Pesquisa da USP usa nanotecnologia e RNA para tratar psoríase e vitiligo

Cientistas brasileiros desenvolvem nanopartículas para silenciar genes ligados a doenças de pele Pesquisadores brasileiros da Universidade de São Paulo (USP) estão desenvolvendo uma plataforma de nanotecnologia que pode abrir caminho para tratamentos mais precisos contra doenças de pele como psoríase e vitiligo. O trabalho é conduzido pelo laboratório NanoGeneSkin, em Ribeirão Preto, e utiliza nanopartículas capazes de transportar moléculas terapêuticas de RNA diretamente para células cutâneas, com o objetivo de silenciar genes ligados à inflamação crônica. Os avanços mais recentes foram apresentados durante a FAPESP Week Londres, evento científico realizado no Science Museum, na capital britânica. A pesquisadora Maria Vitória Bentley, coordenadora do NanoGeneSkin e do INCT em Nanotecnologia Farmacêutica, afirmou à Agência FAPESP que o grupo acumula duas décadas de experiência no desenvolvimento de nanopartículas para transportar fármacos e RNAs de interferência em doenças cutâneas crônicas. Nanotecnologia da USP mira doenças de pele A proposta do grupo é usar nanopartículas como veículos para levar moléculas terapêuticas até as células da pele. Essas estruturas funcionam como sistemas de entrega, protegendo o material genético e facilitando sua chegada ao local de ação. No caso da psoríase e do vitiligo, os pesquisadores buscam interferir em genes que estão anormalmente ativos e ajudam a sustentar processos inflamatórios ou alterações celulares. A técnica utiliza RNA de interferência, também conhecido como siRNA, para reduzir a produção de proteínas envolvidas nesses mecanismos. A abordagem representa uma linha de pesquisa promissora porque tenta agir de forma mais específica sobre o mecanismo da doença, em vez de apenas controlar sintomas. Ainda assim, trata-se de uma tecnologia em desenvolvimento, sem indicação de uso amplo imediato para pacientes. RNA de interferência pode silenciar genes-alvo O RNA é uma molécula essencial para a produção de proteínas nas células. Na estratégia estudada pela USP, moléculas sintéticas de RNA de interferência atuam sobre o RNA mensageiro responsável por produzir proteínas inflamatórias, impedindo que essa instrução siga adiante. Em linguagem simples, a técnica tenta bloquear uma “ordem” celular antes que ela resulte na fabricação de uma proteína associada à doença. Com isso, seria possível reduzir sinais inflamatórios de forma mais direcionada. Na psoríase, uma das moléculas inflamatórias citadas pela Agência FAPESP é o TNF-alfa. Já no vitiligo, a doença envolve destruição de melanócitos, células responsáveis pela produção da melanina, pigmento que dá cor à pele. Nanopartículas protegem material genético Um dos grandes desafios das terapias com RNA é fazer com que a molécula chegue íntegra ao alvo. O RNA pode ser degradado no organismo antes de alcançar a célula desejada. Por isso, os pesquisadores utilizam nanopartículas de cristais líquidos, feitas com lipídios e organizadas para proteger o material genético. Segundo a Agência FAPESP, essa arquitetura permite encapsular o RNA, reduzir sua degradação e facilitar tanto a penetração na pele quanto a captação pelas células-alvo. O grupo também demonstrou que métodos físicos, como a fotoativação, podem potencializar a liberação do RNA dentro das células. Outro avanço citado é a possibilidade de transportar múltiplos RNAs e até fármacos anti-inflamatórios convencionais em uma mesma nanopartícula. Essa combinação pode ser relevante em doenças complexas, nas quais vários sinais inflamatórios atuam ao mesmo tempo. Pesquisa ainda não representa tratamento disponível Apesar do potencial, especialistas ressaltam que descobertas desse tipo precisam passar por etapas rigorosas antes de chegar à prática clínica. É necessário comprovar segurança, eficácia, dose adequada, estabilidade, forma de aplicação e ausência de efeitos indesejados. Por isso, o avanço deve ser visto como uma promessa científica, não como cura imediata para psoríase ou vitiligo. Pacientes não devem interromper tratamentos já prescritos nem buscar terapias experimentais sem acompanhamento médico. A pesquisa brasileira, no entanto, mostra a capacidade de universidades públicas desenvolverem tecnologia de ponta em áreas estratégicas. Em um país com grande demanda por tratamentos dermatológicos, inovação nacional pode reduzir dependência externa no futuro e fortalecer a indústria de saúde. Ciência brasileira ganha vitrine internacional A apresentação na FAPESP Week Londres colocou o trabalho da USP em diálogo com pesquisadores e instituições internacionais. O evento reuniu cientistas de São Paulo e do Reino Unido para discutir resultados avançados e possibilidades de cooperação científica. Esse tipo de exposição é importante para atrair parcerias, ampliar financiamento e acelerar a transformação de conhecimento acadêmico em soluções concretas. Na área da saúde, o caminho entre laboratório e paciente costuma ser longo, mas depende justamente de continuidade, investimento e validação científica. O trabalho do NanoGeneSkin reforça a importância da pesquisa brasileira em biotecnologia, nanotecnologia e medicina de precisão. Se os próximos estudos confirmarem segurança e eficácia, a tecnologia poderá representar uma nova etapa no tratamento de doenças crônicas da pele.
Afastamentos por saúde mental crescem 159% no Brasil, apontam dados do INSS

Transtornos mentais já respondem por cerca de 10% dos afastamentos do trabalho Os afastamentos do trabalho por problemas de saúde mental cresceram de forma expressiva nos últimos anos no Brasil. Dados atribuídos ao INSS mostram que os benefícios por incapacidade temporária relacionados a essas condições passaram de 150,8 mil, em 2019, para 390,4 mil, em 2025, uma alta de 159%. O avanço acende um alerta para empresas, trabalhadores e poder público. Transtornos mentais já representam cerca de 10% dos afastamentos concedidos, segundo o levantamento citado. O Ministério da Previdência Social informou que, em 2025, foram concedidos 4,1 milhões de benefícios por incapacidade temporária no país, o que ajuda a dimensionar o peso desse tipo de afastamento na Previdência. Afastamentos por saúde mental disparam no Brasil O crescimento dos afastamentos por saúde mental mostra que o ambiente de trabalho passou a ocupar lugar central no debate sobre saúde pública. Ansiedade, depressão, burnout e outros transtornos podem comprometer a capacidade de concentração, produtividade, convivência e execução das atividades profissionais. Entre os fatores apontados por especialistas estão impactos prolongados da pandemia, excesso de trabalho, pressão constante por resultados, dificuldade de desconectar do ambiente profissional e uso contínuo de tecnologias. Também há outro componente importante: mais pessoas passaram a buscar diagnóstico e tratamento. Isso pode ter aumentado a identificação formal dos casos, inclusive em situações que antes eram tratadas apenas como cansaço, estresse ou desmotivação. Perfil mais frequente é de mulheres entre 30 e 49 anos O levantamento aponta que o perfil mais frequente entre os afastamentos por saúde mental é de mulheres entre 30 e 49 anos. Esse dado reforça uma discussão já conhecida no mercado de trabalho: muitas mulheres acumulam jornada profissional, responsabilidades domésticas, cuidado com filhos, familiares e pressão por desempenho. Essa sobrecarga pode agravar quadros de sofrimento mental, especialmente quando não há rede de apoio, flexibilidade ou políticas internas de prevenção. O dado também deve servir de alerta para empregadores. Empresas que ignoram sinais de adoecimento mental podem enfrentar queda de produtividade, aumento de afastamentos, rotatividade, conflitos internos e perda de talentos. Benefício exige comprovação de incapacidade Ter um diagnóstico de transtorno mental não garante automaticamente o benefício por incapacidade temporária. Para receber o auxílio, o trabalhador precisa comprovar que a condição realmente impede o exercício da atividade profissional por mais de 15 dias consecutivos. O INSS informa que o benefício é devido ao segurado que comprove incapacidade temporária para o trabalho ou atividade habitual em razão de doença ou acidente. A comprovação pode envolver laudos, atestados, relatórios médicos, exames, histórico de tratamento e avaliação da Perícia Médica Federal. Em alguns casos, o pedido pode ser analisado por meio documental, conforme regras do INSS. Esse ponto é importante para evitar confusão. O benefício não funciona como compensação pelo diagnóstico, mas como proteção previdenciária quando há incapacidade temporária comprovada para o trabalho. Empresas precisam agir antes do afastamento O aumento dos afastamentos indica que a prevenção precisa começar dentro das organizações. Ambientes com metas abusivas, comunicação agressiva, jornadas excessivas, insegurança constante e falta de autonomia tendem a aumentar riscos de adoecimento. Medidas simples podem fazer diferença. Entre elas estão gestão mais equilibrada, pausas reais, respeito a horários de descanso, combate ao assédio, canais de escuta, treinamento de lideranças e acompanhamento de indicadores internos. Também é necessário diferenciar cobrança profissional legítima de pressão desorganizada. Produtividade não deve ser confundida com exaustão permanente. Empresas eficientes são aquelas que conseguem entregar resultados sem destruir a saúde de suas equipes. Tecnologia ampliou a dificuldade de desconectar O uso contínuo de celulares, aplicativos corporativos e mensagens fora do expediente tornou mais difícil separar vida pessoal e trabalho. Para muitos profissionais, o expediente parece nunca terminar. Essa hiperconexão contribui para sensação de urgência permanente. Quando o trabalhador não consegue descansar, a recuperação mental fica comprometida, e o risco de adoecimento aumenta. A discussão sobre saúde mental, portanto, também é uma discussão sobre gestão moderna. O desafio não é reduzir a produtividade, mas organizar o trabalho com regras claras, previsibilidade e respeito aos limites humanos. Tema exige responsabilidade de todos O crescimento dos afastamentos por saúde mental deve ser tratado com seriedade, sem estigma e sem banalização. Trabalhadores precisam buscar atendimento quando perceberem sinais persistentes de sofrimento. Empresas devem criar ambientes mais saudáveis. O poder público precisa garantir atendimento, perícia eficiente e dados transparentes. Para o país, o tema tem impacto social e econômico. Afastamentos prolongados pressionam a Previdência, reduzem renda familiar, afetam empresas e revelam fragilidades no cuidado com a saúde mental. O avanço de 159% nos benefícios relacionados a transtornos mentais não pode ser visto apenas como estatística. Ele mostra que o trabalho, a tecnologia e a rotina moderna precisam ser reorganizados com mais responsabilidade, equilíbrio e prevenção.
Leqembi chega ao Brasil com tratamento particular para Alzheimer inicial a partir de R$ 12 mil

Medicamento para Alzheimer em fase inicial será oferecido por clínica da Dasa em SP e no Rio O medicamento Leqembi, indicado para pacientes com Alzheimer em estágio inicial, será comercializado pela Alta Diagnósticos, marca da Dasa, a partir da segunda semana de julho, com valor inicial a partir de R$ 12 mil. A terapia será oferecida de forma particular em unidades de São Paulo e do Rio de Janeiro, mediante prescrição médica e avaliação de critérios clínicos de elegibilidade, segundo informações divulgadas pela CNN Brasil e pelo UOL. O remédio, cujo princípio ativo é o lecanemabe, foi aprovado pela Anvisa em janeiro de 2026 para tratamento da doença de Alzheimer em fase inicial. A agência reguladora informou que o produto é um anticorpo monoclonal e atua sobre mecanismos associados à doença, diferentemente de terapias tradicionais focadas apenas no controle de sintomas. Leqembi será oferecido pela Alta Diagnósticos O tratamento poderá ser solicitado por meio do Núcleo de Memória da Alta Diagnósticos. A estrutura realiza investigação e acompanhamento de pacientes com queixas cognitivas, incluindo exames de biomarcadores em sangue e líquor, PET-CT cerebral e teste genético APOE4. A oferta será feita exclusivamente no atendimento particular. Isso significa que, ao menos neste primeiro momento, o acesso ficará restrito a pacientes que possam custear o tratamento ou que obtenham eventual cobertura privada, caso aplicável e autorizada. O alto custo deve ser um dos principais pontos de debate. Em doenças crônicas e progressivas, tratamentos inovadores costumam trazer esperança para famílias, mas também levantam discussões sobre acesso, sustentabilidade financeira e critérios de indicação. Medicamento é voltado para Alzheimer inicial O Leqembi não é indicado para todos os pacientes com Alzheimer. A aprovação e os estudos envolvem pessoas em estágio inicial da doença, incluindo comprometimento cognitivo leve ou demência leve associada ao Alzheimer. Isso é importante porque o medicamento atua sobre placas beta-amiloide, uma das alterações biológicas associadas à doença. Para confirmar se o paciente se enquadra no perfil, podem ser necessários exames específicos e avaliação especializada. Na prática, o tratamento exige diagnóstico preciso. Queixas de memória podem ter várias causas, como depressão, distúrbios do sono, deficiência de vitaminas, efeitos de medicamentos, alterações hormonais ou outras doenças neurológicas. Por isso, a indicação deve ser feita com cautela. Estudo mostrou redução no declínio cognitivo O principal estudo de fase 3 do lecanemabe, publicado no New England Journal of Medicine, mostrou que o medicamento reduziu marcadores de amiloide no cérebro e resultou em menor declínio em medidas de cognição e funcionalidade em comparação com placebo ao longo de 18 meses. Os autores também registraram eventos adversos e defenderam acompanhamento adicional para avaliar eficácia e segurança no longo prazo. O resultado foi considerado relevante porque representa uma mudança de abordagem no tratamento do Alzheimer. Antes, grande parte das terapias disponíveis buscava aliviar sintomas ligados à memória, comportamento e funcionalidade. O lecanemabe mira um mecanismo biológico associado à progressão da doença. Ainda assim, especialistas ressaltam que o medicamento não cura o Alzheimer. O objetivo é retardar a progressão em pacientes selecionados, dentro de critérios clínicos e laboratoriais bem definidos. Acompanhamento médico será indispensável O uso do Leqembi exige monitoramento especializado. Medicamentos antiamiloide podem estar associados a efeitos adversos neurológicos, incluindo alterações detectadas em exames de imagem, como edema ou micro-hemorragias cerebrais. Por esse motivo, o teste genético APOE4 pode integrar a avaliação de risco. Pessoas com determinadas variantes genéticas podem ter risco aumentado de eventos adversos, o que reforça a necessidade de decisão médica individualizada. Além da prescrição, o paciente precisa de acompanhamento contínuo para avaliar tolerância, evolução clínica, exames de controle e manutenção da elegibilidade ao tratamento. Chegada do tratamento amplia debate sobre acesso A chegada do Leqembi ao setor privado brasileiro marca um avanço científico, mas também abre uma discussão institucional sobre acesso à inovação. O Alzheimer é uma doença de grande impacto familiar, social e econômico, especialmente com o envelhecimento da população. Para famílias que convivem com a doença, qualquer alternativa capaz de retardar a perda de autonomia pode ter grande valor. Ao mesmo tempo, o custo elevado limita o alcance da terapia e reforça a necessidade de avaliação técnica por órgãos de saúde, planos, hospitais e especialistas. O desafio será equilibrar inovação, segurança, evidência científica e responsabilidade financeira. O Leqembi inaugura uma nova fase no tratamento do Alzheimer no Brasil, mas seu uso deve ser restrito a pacientes bem avaliados, com diagnóstico confirmado e acompanhamento médico rigoroso.
Mamoplastia redutora pode estar associada a menor risco de problemas metabólicos

Estudo preliminar liga redução das mamas a menor incidência de diabetes e hipertensão A mamoplastia redutora, cirurgia conhecida por aliviar dores nas costas, melhorar a postura e facilitar a rotina de mulheres com mamas volumosas, pode estar associada a outro possível benefício: menor risco de problemas metabólicos ao longo do tempo. Um estudo preliminar divulgado em março analisou dados de mais de 23 mil mulheres e encontrou associação entre a cirurgia e menor incidência de diabetes tipo 2, pré-diabetes, hipertensão e alterações metabólicas em até dez anos de acompanhamento. O trabalho, disponível em plataforma de preprints, ainda não passou por revisão por pares. Isso significa que os resultados devem ser interpretados com cautela e não devem, por enquanto, mudar condutas clínicas de forma automática. A própria publicação destaca que estudos preliminares não devem ser tratados como conclusivos nem usados isoladamente para orientar decisões de saúde. Mamoplastia redutora e saúde metabólica A mamoplastia redutora consiste na retirada de excesso de tecido mamário, pele e gordura, além do reposicionamento das mamas. A indicação costuma ocorrer quando o volume causa dor, limitação física, desconforto postural, irritações na pele ou dificuldade para atividades diárias. No estudo, os pesquisadores compararam mulheres que realizaram a cirurgia com outras de perfil semelhante que não passaram pelo procedimento. As participantes foram organizadas por faixas de índice de massa corporal, incluindo IMC normal, sobrepeso e obesidade. Após os ajustes estatísticos, a cirurgia apareceu associada a menor risco de alguns desfechos metabólicos. Entre eles estavam diabetes tipo 2, pré-diabetes, pressão arterial elevada, alterações de HDL e uso de medicamentos relacionados a condições metabólicas. Efeito foi maior em mulheres com IMC normal e sobrepeso A associação mais consistente apareceu entre mulheres com IMC normal e sobrepeso. Nos grupos com obesidade, os resultados foram menos uniformes, o que sugere que o efeito pode variar de acordo com o perfil metabólico inicial da paciente. Esse ponto é importante porque evita uma leitura simplista do estudo. A mamoplastia redutora não é uma cirurgia metabólica, como a bariátrica, e não deve ser apresentada como tratamento para diabetes, hipertensão ou obesidade. A hipótese levantada por especialistas é que a melhora física após a redução das mamas possa facilitar mudanças de rotina. Mulheres que antes tinham dor, desconforto ou dificuldade para se movimentar podem passar a praticar exercícios com mais regularidade, dormir melhor e manter hábitos mais saudáveis. Especialistas pedem cautela na interpretação Segundo a cirurgiã plástica Beatriz Lassance, membro da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica, o possível benefício metabólico deve estar ligado principalmente à melhora funcional depois do procedimento. Ao reduzir limitações causadas pelo peso das mamas, a mulher pode se movimentar com mais conforto e aderir melhor à atividade física. Ainda assim, a conclusão exige prudência. O estudo identifica uma associação, mas não prova que a cirurgia, sozinha, reduza o risco de doenças metabólicas. Também podem existir fatores indiretos, como acesso a serviços de saúde, acompanhamento médico, renda, hábitos de vida e maior cuidado preventivo entre mulheres que conseguiram realizar o procedimento. Os próprios autores apontam que diferenças de acesso à saúde e outros fatores não medidos podem explicar parte dos resultados observados. Procedimento deve ter indicação individualizada A decisão por uma mamoplastia redutora deve ser feita com avaliação médica individual. O procedimento pode trazer benefícios importantes para mulheres que sofrem com dores, limitações e desconfortos causados pelo volume mamário, mas também envolve riscos cirúrgicos, anestesia, cicatrizes e período de recuperação. Por isso, a indicação deve considerar sintomas, exames, histórico de saúde, expectativas realistas e avaliação de um cirurgião plástico qualificado. Também é importante que a paciente receba orientação sobre recuperação, retorno às atividades e acompanhamento pós-operatório. O possível impacto metabólico observado no estudo pode ampliar o interesse científico sobre o tema, mas ainda não transforma a cirurgia em uma estratégia preventiva formal contra diabetes ou hipertensão. Hábitos saudáveis continuam essenciais Mesmo que novas pesquisas confirmem parte dos achados, hábitos de vida seguirão sendo fundamentais para a saúde metabólica. Alimentação equilibrada, atividade física regular, sono adequado, controle do peso, acompanhamento da pressão arterial e exames preventivos continuam sendo medidas centrais. A mamoplastia redutora pode melhorar a qualidade de vida de muitas pacientes, especialmente quando há sintomas físicos relevantes. O estudo preliminar sugere que esse ganho funcional talvez também se reflita em indicadores metabólicos, mas a confirmação depende de pesquisas revisadas, acompanhamento de longo prazo e análise mais detalhada dos mecanismos envolvidos. Até lá, a mensagem mais segura é de equilíbrio: a cirurgia pode ser uma opção importante para casos bem indicados, mas não substitui prevenção, acompanhamento médico e rotina saudável.
Magnésio pode ajudar na prevenção do câncer colorretal, aponta estudo

Estudo associa magnésio a bactérias intestinais ligadas à proteção contra câncer colorretal Um estudo realizado por pesquisadores do Vanderbilt University Medical Center trouxe novos indícios de que o magnésio pode ter papel relevante na saúde intestinal e, possivelmente, na prevenção do câncer colorretal. A pesquisa, publicada no The American Journal of Clinical Nutrition, avaliou os efeitos da suplementação do mineral sobre bactérias intestinais associadas à síntese de vitamina D e à proteção contra processos ligados ao desenvolvimento de tumores no intestino. Os resultados fazem parte do Personalized Prevention of Colorectal Cancer Trial (PPCCT), um ensaio clínico randomizado, duplo-cego e controlado por placebo. Segundo os pesquisadores, a suplementação de magnésio aumentou a presença de microrganismos como Faecalibacterium prausnitzii e Carnobacterium maltaromaticum, bactérias investigadas por sua relação com a produção local de vitamina D e com mecanismos de proteção no cólon. Magnésio e câncer colorretal entram no foco da pesquisa O câncer colorretal está entre os tumores que mais preocupam autoridades de saúde por sua frequência e pela importância do diagnóstico precoce. A nova pesquisa não afirma que o magnésio, sozinho, previne a doença, mas sugere uma possível rota biológica pela qual o mineral poderia influenciar a saúde intestinal. De acordo com o Vanderbilt University Medical Center, o magnésio pode favorecer a presença de bactérias capazes de participar da síntese de vitamina D no intestino. Essa vitamina tem papel reconhecido na regulação do sistema imunológico e vem sendo estudada por sua relação com processos inflamatórios e proteção celular. A hipótese central é que alterações positivas na microbiota intestinal possam ajudar a criar um ambiente menos favorável ao desenvolvimento de lesões no cólon. Ainda assim, esse caminho precisa ser confirmado por novas pesquisas antes de qualquer recomendação clínica ampla. Microbiota intestinal pode ser peça importante A microbiota intestinal é formada por trilhões de microrganismos que vivem no trato digestivo. Eles participam da digestão, da produção de substâncias importantes e da modulação da resposta imune. No estudo, os pesquisadores observaram aumento de bactérias consideradas benéficas após a suplementação de magnésio. Entre elas estão Faecalibacterium prausnitzii, frequentemente associada à redução da inflamação intestinal, e Carnobacterium maltaromaticum, investigada por possível relação com a síntese de vitamina D no cólon. Esse achado é importante porque reforça uma tendência da ciência atual: olhar para o intestino não apenas como órgão digestivo, mas como parte central da imunidade, do metabolismo e da prevenção de doenças. Efeito foi mais evidente entre mulheres Outro ponto destacado pelos pesquisadores foi a diferença observada entre homens e mulheres. O efeito protetor relacionado ao magnésio apareceu de forma mais evidente entre participantes do sexo feminino. Segundo os autores, uma hipótese é que o estrogênio influencie a absorção e o metabolismo do magnésio, alterando a forma como o organismo responde à suplementação. Essa explicação, porém, ainda exige investigação adicional. A descoberta reforça a importância da medicina personalizada. Fatores como sexo, genética, dieta, microbiota, idade e condições de saúde podem influenciar a resposta a nutrientes e suplementos. Suplementação não substitui prevenção comprovada Apesar dos resultados promissores, o estudo não autoriza a conclusão de que tomar magnésio evita câncer colorretal. Os próprios pesquisadores ressaltam que são necessários novos trabalhos para confirmar os mecanismos envolvidos e avaliar o real impacto clínico da suplementação. A prevenção do câncer colorretal continua dependendo de medidas já conhecidas, como alimentação equilibrada, prática regular de atividade física, manutenção de peso saudável, redução do consumo de álcool, não fumar e acompanhamento médico quando houver sintomas ou histórico familiar. O INCA também destaca a importância da prevenção e da detecção precoce no controle do câncer. Exames de rastreamento, quando indicados por idade, sintomas ou risco familiar, seguem sendo fundamentais. Nenhum suplemento deve substituir colonoscopia, exames laboratoriais, avaliação médica ou tratamento. Magnésio está presente em alimentos comuns O magnésio pode ser encontrado naturalmente em alimentos como amêndoas, castanhas, sementes, espinafre, abacate, cacau, leguminosas e grãos integrais. Para grande parte das pessoas, uma alimentação variada é a forma mais segura de obter o mineral. Já a suplementação deve ser feita com cautela. O Office of Dietary Supplements, ligado ao NIH, informa que o excesso de magnésio vindo de alimentos não costuma representar risco para pessoas saudáveis, mas altas doses em suplementos ou medicamentos podem causar efeitos adversos, como diarreia, náusea e cólicas abdominais. Pessoas com doença renal, uso contínuo de medicamentos ou condições crônicas devem conversar com um profissional de saúde antes de usar suplementos. O avanço científico é relevante, mas a decisão sobre suplementação precisa ser individual, segura e acompanhada.
Tinturas permanentes e alisamentos podem estar associados a maior risco de câncer de mama

Estudo com mais de 46 mil mulheres liga produtos capilares químicos a risco maior de câncer de mam O uso frequente de tinturas permanentes para cabelo e de alisamentos químicos pode estar associado a maior risco de câncer de mama, segundo estudo conduzido por pesquisadores do National Institute of Environmental Health Sciences, instituto ligado ao NIH, nos Estados Unidos. A pesquisa acompanhou 46.709 mulheres no chamado Sister Study e foi publicada no International Journal of Cancer. Os dados indicaram que mulheres que usavam tinturas permanentes regularmente apresentaram risco 9% maior de desenvolver câncer de mama em comparação com aquelas que não utilizavam esses produtos. O estudo também observou associação mais forte entre mulheres negras que usavam tinturas permanentes com maior frequência. Tinturas permanentes entram no radar da pesquisa Segundo os pesquisadores, tinturas permanentes contêm compostos químicos que podem ser absorvidos pelo couro cabeludo, especialmente quando aplicados com frequência ao longo dos anos. A hipótese é que parte dessas substâncias possa interferir em tecidos sensíveis a hormônios, como o tecido mamário. O estudo não afirma que a tintura causa câncer de mama. Ele aponta uma associação estatística que precisa ser investigada com mais profundidade. Esse cuidado é importante porque o câncer de mama é uma doença multifatorial, influenciada por genética, idade, histórico familiar, estilo de vida, fatores hormonais e ambientais. Além disso, as participantes do Sister Study tinham uma irmã diagnosticada com câncer de mama, o que já indica um grupo com risco familiar aumentado. Esse detalhe exige cautela na interpretação dos resultados para a população geral. Alisamentos químicos também foram associados a risco maior A pesquisa também avaliou o uso de alisadores químicos. De acordo com o NIH, mulheres que usavam alisadores ou relaxantes químicos apresentaram risco maior de câncer de mama. O risco foi mais elevado entre aquelas que utilizavam esses produtos a cada cinco a oito semanas ou mais. Os cientistas destacam que muitos produtos capilares podem conter substâncias com potencial de interferência hormonal. Em algumas formulações, há compostos associados a maior preocupação toxicológica, o que reforça a necessidade de fiscalização, rotulagem clara e uso responsável. A discussão também envolve desigualdade de exposição. Em alguns grupos, especialmente mulheres que utilizam alisamentos com maior frequência por pressão estética ou padrão social, a exposição acumulada pode ser maior. Estudo aponta associação, não causa direta O principal ponto da pesquisa é a prudência. Os resultados sugerem uma possível ligação entre produtos capilares químicos e câncer de mama, mas não provam que o uso de tinturas ou alisamentos provoque a doença. Estudos observacionais acompanham grupos de pessoas ao longo do tempo e identificam padrões. Eles são úteis para levantar alertas, mas não conseguem eliminar todos os fatores de confusão. Por isso, os próprios autores defendem novas pesquisas para confirmar os achados e identificar quais substâncias específicas poderiam estar envolvidas. Na prática, o estudo não exige pânico nem abandono imediato de todos os produtos capilares. O alerta é para o uso frequente, prolongado e sem atenção à composição, especialmente quando há histórico familiar ou outros fatores de risco. Produtos temporários não mostraram a mesma associação Outro ponto relevante é que tinturas temporárias e semipermanentes não apresentaram o mesmo padrão de associação observado nas tinturas permanentes. Isso sugere que o tipo de produto, a composição química e a frequência de aplicação podem fazer diferença. Especialistas recomendam que consumidoras leiam rótulos, sigam o tempo de aplicação indicado, evitem misturas improvisadas e procurem profissionais capacitados. Também pode ser prudente reduzir a frequência de procedimentos agressivos e optar por formulações menos irritantes quando possível. Para cabeleireiros e profissionais da beleza, o cuidado deve ser ainda maior. O uso diário desses produtos em salões aumenta a exposição ocupacional, tornando importantes medidas como ventilação adequada, luvas e boas práticas de segurança. Prevenção continua sendo essencial Independentemente do uso de produtos capilares, a prevenção e a detecção precoce continuam sendo fundamentais. O INCA orienta que a mamografia de rotina no Brasil seja realizada conforme faixa etária e recomendação vigente, além de reforçar a importância de investigar sinais suspeitos com atendimento médico. Mulheres com histórico familiar de câncer de mama, alterações genéticas conhecidas ou dúvidas sobre risco individual devem conversar com um profissional de saúde. A orientação médica ajuda a definir exames, frequência de acompanhamento e medidas preventivas adequadas. O estudo reforça uma mensagem de equilíbrio: beleza e autocuidado podem caminhar junto com informação, moderação e segurança. A escolha de produtos, a frequência de uso e a manutenção dos exames preventivos fazem parte de uma rotina mais consciente para a saúde da mulher.
H5N1 pode permanecer ativo por até 120 dias em queijo de leite cru, aponta estudo

Estudo acende alerta sobre risco da gripe aviária em produtos lácteos não pasteurizados Um estudo publicado na revista científica Nature Medicine acendeu um novo alerta sobre segurança alimentar. Pesquisadores da Universidade Cornell, nos Estados Unidos, descobriram que o vírus da gripe aviária altamente patogênica H5N1 pode permanecer ativo e infeccioso por até 120 dias em queijos produzidos com leite cru contaminado. A pesquisa avaliou a estabilidade do vírus durante o processo de fabricação e maturação do queijo. Segundo os autores, em determinadas condições de temperatura e pH, o H5N1 resistiu à fermentação e continuou viável por até quatro meses após a produção. H5N1 em queijo de leite cru preocupa pesquisadores O resultado amplia a discussão sobre os possíveis caminhos de exposição ao H5N1. Até agora, o maior foco de atenção estava no contato direto com aves infectadas, rebanhos contaminados ou ambientes de produção. No entanto, o estudo indica que produtos lácteos não pasteurizados também podem representar risco quando produzidos com leite contaminado. De acordo com a Universidade Cornell, queijos feitos com leite cru contaminado continham vírus infeccioso após o processo de fabricação. Ao mesmo tempo, os pesquisadores observaram que amostras mais ácidas não apresentaram detecção do vírus, o que sugere influência importante do pH na sobrevivência do H5N1. Esse ponto é relevante porque o queijo de leite cru costuma passar por maturação. Muitos consumidores acreditam que o tempo de envelhecimento elimina automaticamente microrganismos perigosos. Porém, o estudo mostra que, para o H5N1, isso pode não ser suficiente em todos os cenários. Pasteurização segue como principal medida de segurança A principal recomendação dos pesquisadores e das autoridades de saúde é clara: consumir leite e derivados pasteurizados. A pasteurização usa calor controlado para inativar microrganismos que podem causar doenças, incluindo vírus e bactérias. O CDC, órgão de saúde dos Estados Unidos, orienta que consumidores escolham sempre leite e derivados pasteurizados. A agência alerta que leite cru e produtos feitos com ele, como queijos, iogurtes e sorvetes, podem carregar germes capazes de causar doenças graves, internações e até mortes. A FDA, agência reguladora dos Estados Unidos, também afirma ter confiança na eficácia da pasteurização para inativar o H5N1 e manter segura a oferta comercial de leite pasteurizado. Segundo a agência, testes em produtos lácteos pasteurizados não detectaram vírus infeccioso. Leite cru exige atenção redobrada O leite cru é aquele que não passou por pasteurização. Embora alguns consumidores o associem a produtos artesanais ou naturais, autoridades sanitárias alertam que ele pode conter agentes infecciosos perigosos. Além do H5N1, produtos não pasteurizados podem transmitir bactérias como Salmonella, E. coli e Listeria. Por isso, o alerta não se limita à gripe aviária. Trata-se de uma questão ampla de segurança alimentar. No caso do H5N1, a preocupação aumentou depois que o vírus passou a ser detectado em rebanhos leiteiros nos Estados Unidos. Estudos anteriores já haviam mostrado que o vírus pode persistir em leite cru refrigerado por semanas. Casos humanos ainda são raros, mas vigilância continua A gripe aviária H5N1 ainda causa poucos casos em humanos. Mesmo assim, autoridades de saúde monitoram o vírus com atenção. O motivo é o potencial de adaptação a diferentes espécies, incluindo aves, mamíferos e rebanhos leiteiros. Até o momento, o risco para a população em geral continua sendo considerado baixo quando há consumo de produtos pasteurizados e respeito às normas sanitárias. Porém, trabalhadores rurais, pessoas em contato com animais infectados e consumidores de leite cru podem estar mais expostos. Por isso, o monitoramento de fazendas, rebanhos, aves silvestres, leite e derivados segue como medida estratégica. A vigilância ajuda a identificar mudanças no comportamento do vírus e reduzir o risco de novos surtos. Estudo reforça papel da segurança alimentar A descoberta da Universidade Cornell não significa que todo queijo ofereça risco. O alerta se concentra em produtos feitos com leite cru contaminado e em condições que favoreçam a sobrevivência do vírus. Ainda assim, o estudo reforça uma mensagem importante para consumidores e produtores: segurança alimentar depende de controle rigoroso em toda a cadeia. Isso inclui saúde dos rebanhos, fiscalização, boas práticas de fabricação, armazenamento correto e uso da pasteurização quando indicada. Para o consumidor comum, a orientação prática é simples. Antes de comprar leite, queijo ou outros derivados, é importante verificar se o produto é pasteurizado e se tem origem regular. Essa decisão reduz riscos e protege especialmente crianças, idosos, gestantes e pessoas com imunidade baixa.
Vacinação após os 40 anos ajuda a proteger mulheres contra infecções graves

Mulheres acima dos 40 devem manter calendário vacinal em dia, alertam especialistas A vacinação após os 40 anos ganha importância especial para mulheres que desejam envelhecer com mais saúde e autonomia. Com o avanço da idade, o sistema imunológico passa por mudanças naturais e pode responder com menos eficiência a infecções. Além disso, a fase de transição para a menopausa costuma coincidir com maior frequência de doenças crônicas, como hipertensão, diabetes e obesidade. Esse cenário torna a atualização do calendário vacinal uma medida de prevenção relevante. Vacinas reduzem o risco de infecções graves, complicações, internações e perda de qualidade de vida. O Ministério da Saúde orienta adultos de 25 a 59 anos a manterem o cartão atualizado, com atenção a imunizantes como hepatite B, dT, febre amarela e tríplice viral, conforme histórico vacinal e indicação de risco. Vacinação após os 40 anos deve entrar na rotina Para especialistas, a vacinação deve fazer parte do cuidado regular da mulher adulta. A secretária da Comissão Nacional Especializada em Vacinas da Febrasgo, Cecilia Maria Roteli Martins, afirma que a imunização é um dos pilares da longevidade saudável, ao lado da alimentação equilibrada, da atividade física e das conexões sociais. A orientação é simples: mulheres acima dos 40 anos devem revisar o cartão de vacinas em consultas de rotina. Muitas pessoas acreditam que vacina é assunto apenas da infância. No entanto, vários imunizantes exigem reforços ao longo da vida. Outros passam a ser indicados em fases específicas da idade adulta. Além disso, mulheres com doenças crônicas precisam de atenção redobrada. Nesses casos, o risco de complicações por infecções respiratórias pode ser maior. Gripe, Covid-19 e pneumonia exigem atenção Após os 40 anos, cresce a preocupação com infecções respiratórias, como gripe, Covid-19 e pneumonia. Essas doenças podem causar quadros mais graves em pessoas com comorbidades. Também podem exigir recuperação mais lenta. A vacina contra influenza deve ser atualizada conforme a campanha e a recomendação vigente para cada grupo. Já a vacinação contra Covid-19 deve seguir as orientações do Programa Nacional de Imunizações e as definições atualizadas para grupos prioritários. No caso da pneumonia e de outras doenças pneumocócicas, a indicação pode variar conforme idade, risco individual e presença de doenças crônicas. Por isso, a avaliação médica ou da unidade de saúde ajuda a definir a necessidade de cada imunizante. Hepatite B e reforço contra tétano seguem importantes Entre as vacinas de rotina para adultos, o Ministério da Saúde inclui hepatite B em três doses, conforme histórico vacinal. A vacina protege contra hepatite B e hepatite D. O calendário também prevê a vacina dT, contra difteria e tétano, com esquema básico e reforço a cada 10 anos após a conclusão das doses. Em situações específicas, profissionais de saúde, parteiras tradicionais e pessoas que atuam com recém-nascidos podem receber a dTpa, que também protege contra coqueluche. A indicação depende do histórico vacinal e do risco de exposição. Esses reforços são importantes porque a proteção de algumas vacinas diminui com o tempo. Portanto, manter o cartão atualizado evita brechas de proteção. Herpes-zóster entra no radar a partir dos 50 anos A vacina contra herpes-zóster costuma entrar no radar a partir dos 50 anos, especialmente na rede privada e conforme recomendação médica. A doença ocorre pela reativação do vírus da catapora e pode causar dor intensa, lesões na pele e complicações persistentes. Já imunizantes contra vírus sincicial respiratório e pneumococo ganham maior relevância em idades mais avançadas ou em pessoas com maior risco. A Sociedade Brasileira de Imunizações recomenda a vacina contra VSR a partir dos 60 anos para pessoas com maior risco de evolução grave e como rotina a partir dos 70 anos. Por isso, a conversa com o médico é essencial. Nem toda mulher acima dos 40 precisa das mesmas vacinas no mesmo momento. O histórico de saúde, a idade, a profissão, viagens, doenças crônicas e tratamentos em uso influenciam a decisão. Prevenção reduz internações e protege autonomia A vacinação não elimina todos os riscos, mas reduz a chance de formas graves de doenças preveníveis. Para mulheres adultas, esse cuidado ajuda a preservar energia, independência e qualidade de vida. Além disso, a imunização protege a família e a comunidade. Quando adultos mantêm vacinas em dia, diminuem a circulação de agentes infecciosos e protegem pessoas mais vulneráveis, como idosos, bebês e pacientes imunossuprimidos. O recado dos especialistas é direto: após os 40 anos, revisar o cartão vacinal deve ser tão natural quanto medir a pressão, fazer exames de rotina e cuidar da alimentação. A prevenção continua sendo uma das formas mais eficientes de proteger a saúde.
Ablação por radiofrequência trata metástase no fígado sem cirurgia aberta em paciente de Brasília

Técnica minimamente invasiva destrói tumor no fígado e permite alta no dia seguinte Uma mulher de 37 anos, moradora de Brasília, passou por um tratamento minimamente invasivo após descobrir uma metástase no fígado poucos anos depois de tratar um câncer de cólon. A paciente, que prefere não ser identificada, foi considerada apta pela equipe médica para realizar ablação por radiofrequência, técnica que destrói lesões tumorais com calor, sem necessidade de cirurgia aberta. A metástase ocorre quando células cancerígenas se desprendem do tumor original e se espalham para outros órgãos ou tecidos do corpo. Segundo o Instituto Nacional do Câncer dos Estados Unidos, o tumor metastático mantém o mesmo tipo de células do câncer primário, mesmo quando aparece em outra parte do organismo. Ablação por radiofrequência trata tumor sem abrir o abdome No caso da paciente de Brasília, a lesão no fígado foi tratada por ablação por radiofrequência. O procedimento é realizado por um radiologista intervencionista, que introduz uma agulha fina até o tumor, geralmente com orientação por exames de imagem, como tomografia computadorizada, ultrassonografia ou ressonância magnética. Na ponta da agulha, a energia de radiofrequência gera calor suficiente para destruir as células cancerígenas, preservando ao máximo os tecidos saudáveis ao redor. A RadiologyInfo, iniciativa do Colégio Americano de Radiologia e da Sociedade Radiológica da América do Norte, explica que a energia enviada pela sonda produz calor na extremidade do instrumento, destruindo células tumorais e reduzindo o risco de sangramento em pequenos vasos. Paciente teve alta hospitalar no dia seguinte Segundo o relato, a paciente recebeu alta no dia seguinte ao procedimento, um dos pontos que costuma diferenciar técnicas minimamente invasivas de cirurgias abertas. A recuperação mais rápida, no entanto, depende de fatores como tamanho da lesão, localização do tumor, estado geral da paciente e planejamento definido pela equipe oncológica. “Enquanto eu estava na sala do médico, me mantive calma e tentei me informar sobre o que poderia ser feito e se o tratamento teria intenção curativa. Ao chegar em casa, desabei”, contou a paciente. O relato mostra também o impacto emocional de receber um novo diagnóstico após já ter passado por tratamento contra o câncer. Além da decisão técnica, casos assim envolvem medo, insegurança, expectativa de cura ou controle da doença e necessidade de apoio familiar e psicológico. Técnica pode reduzir trauma cirúrgico De acordo com o radiologista intervencionista Cândido José de Paula, do Hospital Anchieta Taguatinga, a principal vantagem da ablação por radiofrequência é tratar a área acometida sem abrir o abdome. “Um dos principais benefícios é possibilitar o tratamento da área acometida sem a necessidade de abrir o abdome do paciente. Isso reduz o trauma cirúrgico, favorece uma recuperação mais rápida e permite uma intervenção menos agressiva em situações específicas”, explica. A literatura médica descreve a ablação por radiofrequência como uma opção segura e eficaz em casos selecionados de metástases hepáticas de câncer colorretal, especialmente quando há número limitado de lesões, localização favorável e avaliação adequada por equipe multidisciplinar. Tratamento depende de avaliação individual Apesar dos benefícios, a ablação por radiofrequência não é indicada para todos os pacientes. A escolha depende de critérios como tipo do câncer, quantidade de lesões, tamanho do tumor, posição no fígado, proximidade de vasos sanguíneos e vias biliares, além da função hepática e das condições clínicas gerais. Em alguns casos, a técnica pode ser usada isoladamente. Em outros, pode ser combinada com cirurgia, quimioterapia, terapias-alvo ou imunoterapia, conforme o plano definido pela equipe médica. Revisões sobre tratamento de metástases hepáticas colorretais apontam que terapias locais, como a ablação térmica, são consideradas principalmente em doença limitada, quando todas as lesões visíveis podem ser tratadas. Por isso, especialistas reforçam que pacientes não devem interpretar a técnica como substituição automática da cirurgia ou da quimioterapia. Ela é uma ferramenta dentro de um conjunto de opções oncológicas. Avanço reforça papel da medicina menos invasiva O caso de Brasília ilustra o avanço da radiologia intervencionista no tratamento do câncer. Procedimentos guiados por imagem permitem intervenções mais precisas, com menor agressão ao organismo e recuperação potencialmente mais rápida em situações específicas. Para pacientes oncológicos, esse tipo de tecnologia pode representar menos tempo de internação, menor trauma físico e retomada mais rápida da rotina, sempre quando houver indicação médica. O ponto central, porém, continua sendo o diagnóstico precoce, o acompanhamento regular e a decisão compartilhada entre paciente e equipe de saúde.
Acordar no susto pode acelerar o coração e elevar a pressão, alertam especialistas

Despertar brusco libera adrenalina e pode sobrecarregar pessoas com problemas cardíacos Acordar no susto, seja por causa de um despertador alto, barulho repentino, pesadelo ou interrupção brusca do sono, provoca uma reação imediata no organismo. O corpo interpreta o estímulo como uma possível ameaça e ativa a chamada resposta de “luta ou fuga”, marcada pela liberação de adrenalina, aceleração dos batimentos cardíacos e elevação temporária da pressão arterial. Na maioria das pessoas saudáveis, essas alterações são passageiras e tendem a se normalizar em poucos minutos. A American Heart Association explica que situações de estresse levam o corpo a liberar hormônios que fazem o coração bater mais rápido e elevam a pressão, preparando o organismo para reagir ao estímulo. Acordar no susto ativa resposta de estresse O despertar brusco interrompe a transição natural entre o sono e o estado de alerta. Quando isso acontece, o sistema nervoso simpático é ativado de forma rápida, aumentando a circulação de adrenalina no sangue. Esse mecanismo é fisiológico e faz parte da defesa natural do corpo. Em situações de perigo real, ele ajuda a pessoa a reagir rapidamente. O problema é que, mesmo sem uma ameaça concreta, o organismo pode responder como se precisasse se proteger. Segundo o cardiologista Jorge Koroishi, do Hcor, em São Paulo, o sistema cardiovascular normalmente consegue se autorregular após o susto, controlando pressão arterial e frequência cardíaca em poucos minutos. A intensidade da reação, porém, depende das condições de saúde de cada pessoa. Coração bate mais rápido e pressão sobe Durante a resposta ao susto, a adrenalina aumenta a frequência cardíaca, eleva a pressão arterial e faz o coração exigir mais oxigênio. O NCBI Bookshelf descreve a reação de estresse como um processo de curto prazo capaz de provocar aumento temporário dos batimentos cardíacos e liberação de adrenalina. Em indivíduos sem doenças cardiovasculares, esse pico geralmente não causa consequências relevantes. O desconforto pode aparecer como palpitação, respiração mais rápida, tremor, suor frio ou sensação de alerta, mas costuma desaparecer com a retomada da calma. Já em pessoas com hipertensão, arritmias, doença coronariana ou histórico de infarto, o aumento súbito da demanda cardíaca pode ter impacto maior. Nesses casos, o coração pode ter menos reserva para lidar com picos de pressão e aceleração dos batimentos. Quem tem doença cardíaca precisa de mais atenção Pessoas com pressão alta mal controlada, arritmias conhecidas, angina, insuficiência cardíaca ou obstruções nas artérias coronárias devem evitar estímulos bruscos recorrentes, quando possível. Isso não significa que todo susto seja perigoso, mas que o organismo desses pacientes pode reagir com maior vulnerabilidade. A American Heart Association também destaca que hormônios do estresse podem acelerar o coração e contrair vasos sanguíneos, elevando temporariamente a pressão. Em quem já convive com fatores de risco, episódios frequentes de estresse e sono ruim podem contribuir para pior controle cardiovascular. O alerta vale especialmente para quem acorda repetidamente assustado, sente palpitações intensas, falta de ar, tontura, desmaio, dor no peito ou mal-estar forte após o despertar. Nessas situações, a avaliação médica é recomendada. Sono ruim também afeta a saúde cardiovascular Além do susto isolado, a qualidade do sono influencia diretamente a saúde do coração. Noites fragmentadas, insônia, ansiedade, apneia do sono e rotina irregular podem aumentar o nível de estresse do organismo e dificultar o controle da pressão arterial. Despertadores muito altos ou alarmes agressivos podem ser substituídos por sons graduais, vibração leve ou iluminação progressiva, quando possível. Manter horários regulares, reduzir telas antes de dormir, evitar excesso de cafeína à noite e criar um ambiente silencioso também ajudam a reduzir despertares bruscos. Para pessoas com pesadelos frequentes, ansiedade intensa ou sintomas noturnos, o acompanhamento profissional pode ser importante. O objetivo não é transformar um susto comum em motivo de medo, mas identificar quando há um padrão que prejudica o sono e a saúde. Quando procurar atendimento Acordar assustado, por si só, geralmente não exige atendimento de emergência. No entanto, sinais como dor ou aperto no peito, falta de ar, desmaio, confusão, palpitação persistente, fraqueza intensa ou pressão muito elevada devem ser avaliados com urgência. Para quem já tem doença cardiovascular, o ideal é manter acompanhamento regular, usar corretamente os medicamentos prescritos e conversar com o médico caso os episódios sejam frequentes. A prevenção continua sendo o caminho mais seguro: sono de qualidade, controle da pressão, alimentação equilibrada, atividade física orientada e redução do estresse ajudam a proteger o coração.