo. Segundo a Anvisa, o recolhimento foi iniciado após laudo do Laboratório Central de Saúde Pública do Distrito Federal, o Lacen-DF, confirmar a presença da bactéria em amostra coletada durante ação de rotina da Vigilância Sanitária do DF. Água Crystal recolhe lote após contaminação bacteriana De acordo com as informações oficiais, a empresa informou à Anvisa que cerca de 99,2% das unidades do lote já não estariam mais disponíveis nas prateleiras para compra pelo consumidor. A agência também informou que, até o momento, não há registro de reclamações de consumidores relacionadas a esse lote nos canais oficiais da fabricante. A orientação para quem possui garrafas do lote identificado é não consumir o produto e aguardar ou buscar as orientações da empresa sobre devolução e reembolso. Reportagens sobre o caso informam que o atendimento ao consumidor pode ser feito pelo SAC da fabricante, no telefone 0800 061 5000. A Anvisa informou ainda que, até agora, os dados disponíveis indicam ocorrência restrita ao lote comunicado. A investigação segue em andamento, com acompanhamento da agência e das vigilâncias sanitárias envolvidas. Controle da água é etapa crítica na indústria Embora o recolhimento esteja restrito a um lote específico, o episódio chama atenção para um ponto essencial na indústria de alimentos e bebidas: a água não é apenas um insumo operacional. Ela participa de etapas como captação, armazenamento, envase, lavagem, higienização de equipamentos, limpeza de superfícies e controle sanitário do ambiente produtivo. Especialistas em segurança de alimentos apontam que contaminações bacterianas raramente surgem apenas no produto final. Em muitos casos, a origem pode estar em etapas anteriores do processo, como reservatórios, tubulações, filtros, pontos de estagnação, falhas de higienização ou desequilíbrio nos parâmetros de tratamento. Entre os fatores de risco estão baixos níveis de cloro residual, formação de biofilmes nas tubulações, alta turbidez, acúmulo de matéria orgânica e falhas de manutenção preventiva. Esses problemas podem passar despercebidos quando o controle depende apenas de coletas periódicas. Monitoramento contínuo reduz riscos Os exames laboratoriais são fundamentais para comprovar a qualidade da água, mas representam uma fotografia do momento da coleta. Entre uma análise e outra, alterações podem ocorrer no sistema e afetar a segurança da produção. Por isso, indústrias mais estruturadas têm ampliado o monitoramento contínuo de indicadores como pH, cloro residual livre, turbidez, temperatura, pressão, vazão e nível dos reservatórios. A lógica é simples: quanto mais cedo um desvio é identificado, menor a chance de o problema chegar ao produto final. Essa prática também reduz perdas econômicas. Episódios de contaminação podem gerar recolhimentos, paralisações, descarte de produtos, investigação regulatória, custos logísticos e danos à reputação da marca. Em um mercado competitivo, a confiança do consumidor é um ativo tão importante quanto a capacidade produtiva. Caso reforça responsabilidade sanitária e transparência No caso da Crystal, a Anvisa informou que a contaminação foi detectada em ação de rotina da Vigilância Sanitária do DF e confirmada por contraprova. O produto foi fabricado pela Mineração Bom Jesus Ltda., em Luziânia, e distribuído para diferentes regiões, incluindo o Distrito Federal, Goiás, Tocantins e interior paulista. A fabricante informou, em nota enviada a veículos de imprensa, que o recolhimento é preventivo e voluntário, que a distribuição do lote foi restrita e que a medida não envolve outros lotes ou produtos da marca. A empresa também afirmou que segue cooperando com as autoridades competentes. O episódio reforça a importância da transparência em situações de risco sanitário. Para o consumidor, a informação clara permite identificar o lote e evitar o consumo. Para a indústria, a resposta rápida ajuda a reduzir danos, preservar a credibilidade e demonstrar compromisso com a segurança. Água deve ser tratada como ponto estratégico A principal lição para o setor produtivo é que a água precisa ser tratada como ponto crítico de controle. Em indústrias de alimentos, bebidas, cosméticos, medicamentos e serviços de saúde, pequenas falhas podem comprometer lotes inteiros. Mais do que cumprir exigências regulatórias, o controle da água deve fazer parte de uma cultura de prevenção. Monitorar continuamente, registrar dados, manter equipamentos em dia e agir rapidamente diante de qualquer desvio são medidas que protegem consumidores, empresas e o próprio ambiente de negócios. O caso da Crystal ainda está sob acompanhamento das autoridades sanitárias. Até que a investigação seja concluída, a recomendação central permanece: consumidores devem verificar o lote, não consumir unidades afetadas e seguir as orientações de devolução ou reembolso.

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